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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

VENCEDORES DO 11º OLHARES DA CENA - Edição 2020/2021

 


TEATRO ADULTO

 

HOMENAGEM

Claudio Etges

PROJETO ESPECIAL

MOSTRA CURA DE ARTES CENICAS NEGRAS DE PORTO ALEGRE

INOVAÇÃO DIGITAL

GRUPOJOGO de Experimentação Cênica

TRILHA SONORA

Vitório O. Azevedo – HIPERGAIVOTA

ILUMINAÇÃO

Casemiro Azevedo – MANUAL PARA NÁUFRAGOS

FIGURINO

Gustavo Diestmann - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

ATRIZ / PERFORMER

Hayline Vitória – A ÚLTIMA NEGRA

ATOR / PERFORMER

Paulo Flores – QUASE CORPOS – EPISÓDIO I: A ÚLTIMA GRAVAÇÃO

DRAMATURGIA

Ana Luiza da Silva e Jezebel De Carli, colaboração: Vika Schabbach – TERRA ADORADA

DIREÇÃO

Tainah Dadda - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

ESPETÁCULO POP 

A ÚLTIMA NEGRA

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

MANUAL PARA NÁUFRAGOS

 

TEATRO INFANTO-JUVENIL

 

PROJETO ESPECIAL

JU e JU EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

TRILHA SONORA

Márcio Petracco, Pedro Rocha Petracco e Francisco Harzheim Petracco – SR. ESQUISITO

FIGURINO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

 ILUMINAÇÃO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

ATRIZ

Pam Magalhães – ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

ATOR

Phill - PAPO DE CRIANÇA

DRAMATURGIA

Viviane Juguero e Jorge Rein - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

 DIREÇÃO

Arlete Cunha, Evandro Soldatelli e Rodrigo Vrech - SR. ESQUISITO

ESPETÁCULO POP

ZULEKA E O TESOURO DO PIRATA CARECA

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

PAPO DE CRIANÇA

 

 

DANÇA

 

INOVAÇÃO DIGITAL

ENTRE

TRILHA SONORA

Thiago Ramil - VERNIX

FIGURINO

Luiz Augusto Lacerda - O FEMININO SAGRADO

ILUMINAÇÃO

Voltaire Barbieri – ASPECTO IN

BAILARINA/ PERFORMER

Rita Rosa Lende – PEÇA

BAILARINO / PERFORMER

Guilherme Gonçalves – ASPECTO IN

DIREÇÃO

Renata de Lélis - VERNIX

ESPETÁCULO POP 

A CASA VAZIA

ESPETÁCULO/ VÍDEO-DANÇA/PERFORMANCE e AFINS

VERNIX

 

 


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

INDICAÇÕES AO 11º PRÊMIO OLHARES DA CENA - EDIÇÃO VIRTUAL

 

2020/2021 não foram anos para comemorações em função da pandemia da Covid-19, e por todo o caos político que nosso país vive. Por outro lado seria injusto não celebrar a importância dos espetáculos realizados nos dois anos de reclusão e iniciativas daqueles que bravamente enfrentaram outras linguagens para oferecer ao público o que se convencionou chamar de teatro virtual. O “Olhares da Cena” acredita que dessa forma conseguiu enaltecer os esforços para celebrar o teatro que se reinventou, se provou e cresceu. Mas sem esquecer-se de refletir os anos tão duro que foi de luta para artistas e técnicos.

Os vencedores serão divulgados através nas redes sociais do Olhares da Cena @olharesdacena no dia 11 de fevereiro.  

INDICAÇÕES 11º PRÊMIO OLHARES DA CENA

TEATRO ADULTO

PROJETO ESPECIAL

PAPO DE CENA – GRUPOJOGO de Experimentação Cênica

EDIFÍCIO CRISTAL – Cia. INCOMODE-TE

MOSTRA CURA DE ARTES CENICAS NEGRAS DE PORTO ALEGRE

IMOBILHADOS NA QUARENTENA

MOSTRA UMBÚ DE ARTES

INOVAÇÃO DIGITAL

GRUPOJOGO de Experimentação Cênica

HIPERGAIVOTA – Coletivo Errática

MACUMBA VIRTUAL

MANUAL PARA NÁUFRAGOS

1964 EM HQ de Chico Machado

TRILHA SONORA

Poejo – VOZ PARA CUMANÁ

Angelo Primon – EDIFICIO CRISTAL e CLASSE CORDIAL

Álvaro RosaCosta – A ÚLTIMA NEGRA e A VÓ DA MENINA

Vitório O. Azevedo – HIPERGAIVOTA

João Pedro Cé e Vini Silva - CORPOS DITOS

Richard Serraria – PÁGINAS AMARELAS – VIDA E OBRA DE CAROLINA MARIA DE JESUS

ILUMINAÇÃO

Casemiro Azevedo – MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Ricardo Vivian – DERROTA

Ricardo Vivian – EDIFICIO CRISTAL

Henrique Strieder – QUE PALAVR4 SERÁ?

Nara Maia – PALÁCIO DO FIM

FIGURINO

Gustavo Diestmann – HIPERGAIVOTA

Gustavo Diestmann - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Liane Venturella e Carlos Ramiro Fensterseifer – PALÁCIO DO FIM

Margarida Rache – VAI PASSAR

Cia. Espaço em Branco – TOCAR PARAÍSO

ATRIZ / PERFORMER

Ana Luiza da Silva – TERRA ADORADA

Deborah Finocchiaro – CLASSE CORDIAL

Liane Venturella – DERROTA

Jezebel de Carli – HIPERGAIVOTA

Hayline Vitória – A ÚLTIMA NEGRA

Valéria Barcellos – ENSAIO SOBRE A CEBOLA

ATOR / PERFORMER

Gustavo Diestmann – HIPERGAIVOTA

Eduardo D’ávila - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Bruno Cardoso - CORPOS DITOS

Luciano Mallman – ÍCARO

Paulo Flores – QUASE CORPOS – EPISÓDIO I: A ÚLTIMA GRAVAÇÃO

DRAMATURGIA

Nicolas Beidacki - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Carlos Ramiro, Liane Venturella, Nelson Diniz – EDIFICIO CRISTAL

Thiago Silva – CLASSE CORDIAL

Clóvis Massa e Gabriel Fontoura – VOZ PARA CUMANÁ

Pedro Bertoldi – A ÚLTIMA NEGRA

Ana Luiza da Silva e Jezebel De Carli, colaboração: Vika Schabbach – TERRA ADORADA

DIREÇÃO

Tainah Dadda - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Francisco Gick – HIPERGAIVOTA

Camila Bauer e Silvana Rodrigues – A ÚLTIMA NEGRA

Alexandre Dill e Gabriel Pontes - QUE PALAVR4 SERÁ?

Bruno Fernandes e Silvana Rodrigues - CORPOS DITOS

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

MANUAL PARA NÁUFRAGOS

HIPERGAIVOTA

A ÚLTIMA NEGRA

CORPOS DITOS

ÍCARO

INVISIVEIS – HISTÓRIAS PARA ACORDAR

 

TEATRO INFANTO-JUVENIL


PROJETO ESPECIAL

JU e JU EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

PAPO DE CRIANÇA

 

TRILHA SONORA

Viviane Juguero – PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

Luiz Manoel Oliveira - PAPO DE CRIANÇA

Márcio Petracco, Pedro Rocha Petracco e Francisco Harzheim Petracco – SR. ESQUISITO

Gustavo Finkler e Renata Mattar – XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

FIGURINO

Ligia Rigo – SR. ESQUISITO

Éder Rosa - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

 

ILUMINAÇÃO

Nara Maia – SR. ESQUISITO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Fabi Santos - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

ATRIZ

Pam Magalhães – ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Arlete Cunha – SR. ESQUISITO

Juliana Johann – JU E JU EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

Cíntia Ferrer - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

Bruna Casali - PAPO DE CRIANÇA

 

ATOR

Rodrigo Reis - ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Evandro Soldatelli – SR. ESQUISITO

Paulo Martins Fontes - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Phill - PAPO DE CRIANÇA

Juliano Camargo Felix – JU E JU EM TEMPOS DE PANDEMIA

DRAMATURGIA

Laboratório – Escola de Arte Popular - ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Viviane Juguero e Jorge Rein - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

Ana de David, Danuta Zaghetto e Maurício Schneider – PAPO DE CRIANÇA

Paulo Martins Fontes - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Arlete Cunha, Evandro Soldatelli e Rodrigo Vrech -  SR. ESQUISITO

 

DIREÇÃO

Bruno Flores Prandini - ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Ana de David, Danuta Zaghetto e Maurício Schneider – PAPO DE CRIANÇA

Arlete Cunha, Evandro Soldatelli e Rodrigo Vrech - SR. ESQUISITO

Liane Venturella - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Izabel Cristina e Viviane Juguero - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA


ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

SR. ESQUISITO

XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

PAPO DE CRIANÇA

 

 

DANÇA


INOVAÇÃO DIGITAL

VERNIX

O QUE HÁ EM NÓS

ENTRE


TRILHA SONORA

Maestro Marco Farias – O FEMININO SAGRADO

Thiago Ramil - VERNIX

Giovani Capeletti e Diego Zarcon – A CASA VAZIA

Eduardo Xavier – ASPECTO IN

Vini Fontoura - ENTRE


FIGURINO

Luiz Augusto Lacerda - O FEMININO SAGRADO

Graziela Silveira – A CASA VAZIA

Guilherme Gonçalves - ASPECTO IN

Tatiana Goldenberg – PELAS MÃOS

Pequenice – Arte e Educação - ENTRE


ILUMINAÇÃO

Carol Zimmer – PEÇA

Felipe Farinha – DIÁLOGOS ENTRE CORPOS E RODAS

Leandro Gass – TRANSLÚCIDO

Voltaire Barbieri – ASPECTO IN

Voltaire Barbieri - PELAS MÃOS


BAILARINA/ PERFORMER

Rita Rosa Lende – PEÇA

Fernanda Bertoncello Boff – ENTRE

Marilice Bastos – TRANSLÚCIDO

Ana Guasque – ESGOTAMENTO ESGOTADO ESGOTO

Graziela Silveira – A CASA VAZIA


BAILARINO / PERFORMER

Rodolfo Rucheinsky – VERNIX

Daniel Cavalheiro – PELAS MÃOS

Felipe Óladálé – VERNIX

Gabriel Martins – ENTRE

Guilherme Gonçalves – ASPECTO IN


DIREÇÃO

Iara Deodoro - O FEMININO SAGRADO

Fernanda Bertoncello Boff – O QUE HÁ EM NÓS e ENTRE

Renata de Lélis - VERNIX

Carol Martins – ASPECTO IN

Wagner Ferraz – PELAS MÃOS

 

ESPETÁCULO/ VÍDEO-DANÇA/PERFORMANCE e AFINS

O FEMININO SAGRADO

PEÇA

VERNIX

ENTRE

A CASA VAZIA

ASPECTO IN

PELAS MÃOS



O "Olhares da Cena" é editado por Diego Ferreira: Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Foi indicado no Prêmio Açorianos 2021 em 3 categorias: Olhares da Cena na categoria Ação Formativa e o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS" nas categorias Ação Formativa e Ação Periférica. E venceu o Açorianos na categoria Açao Periférica com o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS. 


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

CLASSE CORDIAL (RS)

 


O IMAGINÁRIO DA LOUCURA EM CLASSE CORDIAL

*por Diego Ferreira

"Classe Cordial" é um projeto hibrido que mistura teatro, vídeo e performance. O projeto faz uma abordagem sobre exclusão, loucura e reformas antimaniconiais que se projeta no tempo/espaço através do poético e performático numa perspectiva do imaginário social, mobilizando questões que através do texto e poesia da dramaturgia de Thiago Silva e da presença da Deborah Finocchiaro multiplica essas vozes que falam de opressão, de encarceramento, exclusão, e de privações de direitos humanos.  Um corpo no espaço. Uma atriz. Uma tela. Uma janela. Um corpo no espaço que provoca tensões através do silenciamento. Um corpo no espaço habitado por vozes, palavras e sons. Som e presença. Som e poesia. Poesia sonora primorosa de Ângelo Primon que preenche as arestas e cava espaços nessa narrativa de clausura. A dramaturgia de Thiago Silva ganha vida através de uma leitura visceral realizada pela Deborah Finocchiaro, as palavras de Thiago ganham peso e sentido através desse experimento dirigido pelo jovem e experiente Jardel Rocha que nesse trabalho transborda criatividade e o que vemos é uma segurança criativa e inventiva num terreno que talvez não seja o dele que é essa arte digital que dialoga com a performance, o teatro, o cinema, mas que ele triunfa. O texto é poético, político, é denuncia, é história, é dramaturgia necessária justamente nesse tempo de clausura que vivemos. Um texto profundo e aprofundado que traz a luz temas que muitas vezes as pessoas querem esquecer. 
Taí mais um projeto pandêmico que consegue se sobressair no meio de tantos projetos que não conseguiram se adaptar a essa nova realidade do fazer artístico. Uma parceria de sucesso entre as duas companhias Nômade: Teatro e Pesquisa Cênica e Companhia de Solos & Bem Acompanhados



FICHA TÉCNICA Ideia Original e Dramaturgia: Thiago Silva Concepção de Encenação e Direção: Jardel Rocha Atuação: Deborah Finocchiaro Trilha Sonora Original: Angelo Primon Iluminação: Everton Wilbert Vieira Figurinos: Deborah Finocchiaro e Jardel Rocha Chapéu : Rosina Duarte Assessoria de pesquisa: Gabriela Touguinha Tradução para libras: Celina Nair Xavier Neta Edição e finalização: Jardel Rocha Produção do projeto: Jardel Rocha Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten Parceria cultural: Nômade: Teatro e Pesquisa Cênica e Companhia de Solos & Bem Acompanhados Apoio: Fundação Ecarta, FM Cultura - 107.7 e Rádio Univates FM 95.1 Projeto executado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas realizado com recursos da Lei Aldir Blanc n° 14.017/20.



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002. Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Curador do 28º Porto Alegre em Cena/2021. Mediador do 15º Palco Giratório Sesc/RS.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

CIDADE AO MAR (RS)

 


RETRATO IMAGÉTICO DO UNIVERSO ADOLESCENTE

por Diego Ferreira*

"Cidade ao mar" é um experimento virtual do Coletivo Prisma. Um experimento novo, de um grupo novo, com gente nova que promove um respiro e suspensão no tempo durante a exibição do experimento. O projeto é dividido em capítulos e se utiliza tanto de uma poesia imagética com belas imagens cotidianas e também de uma poesia textual utilizando algumas referencias poéticas como Edgar Allan Poe e Peter Handke. A tela é uma espécie de tela em branco que os corpos vão preenchendo com suas presenças e também a projeção de alguns fragmentos textuais. As imagens em preto e branco e o cuidado da edição é um grande destaque deste projeto, assim como a linguagem jovem que trás um respiro as cenas projetadas. As narrações e interpretações dos atores são seguras e demostra que essa "gurizada" está levando muito a sério o início da caminhada em seu ofício.     As belas imagens e o roteiro de Bela Becker desvelam memórias que retratam o universo adolescente buscando no mar metáforas que dialogam com essa galera. O mar calmo, as vezes revolto, violento, o mar salgado que refresca, cura e batiza. ou seja, uma geração que carrega consigo uma série de sentimentos, vivências e sutilezas e a mudança destes sentimentos oscila de forma muita rápida. Sentimentos efêmeros e fugazes. E tudo isso está presente aqui, de forma poética e imagética que alcança o nosso imaginário de uma forma muito especial. 
Que o Grupo Prisma possa utilizar esta experiência como alavanca para seguir com novos projetos e em breve, quando essa pandemia acabar, quero revê-los nos palcos.

Ficha Técnica:

Direção: O GRUPO

Roteiro: BELA BECKER

Elenco: BELA BECKER, FERNANDA MIRANDA, JEAN GORZIZA, LAYSA MARY E PEDRO DARGEN

Direção de Arte: O GRUPO

Maquiagem: O GRUPO

Figurino: O GRUPO

Montagem: PEDRO DARGEN

Edição de vídeo: PEDRO DARGEN

Edição de áudio: PEDRO DARGEN

Trilha sonora: PEDRO DARGEN

Direção de Produção: JEAN GORZIZA

Material Gráfico: BELA BECKER E PEDRO DARGEN

Vídeos para Divulgação e Trailer: PEDRO DARGEN

Divulgação nas Redes Sociais: JEAN GORZIZA

Realização: Grupo PRISMA

*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Curador local do 28º Porto Alegre em Cena/2021.Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo.   

domingo, 18 de julho de 2021

ZULEKA E O TESOURO DO PIRATA CARECA (RS)



PRODUÇÃO INTELIGENTE DIRECIONADA AOS PEQUENOS

por Diego Ferreira*

"Zuleka e o tesouro do pirata careca" é uma produção do Laboratório Escola de Arte Popular e  é uma grata surpresa na seara das produções digitais em tempos pandêmicos.  Por se tratar de uma produção voltada as crianças e pelo fato da mesma abordar temas atuais, o coletivo conseguiu criar uma experiência  viva e lúdica aproximando-se da realidade das crianças de hoje. O espetáculo virtual consegue utilizar de modo louvável uma série de plataformas como o you tube, o instagram, o whattssapp para colocar em cena as aventuras de Zuleka no mundo real. Aqui não existe o mundo das maravilhas, fadas ou duendes, pelo contrário, os temas abordados são os que estão todos os dias nos noticiários como pandemia, fake news, isolamento, o medo, o genocídio, a vacina e a relação com familiares separados pelo distanciamento. O que torna a experiência diferente é justamente a forma como foi apresentado, a começar pela dramaturgia e edição dos quadros apresentados no programa de entrevistas apresentado pela Zuleka.  Apesar de a produção ser dirigida aos pequenos existe um discurso político e social bastante claro e apurado. A narrativa não fica em cima do muro e propõe uma reflexão interessante acerca dos temas abordados, mas a forma que esse discurso se manifesta é construído de modo lúdico e inteligente. Não é tarefa fácil dialogar com a infância atual por uma série de ideologias que infelizmente dominam a sociedade brasileira. Mas é importante falar. É importante dialogar. É salutar evidenciar qualquer tipo de tema, principalmente os que estão em alta na sociedade e que interfere diretamente na vida dos pequenos e suas respectivas famílias para assim tentar construir uma sociedade que busque um equilíbrio no campo das idéias.  A dramaturgia de "Zuleka e o tesouro do pirata careca" é espetacular, destaco por exemplo a cena/quadro do formigueiro que estabelece uma relação direta com o governo. Outra cena que destaco é a da avó de Zuleka após ser vacinada se transformar em jacaré. São cenas/quadros muito bem construídos e divertidos. O elenco é um destaque a parte, pois consegue construir figuras interessantes e hilárias como o impagável Tio Miro e sua sereia Elvira  que Rodrigo Reis nos brinda perfeitamente, assim como a personagem título Zuleka personificada pela Pam Magalhães, que tem uma tarefa difícil que é criar corpo/voz a uma personagem infantil, o que acontece de modo natural, pois quanto mais avança o espetáculo mais acreditados na sua construção da menina Zuleka. Vinicius Lima como o Avô e o pirata também está muito bem e seguro na personificação destas figuras que no caso de Vinicius percebo um tempo ótimo principalmente no avô falastrão, assim como Carini Pereira que no papel da avó consegue ser hilária e pontual agregando qualidade no projeto. Os personagens são fora do padrão de um universo infantil romantizado e isso faz com  que consigam dialogar com a nossa realidade. O coletivo assim como Bruno Prandini estão de parabéns pela qualidade e principalmente pela resistência de seguir produzindo trabalhos com muita qualidade dentro da chamada região metropolitana de Porto Alegre. Que este trabalho possa chegar nas escolas e ser um bom exemplo de teatro que faz uma ótima reflexão da criança da atualidade aliada a diversão.      

   

FICHA TÉCNICA

Montagem Coletiva do Laboratório-Escola de Arte Popular

Criação da Dramaturgia, Pesquisa de Referências, Elementos Cenográficos, Figurinos, Trilha Sonora: O Coletivo

Direção Artística: Bruno Flores Prandini

Elenco: Carini Pereira, Pam Magalhães, Rodrigo Reis e Vinicius Lima

Criação de Material Audiovisual: Rodrigo Reis e Pam Magalhães

Edição de Vídeo Espetáculo Digital: Renato Chama

 

Após a transmissão do espetáculo, haverá uma live no Youtube com toda a equipe artística. Para acompanhar acesse o Youtube do Laboratório-Escola de Arte Popular 

 

Este espetáculo integra o projeto “Mostra 10 Gigabytes de História - Vacina para Corpos Digitais” sendo este um Projeto realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020. 



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Curador do 28º Porto Alegre em Cena/2021.  


domingo, 11 de julho de 2021

DESFAZENDA - ME ENTERRE FORA DESSE LUGAR (SP)

 


SOMOS FEITOS DE POSSÍVEIS
por Diego Ferreira*

Refletir sobre a pluralidade e diversidade do teatro brasileiro na atualidade é indispensável. É salutar também não apenas refletir mas cada vez mais subverter as estruturas desse teatro, evitando a reprodução de modelos, práticas e principalmente narrativas distorcidas que perduraram durante muito tempo. Falar sobre o teatro brasileiro contemporâneo e não ressaltar a grande relevância que os teatros negros tem é no mínimo discutível, (para não dizer outra coisa) é necessário provocar esse diálogo para de uma vez por todas dizer que a produção negra atual é extremamente diversificada e múltipla e talvez a mais rica sob o ponto de vista estético, político e poético. E "Desfazenda - Me enterre fora desse lugar" é um excelente exemplo dessa forte articulação que está acontecendo hoje. A produção é o novo trabalho do Coletivo O Bonde de São Paulo e evidencia o trabalho de quatro excelentes interpretes, quatro corpos, quatro vozes, que propagam, multiplicam e amplificam o pensamento e narrativas de muitos corpos pretos. "Desfazenda" coloca em cena quatro personagens: 12, 13, 23 e 40. São quatro pessoas pretas que quando crianças foram salvas da guerra por um padre branco. Desde então elas vivem na fazenda deste padre, cuidando das tarefas diárias, supervisionadas por zero, um homem preto um pouco mais velho. O padre nunca sai da capela, a guerra nunca atingiu a fazenda, e sempre que os porquês são questionados, o sino soa e tudo volta a ser como antes. Ou quase sempre.
A dramaturgia de Lucas Moura é pautada pela fragmentação e intertextualidade. O discurso narrativo consegue contrastar a fabula como depoimentos pessoais criando uma multiplicidade extremamente interessante. A palavra de Moura é vida, é morte, é arma ao mesmo tempo que é alvo. A palavra é corpo/matéria. A palavra é ficção e fricção de tempos e memórias distintos. A palavra é de Lucas, ao mesmo tempo que é de 40, ao mesmo tempo de que é de Jhonny, a palavra é de 23 ao mesmo tempo que é de Marina, ao mesmo tempo que é de 12, e também 23, assim como a palavra é de Filipe, de Ailton, a palavra é de Roberta, a palavra também é minha. A palavra é texto. E o texto desvela discursos que consegue propagar a partir de sua ação uma infinidades de vozes. Texto é ritmo e poesia. Poesia visceral, urgente e emergente. O texto é estruturado em narrativas épicas evidenciado através da direção espetacular de Roberta Estrela D'alva que consegue criar muitas soluções cênicas e dispositivos que dá um ritmo alucinado ao trabalho, além de muitas camadas. Fiquei extremamente tocado com todo o espetáculo, chamado aqui de "peça-filme", mas confesso que fazia tempo que um texto não captava tanto a minha atenção como essa dramaturgia de Lucas Moura, e olha que isso acontece justamente num tempo em que o teatro chega até a recepção de forma virtual, porém isso não afetou em nada, pelo contrário, pois nesse caso a virtualidade da proposta se transforma em presença potente pelo modo de construção que conseguem cooptar o olhar e principalmente o afeto de quem está do lado de cá da tela. Texto aliado a direção criam um objeto virtual, uma peça-filme que evidencia o caráter espetacular desse modelo sem deixar de ser teatro. Estrela D'alva imprime um ritmo atrelado a toda uma plasticidade carregada numa teatralidade. A começar pelas projeções iniciais com as vozes de Grace Passô e Negra Rosa que além de nos localizar no que estamos prestes a assistir revelam alta carga poética. Depois assistimos os intérpretes se colocando em xeque o tempo topo, construindo e desconstruindo esse imaginário fabular ao mesmo tempo que nos colocam no tempo de hoje, com nossos problemas de hoje, nossas alegrias e nossas dores. Numa das passagens do texto é dito: "a gente precisa arranjar um tempo de desviar". e desviar é mudar de direção. Precisar de tempo para mudar de direção, muitas vezes será que temos esse tempo para desviar? É necessário tempo, é necessário mudar o curso das águas e "Desfazenda" consegue esse tempo para desviar e propõe uma mudança que dialoga diretamente comigo.

E porque dialoga comigo?

Dialoga porque é virtual, mas é presença
É porque é presença, é corpo, é negro
Dialoga porque tem uma fábula, mas também tem reflexão
Dialoga porque tem ritmo, tem fala, língua falada, tem rap
Dialoga porque tem ator que mesmo através da tela fala diretamente comigo
Dialoga porque o ator sou eu, e aquilo que estava escrito nos diários poderia ter sido escrito por mim
Dialoga porque a câmera guia o meu olhar.

A teatralidade latente se manifesta e materializa através da iluminação que é um dos signos presentes e que auxiliam fortemente na construção potente do trabalho. A luz de Matheus Brant executada por Gabriele Souza é espetacular, pois constrói uma estética imagética que também é signo, que também é um tecido narrativo, uma sensível dramaturgia da iluminação que é presente, é corpo, é fundamental. A luz é corte, é interrupção, é interferência, é dispositivo que revela e esconde corpos, desenha e inscreve esse corpo-espaço, num tempo presente e virtual. As cores, intensidades e temperaturas dessa luz são bem articuladas que deixam uma forte marca nessa experiência. Evidencia rostos, corpos ou partes dele, cores, preto e branco, apenas branco, apenas negro, e vermelho. E essas cores, apenas essas três cores me levam a muitos significados e metáforas como o vermelho-sangue das mortes dos corpos pretos que assistimos todos os dias e que infelizmente esse sangue vermelho/preto não é no palco do teatro, nem tão pouco virtual, mas sangue real, sangue derramado todos os dias principalmente nas favelas e periferias do nosso país.
Outro elemento importante é a trilha sonora de Dani Nega que constrói uma linda paisagem sonora, presente o tempo todo, potente e linda, linda demais, já que o texto falado também é musicalidade. O ritmo é a mola propulsora que faz rodar essa experiência. A trilha é um coração pulsando sempre mas que as vezes nem sentimos mas ela está ali presente, pulsando e emanado vida. Outro destaque são os figurinos de Ailton Barros que são funcionais, rico em detalhes mesmo todos sendo peças pretas com o avental branco. Essas cores do figurino e da iluminação dá o tom metafórico da montagem, cria alguns códigos facilmente lidos pelo espectador, como quando os interpretes utilizam o avental branco estão dentro da narrativa fabular, e quando retiram o elemento branco evocam pensamentos e memórias pessoais/coletivas. Percebe que código interessante este:  quando ele , o ator, retira o elemento branco do seu figurino é quando a ilusão fabular se desfaz, ou seja, desfazendo, despindo, desconstruindo pensamentos. Desfazenda. 
Então, a peça-filme é uma enorme surpresa nessa mar de incertezas, e justamente por se tratar de um espetáculo filmado, todo o reconhecimento merecido a toda a equipe de Captação de imagens, montagem e fotografia que faz o espetáculo acontecer da melhor forma possível, com alto impacto e força poética e estética graças aos trabalhos destes profissionais. 
E aos quatro atores/
interpretes/vozes/corpos/subjetividades/forças/respiração/inspiração/transpiração/   
Ailton Barros
Filipe Celestino
Jhonny Salaberg
Marina Esteves
Registro a minha satisfação em partilhar desse momento através desse trabalho. Todos do elenco sem exceções dinamizam e potencializam através de suas presenças diferentes estados de temporalidades. Seus corpos/vozes produzem potencias que muitas vezes contrastam com as violências da narrativa.
Em múltiplas camadas, com ambiguidades e tensões internas naquilo que se pretende fazer, "Desfazenda - Me enterrem fora desse lugar" é um  grito por um aquilombamento e um desvelador daquilo que ainda se custa a ver: as ações fundantes das populações negras e o sangue preto que constitui a estruturação desse país.

Ficha Técnica
Direção: Roberta Estrela D'Alva (@estreladalva) Dramaturgia: Lucas Moura (@lucasmouradr) Direção Musical: Dani Nega (@daninega) Elenco: Ailton Barros (@ailtonbarrosoficial), Filipe Celestino (@ficelestino), Jhonny Salaberg (@jhonnysalaberg) e Marina Esteves (@vimvermarina). Vozes Mãe e Criança: Grace Passô (@gracepasso) e Negra Rosa (@meninanegrarosa). Direção de Imagem e Montagem: Gabriela Miranda e Matheus Brant (@matheusbrant) Direção de Fotografia: Matheus Brant Consultoria Artística: Daniel Lima (@dcfl.daniel_lima) Som direto: Ruben Vals (@rukuraka_) Treinamento e desenho de spoken word: Roberta Estrela D'Alva Produção Musical: Dani Nega Músicas "Saci" e "Tocar o Gado": Dani Nega e Lucas Moura Figurino: Ailton Barros Desenvolvimento de figurino: Leonardo Carvalho (@tchaubeijotudodebom) Operação de câmera e Efeitos óticos: Isadora Brant (@isabrant) Desenho de Luz: Matheus Brant Operação de Luz: Gabriele Souza (@gabezok) Técnica de Iluminação e Traquitanas: Giovanna Kelly (giovannakmg) Marcação de Cor: Lucas Silva Campos e Samira França Design Gráfico: Tide Gugliano (@tidegugliano) Legendas: Francisco Grasso Produção: Corpo Rastreado (@corporastreado) – David Costa, Gisely Alves e Júlia Tavares (@tvrsjulia) Assessoria de Imprensa: Canal Aberto (@canal_aberto) – Marcia Marques (@marciamarquesnovaes), Carol Zeferino e Daniele Valério Realização: O Bonde Dramaturgia livremente inspirada no filme "Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil" de Belisario Franca (@belisariof)



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Curador do 28º Porto Alegre em Cena/2021.  

domingo, 27 de junho de 2021

DERROTA (RS)

 

DIMENSÕES ÍNTIMAS E SUBJETIVAS NO CENTRO DA NARRATIVA

por Diego Ferreira*

A peça-filme “Derrota” a partir do texto de Dimítris Dimitriádis evidencia aspectos subjetivos no embate das contradições humanas. Parte de um universo minimalista para dialogar com questões macro, principalmente neste momento que vivemos. E esta obra e texto serem trazidos a tona neste momento é um dos grandes méritos do projeto, principalmente por evocar dimensões íntimas e subjetivas colocando a palavra no centro da narrativa. A palavra enquanto possibilidade de comunicação, extremamente elaborada e materializada através do corpo e voz de Liane Venturella, o que produz no espectador uma espécie de catarse, como se fossemos voyeur da intimidade daquela mulher. Penetramos em “Derrota” através do mundo das palavras, e através delas empreendemos a própria metamorfose da narrativa. Através da palavra dita e internalizada, construímos e reconstruímos o universo daquela mulher que sozinha em seu quarto fuma e divaga sobre suas derrotas, desejos, perdas e sonhos e isso tudo nos conecta nos provocando a criar outras dimensões sobre limites e fronteiras psíquicas e emocionais que estamos sujeitos em nosso cotidiano. E se esse cotidiano for o Brasil atual essas palavras criam outras dimensões que potencializam o discurso do texto, pois parte da materialidade do texto de Dimítris para aprofundar temas que hoje no Brasil são extremamente caros a todos nós como o caos político e sanitário. É o momento perfeito para dar uma pausa e refletir sobre nossas precariedades. Esse diálogo é necessário, é salutar, é urgente, até mesmo como uma válvula de escape, uma fuga frente ao caos.

“Derrota” é uma parceria do Coletivo Gompa e Cia Incomode-te e evidência o notável trabalho de Liane Venturella como grande atriz que é, tendo como possibilidade de criação a sua presença e toda sua capacidade de articulação através de pausas, silêncios e uma apropriação do texto que a primeira vista parece simples, mas a simplicidade nem sempre é algo fácil de acessar, e aqui sua atuação neste experimento é magistral. Assim como o trabalho de Camila Bauer que a cada trabalho se reinventa enquanto encenadora, seja na linguagem, poética ou estética, mas sempre inovando e trazendo o novo para os palcos, ou para a tela como é neste experimento. Uma produção intima, reveladora e instigante que provoca o nosso imaginário através da ótima utilização da palavra materializada no corpo e voz de uma grande atriz.

FICHA TÉCNICA
Texto: Dimítris Dimitriádis
Direção: Camila Bauer
Elenco Liane Venturella
Direção Sonora: Álvaro RosaCosta
Vídeo: Júlio Estevan
Fotos: Claudio Etges
Orientação de figurino: Fabiane Severo
Iluminação: Ricardo Vivian
Assessoria de Imprensa: Léo Sant´Anna
Produção: Letícia Vieira
Coordenação de Produção: Primeira Fila Produções
Realização: Projeto Gompa e Cia. Incomode-Te.



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo.