domingo, 11 de abril de 2021
QUE PALAVR4 SERÁ?
sábado, 10 de abril de 2021
CURSO FORMAÇÃO DE ATORES ESPAÇO DO ATOR
Mais do
que formar grandes atores e atrizes, o Curso de Formação de Atores preocupa-se em
preparar seus alunos para viver como artistas, o que requer atenção,
compromisso, disponibilidade, rigor e criatividade. O trabalho no Curso
pauta-se pela formação de profissionais qualificados tecnicamente, artistas autônomos,
comprometidos ética e politicamente com o mundo em que vivem capazes de
articular questões importantes de seu tempo em sua produção artística e contribuir,
à sua maneira, para a invenção de novas formas de viver no mundo. A Formação de
Atores é um curso com duração de dois anos. Esse curso profissional de Formação
de Atores tem parceria com o Sated-Rs e ao final do curso possibilita ao aluno
o DRT - Registro Profissional Provisório de Ator.
DISCIPLINAS
INTERPRETAÇÃO TEATRAL
Consiste
em um estudo teórico – prático sobre a interpretação teatral.
TEORIA E HISTÓRIA DO TEATRO
Estudo da
história do teatro desde a antiguidade até os dias atuais com especial atenção ao
trabalho do ator nas principais tradições teatrais.
JOGO E IMPROVISAÇÃO TEATRAL.
Estudo de
técnicas corporais de reconhecimento individual, espacial e da relação do
coletivo.
INTRODUÇÃO A PRODUÇÃO TEATRAL
Introdução
a produção de espetáculos desde a escolha do texto até a finalização de um
projeto.
GÊNEROS TEATRAIS
Abordagem
teórica e prática de diversos gêneros teatrais ao longo da história.
INTRODUÇÃO DRAMATURGIA
Estudo
teórico-prático para o entendimento do texto teatral e a estrutura de cenas.
MAQUIAGEM, CARACTERIZAÇÃO E
MAQUINARIA DO TEATRO
Permite
ao aluno o contato intenso e aprofundado com uma técnica de maquiagem e
acessórios cênicos para ser utilizada nos espetáculos. Estudo sobre a
maquinaria e efeitos especiais de luz, sonoridades e palco.
TEORIAS DO TRABALHO DO ATOR
Estudo
teórico- prático sobre o ator criador no século XX.
MINISTRANTE
Professor:
Diego Ferreira[1]
e Cândida Bazanella²
Horário:
Terças e Quintas das 19:00 as 22:00 hs
EMENTA
Uso da improvisação teatral, corporal e vocal para a elaboração de um processo criativo em teatro. Este primeiro módulo da formação de atores partirá do uso da improvisação e jogos teatrais para a integração da turma e seus desdobramentos na elaboração de um processo criativo. Realização de um exercício teatral para ser apresentado no final do semestre.
OBJETIVOS
- Realizar um exercício teatral a partir de improvisações dos alunos.
- Experimentar o uso de técnicas vocais.
- Experimentar o uso de técnicas corporais.
- Experimentar o trabalho relacionado ao estado de jogo, prontidão, disponibilidade e imaginação.
- Aprofundar o trabalho do ator nas questões relacionadas a teoria e prática.
Analisar e experimentar a ação física.
CONTEÚDO
PROGRAMÁTICO
Aulas de caráter prático com exercícios coletivos e individuais, onde serão abordados os seguintes conteúdos: jogo e brincadeira, improvisação, estado de jogo, canções... Aulas teóricas, seminários expositivos, aulas com professores especialistas convidados.
PUBLICO ALVO
Pessoas a partir dos 14 anos.
DIAS, HORÁRIO E CARGA HORÁRIA
|
Data de início: 15 de Abril /2021. |
|
|
Data de término: 15 de Dezembro/2022. |
|
|
Dias de aula: 160 aulas. Carga horária: 480 h/aula |
|
|
|
|
|
VALOR R$ 50,00 Taxa de Matrícula R$ 180,00/mês Taxa de produção: R$ 200 / cada 5 meses/ destinado a produção de cada
espetáculo. LOCAL Espaço do Ator – Rua Veador Porto, 241 Bairro Santana junto
ao Sindicato dos Gráficos. INFORMAÇÕES E
INSCRIÇÕES Espaço do Ator E8scola de Teatro – Rua Veador Porto, 241 Bairro
Santana. Telefone: (51) 996.628.688 watsapp E-mail: contatoespacodoator@gmail.com
ou pelo www.espacodoator.com Ministrantes: Diego
Ferreira – DRT 10706 Graduado
em Teatro na UERGS/2009. Dramaturgo, Crítico e Professor de Teatro.
Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por
Diones Camargo. Integrante da GIRADramatúrgica: Grupo de Estudos em
Dramaturgia Negra, coordenado por Carlos Canarin. Coordenador do Núcleo de
Dramaturgia do Espaço do Ator. Professor das disciplinas de Expressão Corporal I e II no Unilasalle
(Canoas), Professor no Curso
“Desibinição através do Teatro” na Unisinos (São Leopoldo), professor no Curso de Formação de Atores do Galpão de
Artes (Canoas). Professor do Curso de Formação de Atores no Espaço do
Ator. Foi crítico convidado do Festival de Teatro de Montenegro nas edições
de 2012 e 2014. Em 2013 foi integrante da Comissão do Prêmio Mais Teatro,
concedido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Iniciou a sua trajetória
no teatro em Porto Alegre em 1995, desde então vem aprimorando seus
conhecimentos na área teatral. Dirigiu vários espetáculos teatrais dentre os
quais: “Essa propriedade está
condenada” 2014/2015, “Tempos
Perdidos” 2011, “Assovio no vento
escuro” em 2010, baseado na obra de Clarice Lispector, “Wilma e Elza” em 2009 que circulou
por 25 cidades do Rio Grande do Sul, “Travessia”
(2010). Dedica-se também aos blogs Válvula de Escape e Olhares da Cena, um
espaço virtual dedicado as artes cênicas do estado, além de fazer a cobertura
de festivais de teatro exercendo a função de crítico teatral. Recentemente
foi indicado ao Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gravataí por
sua atuação em “A filha da escrava”. O mesmo espetáculo foi o grande vencedor
do festival de Osório nas categorias Melhor Espetáculo, atriz, atriz
coadjuvante, figurino e iluminação. Em 2015 o espetáculo “Essa propriedade
está condenada” obteve 9 indicações no Festival de Osório vencendo nas
categorias Atriz e Iluminação. Em 2016 dirige a esquete “CICATRIZ”
apresentada no Congresso da Feessers. (IN)SÔNIA, PLUFT, A MALDIÇÃO DO VALE
NEGRO E PLATAFORMA K. CÂNDIDA BAZANELLA – DRT 6640 Atriz,
desde 1997, iniciou sua carreira como atriz em Lajeado. Onde fez parte dos
grupos: Boca de Cena e Sem Nome; Só Teatro com diversas
montagens. Em Porto Alegre, participou de oficinas com: Oi Nóis Aqui Traveis, Celso Frateschi, Ligia Rigo, Paulo Flores,
Daniel Terra, Fernando Kike Barbosa entre outros. Em 2007 ganhou prêmio de
melhor atriz no festival de Estância Velha com a Cia Renascença, com o espetáculo Ana Fierlig adaptação do texto Mãe Coragem de Bertold Brecht. Em 2008 participou da oficina O Corpo como Fronteira com Renato
Ferracini e em 2011 o curso de Mimese
Corpórea com Raquel Scotti Hirson ambos do grupo LUME, em Campinas – SP.
Trabalhou por dois anos na Casa de
Cultura Mario Quintana. Graduada em teatro: licenciatura na
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Fundou, em 2012, o grupo, Cia Oníricos de Teatro, no qual foi diretora da peça Edward: O Retorno, com diversas
premiações no Festival Art In Vento
e indicação de melhor direção e atriz no Prêmio
Açoriano de Porto Alegre. Lecionou em projetos sociais como o Projovem Adolescente e a Cufa (Central Única das Favelas).
Lecionou teatro na Escola Nossa Senhora
do Cenáculo, Casa Cultural Tony
Petzhold, Galpão das Artes, ONG Coletivo Feminino Plural, Clube de Cultura, Estação Musical, onde roteirizou e dirigiu o musical, Estação do Rock. Atualmente leciona e
dirige espetáculos na escola de teatro, Espaço
do Ator, escola fundada por ela, em 2016.
Espetáculos dirigidos “O Julgamento do
Palavrão”, “Conte-me sobra a Capital”, “Holocausto do Amor”, “O feitiço da
Bruxa má”, “O Bulling e suas ofensas”. |
|
[1] DRT nª
10706. Graduado em Teatro pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul -
UERGS. Em 2012 e 2014 foi o crítico do Festival Montenegro em Cena – Professor
de teatro no Galpão de Artes e na Unisinos. Coordenador do Núcleo de
Dramaturgia do Espaço do Ator.
² DRT n° 6640. Graduada em Teatro pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul- UERGS. Atriz desde de 1997, professora e diretora teatral em diversas escolas e projetos sociais. Atualmente professora, diretora e fundadora da escola de teatro Espaço do Ator.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
TROPEÇO - Resenha do livro de Anderson Feliciano
“Tropeçando
em pequenos amontoados de terras”
por Diego Ferreira*
"Tropeço" de Anderson Feliciano
lançado pela Editora Javali surge e apresenta-se como um conjunto de
textos-ilhas performáticos que os possibilitou pensar sobre a complexidade de estar negro no mundo e fabular outras
linguagens. O livro é composto por três textos curtos: “Pequeno tratado amoroso”,
“Apologia III” e “Outras Rosas”. O tempo espiralar a partir do conceito da Leda
Maria Martins revela um estudo que avalia a temporalidade na filosofia
africana. “O tempo ocidental é plasmado nas palavras e tem uma articulação de
início-meio-fim. Já no tempo africano o passado e o futuro dialogam resultando
num presente”. E creio que Feliciano
dialoga com essa articulação africana aliada aos afetos construídos a partir do
projeto apresentado na bela edição que também utiliza a dramaturgia da imagem,
através de uma memória fotográfica, mergulhando em registros familiares e
agindo como forma de ruptura de uma estrutura aristotélica. A escrita avança
enquanto articulação estética e retorna ao passado não como uma tentativa vazia
de resgate de memórias, mas na tentativa de apreender o que pedia outro devir.
Ainda hoje existe o pensamento equivocado de que a produção de narrativas
pretas discorre apenas sobre determinados temas como mazelas sociais, dores e
lutas, muitas vezes inserindo essa produção dentro de um folclore estático e
histórico, compreendendo que essa produção possui formas e conceitos estéticos
rígidos, que uma vez estabelecidos, propagam a falsa acepção do que é ou não
dramaturgia negra. "Tropeço" rompe com esse imaginário de construção
dramatúrgica que muitas vezes alicerça o texto apenas na construção e
sustentação de uma fábula, nos lançando nesse arquipélago de pequenas ilhas e
através delas conseguimos mergulhar num oceano de complexidades e afetividades
que são materializadas a partir do tecido imagético proposto no livro. E esses
textos-ilhas são potencializados quando associo ao legado de Maria Beatriz
Nascimento que nos conduz a uma reflexão sobre sua relação com o oceano
atlântico, a sua relação com essas pequenas ilhas, esses pequenos amontoados de
terras, partindo da idéia de travessia e retorno como maneiras de resgate e
conexão com ancestralidades africanas. Cabe aqui pensar na importância do mar
para as cosmologias africanas e afro-brasileiras, como esse lugar imenso e
portal de energias ancestrais, e essa configuração de "textos-ilhas"
ou “pequenos amontoados de terra” apresentada por Feliciano me coloca nesse
lugar de ancestralidade, de resgate de suas histórias pessoais, da relação com
o pai e suas memórias coletivas. Esses pequenos amontoados de terras funcionam
como recortes que não dialogam entre si, mas dialogam com o todo. E assim como
temos uma relação ancestral e metafórica com a água, falar de “amontoados de terra” é também falar de
lugar ou não-lugar, da terra que nos foi retirada e negada, e com isso essas
pequenas ilhas contribuem para o povo negro ser o dono da sua terra, da
apropriação da sua narrativa e o mais importante é o modo que essas narrativas
são escritas, colocadas no tempo/espaço, pois a escrita de Feliciano
surpreende justamente por nos apresentar um texto que se furta de apropriações
e reinterpretações de suas próprias memórias, mas vai além como no texto
experimental e performático “Outras Rosas” que faz uso da repetição de apenas
uma frase “eu não penso que deveria ter que me levantar” que além de ter uma
diagramação diferente dos demais textos, faz um paralelo com a vida de Rosa
Parks e é de uma potencialidade e tessitura narrativa ímpar e minimalista, pois
lida com a questão da repetição, do tempo/espaço, de uma elaborada construção
arrojada que se ancora no experimental mas que explode em múltiplas sensações
na recepção. “Pequeno tratado amoroso” é
o texto que abre o livro e é altamente poético, um texto construído e dividido
enquanto exercícios, mas que não perde na essência poética que dialoga com a
primeira pessoa de Anderson, mas que também produz ficções a partir de
experimentações do real. Já “Apologia III” traz fragmentos pequeninos de textos,
mas imagens de grande potência que constroem esse universo imagético a partir
dos registros fotográficos presentes na edição.
“Tropeço” nasce num tempo onde existe uma
disponibilidade para o exercício e fruição de escritas para a cena e soma-se a
uma excelente safra de dramaturgos que tem produzido novas possibilidades de
escrita para a cena criando novos horizontes para o teatro brasileiro contemporâneo.
É poético, plástico, inovador e profundo na mesma medida. Que Anderson
Feliciano possa estar nas listas de leitura de muitos artistas e ficamos aguardando
seus próximos textos na certeza de mergulhar em terras dantes nunca habitadas.
*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002. Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin. Professor da escola Espaço do Ator e da UNISINOS, na extensão.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
REVERB (FIN/BRA)
Por Diego
Ferreira*
Paisagem
Corpos a margem abandonada
Preto
Branco
Preto
Trapiche
Imagem bucólica
Águas
Frio
Lá fora a neve
Contraste
Contraste da neve e o negro dos corpos
Preto e branco
Cabelos
Verde
Há muita simbologia neste REVERB, no rio que passa e não volta e nos
corpos que correm e voltam. Existe muito afeto na relação destes corpos com o
espaço e isso é muito forte e representativo. Corpos negros dançando na neve é
muito representativo. É político. Dialoga com a performance anterior de “Corpos
Ditos” com a idéia do passaporte e das
pessoas em mover-se. É importante se mover.
A vídeo-performance utiliza uma estética sem cor e isso reflete
justamente na cor. Os corpos tem cor. O espaço tem cor. É o corpo negro se
deslocando num espaço branco repleto de neve. Percebe as múltiplas
possibilidades que uma única obra pode possibilitar? E isso é fantástico. “Reverb”
é tão poético e belo. Ancestral e simbólico. Quando assisto a performance me
permito a senti-la ao invés de tentar encontrar justificativas racionais que
venham a dar conta de efêmero que acontece ali. O rio passa, mas os corpos permanecem. E
permanecem dançando, o que de fato é um ato político. Reverb fez o encerramento
da mostra Cura de forma grande. Uma performance que me provocou e deixou na
minha memória uma série de caminhos a trilhar no campo das artes.
Direção:Ana Paula Mathias
Coreografía:Mario Lopes e Malu Avelar
Trilha Sonora: Erica Navarro
Gravação e Mixagem:Adonias Souza Júnior
Gravação e Mixagem:Adonias Souza Júnior
Desenho Sonoro:Ruben Valdes
Intérpretes: Mario Lopes e Malu Avelar
Formato de realização: Videodança
Duração:60 minutos
Duração:10 minutos
Classificação:Livre
*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve críticas
no blog Olhares da Cena. Integrante da GIRADRAMATÚRGICA – Grupo de Estudos em
Dramaturgia Negra. Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto
Alegre coordenado por Diones Camargo. Foi jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi
jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na
Unisinos e Unilasalle.
CORPOS DITOS (RS)
Por Diego
Ferreira*
Quando comecei a
estudar sobre o negro no teatro, ainda dentro da universidade a principal
dificuldade era encontrar bibliografia e referências a respeito do tema e
principalmente vislumbrar na cena corpos negros em ação. De minha parte, havia
um total desconhecimento dessa história e da complexidade que ela encerrava.
Essa compreensão só veio se dando na construção de sentidos no tempo e espaço.
E em Porto Alegre no que se refere a teatro negro o Caixa Preta é um dos coletivos
que abriram portas a muitos artistas que hoje exercem o seu trabalho e na
atualidade o Pretagô é uma forte e agradável referencia por se engajar na luta
do enfrentamento ao racismo a partir de vozes e corpos que trazem novos ângulos
ao discurso negro nas artes cênicas, o que se constitui numa excelente
oportunidade para aprofundar reflexões.
Por essa razão,
considero “Corpos Ditos” uma afronta a tudo o que temos passado neste ano
pandêmico. Trata-se de uma reunião de pretos celebrando nossos discursos. A
partir da investigação de elementos que caracterizam a performance arte em
acordo com a poética desenvolvida pelo Pretagô, os performers exploram imagens
e áudios captados através de seus smartphones e criam cenas motivadas por um
discurso escolhido por eles. E isso provoca um grande impacto, pois cada ator
provocados por estímulos que desconhecemos criam uma performance a partir do
seu lugar de fala e “de casa”. E cada quadro nos provoca a partir das imagens
propostas e dos textos e narrativas que existem em cada ação. Cosmovisões
negras que firmam territórios de embates e sutilezas. “Corpos Ditos” é de uma
singeleza e ao mesmo tempo de uma potência aterrorizante, como aparece num dos
quadros essa palavra: “aterrorizada”, no sentido de perder as esperanças. Ao
acompanhar e assistir o Pretagô minha esperança é renovada pois existe um
trabalho muito sério e muito atual.
“Mover-se
é um milagre”
“Mover-se
dói.”
É bastante
representativo o quadro em que o Bruno aparece com um passaporte e seu discurso
fala de mover-se. É representativo. É triste e feliz ao mesmo tempo justamente
pela questão de mobilidade e as
possibilidades que temos em mover-se pelo país e mundo. Assim como toda a
proposta tem uma dimensão do que é ser negro no Brasil. E do que representa ser
artista negro no Brasil. Sons, textos, discursos, imagens, corpos. Negros.
Corpos negros em deslocamento. Corpos negros se movendo. Corpos negros se
movendo para curar toda e qualquer dor que esses corpos carregam. A parformance
tem humor, ancestralidade, sustentabilidade, metáforas que constroem leituras
pretas do momento que vivemos. E tudo tem poesia, beleza e embate. Tem
diversidade. Afeto. Sutileza. Liberdade. “Corpos Ditos” é uma pausa em nosso
cotidiano para parar, sentir e refletir sobre o nosso lugar dentro da
sociedade. Um momento belo para celebrar a vida através dos corpos ditos e
também dos malditos. O importante é celebrar e isso o Pretagô tem feito.
Direção:Bruno Fernandes e Silvana Rodrigues
Autoria: Pretagô, baseado em discursos de diversos autores
Elenco:Bruno Cardoso, Camila Falcão, Kyky Rodrigues, Laura Lima, Manuela
Miranda e Thiago Pirajira
Trilha Sonora: João Pedro Cé e Vini Silva
Direção e edição de imagem: Marina Kerber - Macumba Lab
Fotografia: Anelise De Carli
Produção e Realização:Grupo Pretagô
Duração:36 minutos
Classificação: 14 anos
*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve críticas
no blog Olhares da Cena. Integrante da GIRADRAMATÚRGICA – Grupo de Estudos em
Dramaturgia Negra. Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto
Alegre coordenado por Diones Camargo. Foi jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi
jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na
Unisinos e Unilasalle.
ORI ORISTÉIA – UM RITO SACRIFICAL (RS)
Por Diego
Ferreira*
A
presença do grupo Caixa Preta na CURA é bastante significativa por se tratar de
um grupo que abriu portas e possibilidades da representatividade de muitos
artistas negros da cidade Porto Alegre se enxergarem no palco e ver que é
possível estar nesse espaço também e ser representativo. O Caixa Preta também
foi o responsável de realizar o Matriz - Encontro de Arte de Matriz Africana em
Porto Alegre, importante encontro que promoveu encontros, espetáculos e
reflexões que com certeza teve desdobramentos que muitas vezes não conseguimos
nem mensurar mas o que é possível perceber que a cena gaúcha está mais negra e
isso é reflexo destas iniciativas. Assistimos “Ori Oristéia” por questões
técnicas que impediram de acontecer outra ação agendada. Rever o trabalho faz
resgatar toda teatralidade que é muito característica nos trabalhos do grupo
dirigido por Jessé Oliveira. Assistimos o espetáculo em formato digital numa
gravação com uma câmera fixa e de um plano geral, o que para o espectador que
não assistiu a montagem de modo presencial impede de perceber expressões e
nuances dos atores que no presencial são fantásticos e que envolve o espectador
justamente por isso. Mas neste formato percebemos o pulso forte que Jessé tem
enquanto encenador e vislumbramos toda a engrenagem cenográfica que utiliza
vários planos. Conseguimos captar também o canto forte do elenco e uma gama de
imagens que recriam o universo da trilogia Orestéia recriadas aqui por um
universo pop aliados ao universo dos ritos de matriz africana. Esteticamente é
potente e extremamente atual e espero ansioso que o Caixa Preta retorne aos
palcos juntamente com toda a sua pesquisa séria de linguagem que faz dele um
dos grupos mais emblemáticos do nosso teatro.
Direção:Jessé
Oliveiras
Assistente
de direção:Juliano Barros
Elenco
/ Performers:Adriana Rodrigues, Diego Nayà, Éder
Rosa, Glau Barros, Juliano Barros, Marcelo de Paula, Mariana Marmontel, Pâmela
Amaro, Viviane Juguero e Wagner Madeira
Dramaturgia:Viviane
Juguero
Argumento: Jessé
Oliveira
Consultoria
teórica:Barbara Kastner (Alemanha)
Trilha
sonora original:Viviane Juguero e Grupo Caixa Preta
Colaboração
nos arranjos e sonoplastia:Wagner Madeira e Diego Naià
Consultoria
musical: Álvaro RosaCosta
Cenário:Rodrigo
Shalako
Artista
Gráfico:Waldemar Max
Iluminação:José
Luis Fagundes Kabelo
Assistência
em preparação corporal:Éder Rosa
Direção
de Produção e Elaboração do Projeto:Jessé Oliveira Produção
Produção:Silvia
Abreu
Duração:1h55
min
Classificação: 14
anos
*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve críticas no blog Olhares da
Cena. Integrante da GIRADRAMATÚRGICA – Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra.
Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado
por Diones Camargo. Foi jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio
Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e
Unilasalle.




