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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

VENCEDORES DO 11º OLHARES DA CENA - Edição 2020/2021

 


TEATRO ADULTO

 

HOMENAGEM

Claudio Etges

PROJETO ESPECIAL

MOSTRA CURA DE ARTES CENICAS NEGRAS DE PORTO ALEGRE

INOVAÇÃO DIGITAL

GRUPOJOGO de Experimentação Cênica

TRILHA SONORA

Vitório O. Azevedo – HIPERGAIVOTA

ILUMINAÇÃO

Casemiro Azevedo – MANUAL PARA NÁUFRAGOS

FIGURINO

Gustavo Diestmann - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

ATRIZ / PERFORMER

Hayline Vitória – A ÚLTIMA NEGRA

ATOR / PERFORMER

Paulo Flores – QUASE CORPOS – EPISÓDIO I: A ÚLTIMA GRAVAÇÃO

DRAMATURGIA

Ana Luiza da Silva e Jezebel De Carli, colaboração: Vika Schabbach – TERRA ADORADA

DIREÇÃO

Tainah Dadda - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

ESPETÁCULO POP 

A ÚLTIMA NEGRA

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

MANUAL PARA NÁUFRAGOS

 

TEATRO INFANTO-JUVENIL

 

PROJETO ESPECIAL

JU e JU EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

TRILHA SONORA

Márcio Petracco, Pedro Rocha Petracco e Francisco Harzheim Petracco – SR. ESQUISITO

FIGURINO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

 ILUMINAÇÃO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

ATRIZ

Pam Magalhães – ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

ATOR

Phill - PAPO DE CRIANÇA

DRAMATURGIA

Viviane Juguero e Jorge Rein - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

 DIREÇÃO

Arlete Cunha, Evandro Soldatelli e Rodrigo Vrech - SR. ESQUISITO

ESPETÁCULO POP

ZULEKA E O TESOURO DO PIRATA CARECA

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

PAPO DE CRIANÇA

 

 

DANÇA

 

INOVAÇÃO DIGITAL

ENTRE

TRILHA SONORA

Thiago Ramil - VERNIX

FIGURINO

Luiz Augusto Lacerda - O FEMININO SAGRADO

ILUMINAÇÃO

Voltaire Barbieri – ASPECTO IN

BAILARINA/ PERFORMER

Rita Rosa Lende – PEÇA

BAILARINO / PERFORMER

Guilherme Gonçalves – ASPECTO IN

DIREÇÃO

Renata de Lélis - VERNIX

ESPETÁCULO POP 

A CASA VAZIA

ESPETÁCULO/ VÍDEO-DANÇA/PERFORMANCE e AFINS

VERNIX

 

 


domingo, 28 de novembro de 2021

HIPERGAIVOTA -- MOSTRA UMBÚ DE ARTES

 


SUSPENSÃO DO COTIANO ATRAVÉS DE VIVÊNCIA INTERATIVA

por Diego Ferreira – Especial Mostra Umbú de Artes*

HIPERGAIVOTA é uma experiência digital, um desdobramento do espetáculo “Dispositivo Gaivota” do Coletivo Errática. Trata-se de uma plataforma que o espectador vai explorando através dos seus próprios gestos e cliques, e que dentro da Mostra Umbú de Artes o olhar do espectador foi guiado por um integrante do grupo que ia escolhendo em qual das janelas nós íamos olhar, adentrar e experimentar. “Hipergaivota” é uma das melhores experiências artísticas dos últimos tempos pela inventividade, inovação e por permitir ao navegador desbravar outras searas, através de uma vivência interativa e criativa.

Uma peça de teatro desse tempo, para esse tempo, diz o texto de abertura, e de fato se configura dessa forma. Um experimento sobre o tempo. Sobre o espaço, mesmo questionando que espaços são estes, espaços fugazes e efêmeros. Nossos dedos passeiam nervosos por salas, e cada clique abre-se uma nova possibilidade estética, uma nova visão de um pequeno mundo que se agiganta diante de nós. Fragmentos de textos, imagens, performances, sons e uma infinidade de possibilidades de juntar partes de um grande quebra-cabeça emotivo, afetivo e sensorial. O nosso papel enquanto espectador é ir entrando nas salas, absorvendo e sentindo cada proposta, brincar, se divertir e a partir daí se colocar também no jogo, enquanto peça fundamental. Diante de todas as incertezas que vivemos no mundo diante de uma pandemia, quando não sabemos do dia de amanhã, ainda surgem projetos e propostas artísticas que te tiram do eixo, que provocam uma suspensão no seu cotidiano. “Hipergaivota” é um mergulho para dentro, pois enquanto se volta para os dramas e tensões das personagens do universo de Tchekhov, também são desvelados o universo e estrutura dos performes, fragmentos de um cotidiano em suspensão, frestas de banheiros, quartos, salas e quintais, travessias que me reportam de Porto Alegre até Boston, tudo sob um olhar que coloca em evidencia a máquina do fazer artístico, a nova possibilidade de criação a partir do estar dentro, do estar apartado de um todo, do seu coletivo, de sua tribo, mas mesmo assim existe vida, existe criação e existe reverberação potente do lado de cá.

“Hipergaivota” é uma grande possibilidade de composições a partir das cenas e dos dispositivos e das ligações que o espectador vai construindo com partes ou com o todo. Impossível tecer qualquer comentário estilístico ou de atuação quando o projeto requer apenas EXPERIÊNCIA. Sim, uma experiência viva pautada pela usina criativa e virtualizada que é essa “Hipergaivota”. E a exibição dentro da Mostra Umbú terminou com uma performance que brincava com um jogo de composição através de palavras que teve participação dos atores do coletivo de da platéia. UMA EXPERIENCIA VIVA, e que me fez ter o gostinho de voltar ao modo presencial que ainda não tinha experimentado nesse período pandêmico.

Parabéns ao Coletivo Errativa que juntamente com o Grupojogo não somente agora, mas a algum tempo tem ventilado as artes cênicas do estado com propostas inventivas e inovadoras mas sem desconectar do humano, e por isso são projetos universais.      

Ficha técnica

Direção e Concepção: Francisco Gick

Dramaturgia e Código: Francisco Gick a partir de “A Gaivota” de Anton Tchekhov

Adaptação: Coletivo Errática

Elenco: Claudio Loimil, Jezebel De Carli, João Pedro DeCarli, Guega Peixoto, Luan Silveira, Gustavo Dienstmann, Mani Torres e Nina Picoli

Trilha Sonora: Vitório O. Azevedo

Figurino: Gustavo Dienstmann

Concepção e Criação de plataforma: Francisco Gick

Duração: 60 min

Recomendação etária: 18 anos


*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Foi indicado no Prêmio Açorianos 2021 em 3 categorias: Olhares da Cena na categoria Ação Formativa e o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS" nas categorias Ação Formativa e Ação Periférica.

 

domingo, 11 de julho de 2021

DESFAZENDA - ME ENTERRE FORA DESSE LUGAR (SP)

 


SOMOS FEITOS DE POSSÍVEIS
por Diego Ferreira*

Refletir sobre a pluralidade e diversidade do teatro brasileiro na atualidade é indispensável. É salutar também não apenas refletir mas cada vez mais subverter as estruturas desse teatro, evitando a reprodução de modelos, práticas e principalmente narrativas distorcidas que perduraram durante muito tempo. Falar sobre o teatro brasileiro contemporâneo e não ressaltar a grande relevância que os teatros negros tem é no mínimo discutível, (para não dizer outra coisa) é necessário provocar esse diálogo para de uma vez por todas dizer que a produção negra atual é extremamente diversificada e múltipla e talvez a mais rica sob o ponto de vista estético, político e poético. E "Desfazenda - Me enterre fora desse lugar" é um excelente exemplo dessa forte articulação que está acontecendo hoje. A produção é o novo trabalho do Coletivo O Bonde de São Paulo e evidencia o trabalho de quatro excelentes interpretes, quatro corpos, quatro vozes, que propagam, multiplicam e amplificam o pensamento e narrativas de muitos corpos pretos. "Desfazenda" coloca em cena quatro personagens: 12, 13, 23 e 40. São quatro pessoas pretas que quando crianças foram salvas da guerra por um padre branco. Desde então elas vivem na fazenda deste padre, cuidando das tarefas diárias, supervisionadas por zero, um homem preto um pouco mais velho. O padre nunca sai da capela, a guerra nunca atingiu a fazenda, e sempre que os porquês são questionados, o sino soa e tudo volta a ser como antes. Ou quase sempre.
A dramaturgia de Lucas Moura é pautada pela fragmentação e intertextualidade. O discurso narrativo consegue contrastar a fabula como depoimentos pessoais criando uma multiplicidade extremamente interessante. A palavra de Moura é vida, é morte, é arma ao mesmo tempo que é alvo. A palavra é corpo/matéria. A palavra é ficção e fricção de tempos e memórias distintos. A palavra é de Lucas, ao mesmo tempo que é de 40, ao mesmo tempo de que é de Jhonny, a palavra é de 23 ao mesmo tempo que é de Marina, ao mesmo tempo que é de 12, e também 23, assim como a palavra é de Filipe, de Ailton, a palavra é de Roberta, a palavra também é minha. A palavra é texto. E o texto desvela discursos que consegue propagar a partir de sua ação uma infinidades de vozes. Texto é ritmo e poesia. Poesia visceral, urgente e emergente. O texto é estruturado em narrativas épicas evidenciado através da direção espetacular de Roberta Estrela D'alva que consegue criar muitas soluções cênicas e dispositivos que dá um ritmo alucinado ao trabalho, além de muitas camadas. Fiquei extremamente tocado com todo o espetáculo, chamado aqui de "peça-filme", mas confesso que fazia tempo que um texto não captava tanto a minha atenção como essa dramaturgia de Lucas Moura, e olha que isso acontece justamente num tempo em que o teatro chega até a recepção de forma virtual, porém isso não afetou em nada, pelo contrário, pois nesse caso a virtualidade da proposta se transforma em presença potente pelo modo de construção que conseguem cooptar o olhar e principalmente o afeto de quem está do lado de cá da tela. Texto aliado a direção criam um objeto virtual, uma peça-filme que evidencia o caráter espetacular desse modelo sem deixar de ser teatro. Estrela D'alva imprime um ritmo atrelado a toda uma plasticidade carregada numa teatralidade. A começar pelas projeções iniciais com as vozes de Grace Passô e Negra Rosa que além de nos localizar no que estamos prestes a assistir revelam alta carga poética. Depois assistimos os intérpretes se colocando em xeque o tempo topo, construindo e desconstruindo esse imaginário fabular ao mesmo tempo que nos colocam no tempo de hoje, com nossos problemas de hoje, nossas alegrias e nossas dores. Numa das passagens do texto é dito: "a gente precisa arranjar um tempo de desviar". e desviar é mudar de direção. Precisar de tempo para mudar de direção, muitas vezes será que temos esse tempo para desviar? É necessário tempo, é necessário mudar o curso das águas e "Desfazenda" consegue esse tempo para desviar e propõe uma mudança que dialoga diretamente comigo.

E porque dialoga comigo?

Dialoga porque é virtual, mas é presença
É porque é presença, é corpo, é negro
Dialoga porque tem uma fábula, mas também tem reflexão
Dialoga porque tem ritmo, tem fala, língua falada, tem rap
Dialoga porque tem ator que mesmo através da tela fala diretamente comigo
Dialoga porque o ator sou eu, e aquilo que estava escrito nos diários poderia ter sido escrito por mim
Dialoga porque a câmera guia o meu olhar.

A teatralidade latente se manifesta e materializa através da iluminação que é um dos signos presentes e que auxiliam fortemente na construção potente do trabalho. A luz de Matheus Brant executada por Gabriele Souza é espetacular, pois constrói uma estética imagética que também é signo, que também é um tecido narrativo, uma sensível dramaturgia da iluminação que é presente, é corpo, é fundamental. A luz é corte, é interrupção, é interferência, é dispositivo que revela e esconde corpos, desenha e inscreve esse corpo-espaço, num tempo presente e virtual. As cores, intensidades e temperaturas dessa luz são bem articuladas que deixam uma forte marca nessa experiência. Evidencia rostos, corpos ou partes dele, cores, preto e branco, apenas branco, apenas negro, e vermelho. E essas cores, apenas essas três cores me levam a muitos significados e metáforas como o vermelho-sangue das mortes dos corpos pretos que assistimos todos os dias e que infelizmente esse sangue vermelho/preto não é no palco do teatro, nem tão pouco virtual, mas sangue real, sangue derramado todos os dias principalmente nas favelas e periferias do nosso país.
Outro elemento importante é a trilha sonora de Dani Nega que constrói uma linda paisagem sonora, presente o tempo todo, potente e linda, linda demais, já que o texto falado também é musicalidade. O ritmo é a mola propulsora que faz rodar essa experiência. A trilha é um coração pulsando sempre mas que as vezes nem sentimos mas ela está ali presente, pulsando e emanado vida. Outro destaque são os figurinos de Ailton Barros que são funcionais, rico em detalhes mesmo todos sendo peças pretas com o avental branco. Essas cores do figurino e da iluminação dá o tom metafórico da montagem, cria alguns códigos facilmente lidos pelo espectador, como quando os interpretes utilizam o avental branco estão dentro da narrativa fabular, e quando retiram o elemento branco evocam pensamentos e memórias pessoais/coletivas. Percebe que código interessante este:  quando ele , o ator, retira o elemento branco do seu figurino é quando a ilusão fabular se desfaz, ou seja, desfazendo, despindo, desconstruindo pensamentos. Desfazenda. 
Então, a peça-filme é uma enorme surpresa nessa mar de incertezas, e justamente por se tratar de um espetáculo filmado, todo o reconhecimento merecido a toda a equipe de Captação de imagens, montagem e fotografia que faz o espetáculo acontecer da melhor forma possível, com alto impacto e força poética e estética graças aos trabalhos destes profissionais. 
E aos quatro atores/
interpretes/vozes/corpos/subjetividades/forças/respiração/inspiração/transpiração/   
Ailton Barros
Filipe Celestino
Jhonny Salaberg
Marina Esteves
Registro a minha satisfação em partilhar desse momento através desse trabalho. Todos do elenco sem exceções dinamizam e potencializam através de suas presenças diferentes estados de temporalidades. Seus corpos/vozes produzem potencias que muitas vezes contrastam com as violências da narrativa.
Em múltiplas camadas, com ambiguidades e tensões internas naquilo que se pretende fazer, "Desfazenda - Me enterrem fora desse lugar" é um  grito por um aquilombamento e um desvelador daquilo que ainda se custa a ver: as ações fundantes das populações negras e o sangue preto que constitui a estruturação desse país.

Ficha Técnica
Direção: Roberta Estrela D'Alva (@estreladalva) Dramaturgia: Lucas Moura (@lucasmouradr) Direção Musical: Dani Nega (@daninega) Elenco: Ailton Barros (@ailtonbarrosoficial), Filipe Celestino (@ficelestino), Jhonny Salaberg (@jhonnysalaberg) e Marina Esteves (@vimvermarina). Vozes Mãe e Criança: Grace Passô (@gracepasso) e Negra Rosa (@meninanegrarosa). Direção de Imagem e Montagem: Gabriela Miranda e Matheus Brant (@matheusbrant) Direção de Fotografia: Matheus Brant Consultoria Artística: Daniel Lima (@dcfl.daniel_lima) Som direto: Ruben Vals (@rukuraka_) Treinamento e desenho de spoken word: Roberta Estrela D'Alva Produção Musical: Dani Nega Músicas "Saci" e "Tocar o Gado": Dani Nega e Lucas Moura Figurino: Ailton Barros Desenvolvimento de figurino: Leonardo Carvalho (@tchaubeijotudodebom) Operação de câmera e Efeitos óticos: Isadora Brant (@isabrant) Desenho de Luz: Matheus Brant Operação de Luz: Gabriele Souza (@gabezok) Técnica de Iluminação e Traquitanas: Giovanna Kelly (giovannakmg) Marcação de Cor: Lucas Silva Campos e Samira França Design Gráfico: Tide Gugliano (@tidegugliano) Legendas: Francisco Grasso Produção: Corpo Rastreado (@corporastreado) – David Costa, Gisely Alves e Júlia Tavares (@tvrsjulia) Assessoria de Imprensa: Canal Aberto (@canal_aberto) – Marcia Marques (@marciamarquesnovaes), Carol Zeferino e Daniele Valério Realização: O Bonde Dramaturgia livremente inspirada no filme "Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil" de Belisario Franca (@belisariof)



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Curador do 28º Porto Alegre em Cena/2021.  

domingo, 27 de junho de 2021

DERROTA (RS)

 

DIMENSÕES ÍNTIMAS E SUBJETIVAS NO CENTRO DA NARRATIVA

por Diego Ferreira*

A peça-filme “Derrota” a partir do texto de Dimítris Dimitriádis evidencia aspectos subjetivos no embate das contradições humanas. Parte de um universo minimalista para dialogar com questões macro, principalmente neste momento que vivemos. E esta obra e texto serem trazidos a tona neste momento é um dos grandes méritos do projeto, principalmente por evocar dimensões íntimas e subjetivas colocando a palavra no centro da narrativa. A palavra enquanto possibilidade de comunicação, extremamente elaborada e materializada através do corpo e voz de Liane Venturella, o que produz no espectador uma espécie de catarse, como se fossemos voyeur da intimidade daquela mulher. Penetramos em “Derrota” através do mundo das palavras, e através delas empreendemos a própria metamorfose da narrativa. Através da palavra dita e internalizada, construímos e reconstruímos o universo daquela mulher que sozinha em seu quarto fuma e divaga sobre suas derrotas, desejos, perdas e sonhos e isso tudo nos conecta nos provocando a criar outras dimensões sobre limites e fronteiras psíquicas e emocionais que estamos sujeitos em nosso cotidiano. E se esse cotidiano for o Brasil atual essas palavras criam outras dimensões que potencializam o discurso do texto, pois parte da materialidade do texto de Dimítris para aprofundar temas que hoje no Brasil são extremamente caros a todos nós como o caos político e sanitário. É o momento perfeito para dar uma pausa e refletir sobre nossas precariedades. Esse diálogo é necessário, é salutar, é urgente, até mesmo como uma válvula de escape, uma fuga frente ao caos.

“Derrota” é uma parceria do Coletivo Gompa e Cia Incomode-te e evidência o notável trabalho de Liane Venturella como grande atriz que é, tendo como possibilidade de criação a sua presença e toda sua capacidade de articulação através de pausas, silêncios e uma apropriação do texto que a primeira vista parece simples, mas a simplicidade nem sempre é algo fácil de acessar, e aqui sua atuação neste experimento é magistral. Assim como o trabalho de Camila Bauer que a cada trabalho se reinventa enquanto encenadora, seja na linguagem, poética ou estética, mas sempre inovando e trazendo o novo para os palcos, ou para a tela como é neste experimento. Uma produção intima, reveladora e instigante que provoca o nosso imaginário através da ótima utilização da palavra materializada no corpo e voz de uma grande atriz.

FICHA TÉCNICA
Texto: Dimítris Dimitriádis
Direção: Camila Bauer
Elenco Liane Venturella
Direção Sonora: Álvaro RosaCosta
Vídeo: Júlio Estevan
Fotos: Claudio Etges
Orientação de figurino: Fabiane Severo
Iluminação: Ricardo Vivian
Assessoria de Imprensa: Léo Sant´Anna
Produção: Letícia Vieira
Coordenação de Produção: Primeira Fila Produções
Realização: Projeto Gompa e Cia. Incomode-Te.



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. 


quinta-feira, 6 de maio de 2021

A ÚLTIMA NEGRA (RS) - CRÍTICA

 




COSMOVISÕES E EXISTÊNCIAS NEGRAS

| *por Diego Ferreira


Inicio minhas divagações sobre “A Última Negra” buscando refletir sobre a existência e sua relação entre teatro e negritudes. Primeiro busco pensar o teatro dentro do quadro atual em que nos encontramos e vislumbrar novas possibilidades de existência daqui em diante. A definição do verbo “existir” diz que “é ter existência real, ter presença viva, viver, ser”. Existir fala de presença viva. E PRESENÇA nas artes da cena tem um sentido amplo no que tange a uma presença real, mesmo que virtualizada como é o caso de “A Última Negra”. O mundo já não é mais o mesmo com a atual pandemia. Países de todo o planeta estão sofrendo as conseqüências desta crise, que são econômicas, sociais e também psicológicas. Foi dada uma pausa no cotidiano da humanidade e, compulsoriamente, cada indivíduo é levado a pensar sobre sua forma de existir no mundo: o trabalho, as relações, a maneira como utilizamos nossos recursos (ou a falta deles), o que se espera de fato da classe política, como gerir pessoas em vulnerabilidade social, e tantos outros desafios. São diversos problemas para serem resolvidos em um curto período de tempo e cada escolha pode determinar a vida e a morte de milhares de pessoas. No meio disso tudo, está também à classe artística, que lida há tempos com vários tipos de ataques e falta de investimentos. Na nossa sociedade, muitos partem da idéia da arte como algo supérfluo, dispensável ou até mesmo um hobby. Há, portanto, um preconceito estrutural (assim como o racismo estrutural abordado no espetáculo) em relação às artes, provavelmente atrelado à crença do valor mercadológico das profissões, no sentido de que há algumas mais importantes e "úteis" que outras. Com a pandemia, novas formas de “existência” têm sido pensadas para os artistas, não sem controvérsias e polêmicas, já que temporadas de espetáculos foram todos cancelados. Em meio a uma crise que escancara a insuficiência de políticas públicas para todos os setores da sociedade, os espetáculos teatrais, que tanto dependem do público (presença), tem estado parados.  Para alguns artistas, uma alternativa tem sido as transmissões ao vivo através de plataformas virtuais. “A última negra” consegue se apropriar da definição de “existir” perfeitamente e trabalhar com ressignificações conceituais em relação à estrutura, a forma de compartilhar narrativas e sua relação com o espectador. O Coletivo Projeto Gompa consegue criar uma experiência viva que se aproxima muito de uma experiência teatral, pois se utiliza das plataformas, mas faz o evento teatral acontecer como a divulgação, a bilheteria, pré-estréia, estréia e a fruição da produção através do youtube. É possível afirmar que a emergência de outro mundo está fazendo com que artistas literalmente se reinventem cada vez mais, e se coloquem na fronteira de uma criação híbrida e criem abismos e arestas de novas possibilidades.

    A produção cultural negra tem feito irromper novas linguagens insurgentes ao processo da padronização cultural que ainda se deixa respingar com culturas eurocentradas. Parecem surgir outros processos vitais para o diálogo entre culturas. Uma nova régua para indicar outro compasso para um humanismo além do eixo europeu. Ineditismos culturais advindos de um olhar cosmopolita e subversivo vivenciado nas redes de comunicação artística das margens contemporâneas. Muitos artistas e influenciadores digitais negros conseguiram ganhar status de celebridade e grande projeção através das redes sociais, fato que nas mídias tradicionais jamais conseguiriam “existir” ainda por causa dessa estrutura racista que perdura na sociedade.

    Isso também tem a ver com a cosmovisão africana, uma maneira subjetiva de ver e entender o mundo, principalmente as relações humanas e os papéis dos indivíduos na sociedade, assim como respostas a questões filosóficas básicas, como a finalidade da existência humana. Ou seja, seguimos falando de “existências” e de como respondemos as questões do nosso tempo. “A Última Negra” se apresenta como espetáculo virtual e se pauta na criação de uma história original, em todos os sentidos, desde o argumento até a concretização do projeto e o modo de compartilhamento e fruição. A começar pela dramaturgia de Pedro Bertoldi que nos provoca acerca de como é ser a última pessoa negra no Brasil. No texto 100 anos após o incêndio do Museu Nacional, uma arqueóloga encontra o corpo de uma mulher negra congelada. Inexplicavelmente, Dandara (entendedores entenderão a escolha deste nome) sobreviveu a mais de um século abaixo de zero grau e sua sobrevivência em um Brasil onde há muitos anos não existem vestígios de pessoas negras, faz reacender as discussões sobre o racismo institucional existente no país. É interessante essa abordagem que nos desloca para um Brasil distópico, até mesmo absurdo, para refletir sobre o racismo, evidenciando que mesmo num mundo distante ainda perduram as chagas provocadas pela estrutura racial.  A narrativa trata o preconceito racial com um humor refinado e crítico. Aponta para a ferida, sem tocar diretamente nela. Constrói fricções entre o universo real e ficcional. Propõe uma reflexão sobre o lugar do negro na sociedade contemporânea e isso é feito a partir de uma visão irônica e, algumas vezes, até cômica, como pode ser observado na cena do repórter, por exemplo, na construção de um humor ácido e crítico.

    A experiência virtual se desdobra em tempos e janelas distintos. É uma brincadeira, uma crítica aos inimigos institucionalizados, uma proposta para entender se realmente são inimigos ou se isso é fruto de uma manipulação promovida pela estrutura social.Podemos também fazer uma leitura afrofuturista que flerta com uma estética que combina elementos de memória, ficção científica e histórica, fantasia, arte africana e arte da diáspora africana, com cosmologias negras para criticar não só os dilemas atuais da estrutura racial, mas também para revisar, principalmente revisar, interrogar e reexaminar os eventos históricos do passado que aqui remete ao congelamento de uma mulher negra durante 100 anos.  

Designer gráfico: Mitti Mendonça

    A narrativa evita, conseqüentemente, elementos folclóricos clichês que o sistema estabelece. A dramaturgia não se detém nos aspectos geralmente comuns quando se trata de narrativas negras. O texto de Pedro Bertoldi desvela várias reflexões que são caras para o teatro negro brasileiro e, sem sombra de dúvida, merece ser lido, assistido, estudado e divulgado por aqueles que se dedicam aos estudos afro-brasileiros. Sem dúvida um texto que mesmo numa experiência virtual te coloca dentro da situação proposta. E lógico que exaltar o texto de Bertoldi é necessário, porém ressaltar a trilha sonora original de Álvaro RosaCosta é dizer que ela é um dos elementos que me fazer mergulhar na fruição do trabalho, pois é presente em muitos momentos, e a música funciona para dizer coisas na cena sem ser tão óbvio e colocar o espectador e sua atenção em outros lugares. Música é dramaturgia. É pausa. É signo. É existência e presença. Embora muitas vezes não seja notada pelo espectador, a trilha sonora é fator narrativo que integra a obra cênica. Assim como a direção de imagens e edição de Júlio Estevan que faz com que a experiência seja feliz e potente. Percebemos que não é apenas um teatro filmado, ou imagens captadas de qualquer modo, pelo contrário, imagens com muita qualidade que evidenciam cada personagem e seus espaços dentro da narrativa. E produzir hoje uma leitura sobre um espetáculo virtual é destacar esse profissional que geralmente num espetáculo presencial não teria tamanha importância, mas nesse caso é, tão ou mais importante como os demais profissionais do trabalho.          

    Hayline Vitória está à frente do elenco e seu trabalho é sensacional, pois a câmera revela ângulos, detalhes, expressões, pulsações que no teatro não percebemos. A relação com a câmera é diferente da relação com um espectador no teatro presencial e esse trabalho fica evidente aqui. Hayline personifica Dandara, a última negra que ficou congelada nos últimos 100 anos. Mas todo o elenco está muito bem dentro desta proposta. Álvaro RosaCosta, Fabrício Zavareze, Guilherme Ferrêra, Fabiane Severo e Henrique Gonçalves cada um no seu quadrado desenvolvem um ótimo trabalho que difere do trabalho que já conheço nos palcos e isso é bom, por se tratar de outra linguagem. Confesso que quando vi o início das divulgações e percebi que o Projeto Gompa estava produzindo um novo trabalho pautado em questões raciais e que trazia em sua equipe técnica a maioria de artistas não negros isso de certa forma me provocou, fiquei feliz por um lado e intrigado por outro. Mas depois de assistir ao trabalho, constatei a necessidade dos artistas não negros na concretização do trabalho e principalmente a presença de Silvana Rodrigues na co-direção juntamente com Camila Bauer, pois sabendo da competência e força criativa de Bauer constatada em outros trabalhos, mas que no que diz respeito a questões raciais, era necessária a presença de uma artista tão competente como a citada Bauer, mas que pode contribuir com outros olhares e com uma “vivência preta” acerca da obra que assistimos. Não é que seja proibido coletivo ou artistas não negros pautarem a negritude em suas propostas, pelo contrário, é necessário e salutar dialogar cada vez mais sobre a negritude na arte, mas deve-se cuidar para que as propostas não sejam esvaziadas de sentidos e principalmente do discurso, o que não é o caso deste projeto. Espero que não seja mal compreendido, porém é necessário refletir sobre o esvaziamento na hora de se apropriar de elementos culturalmente ligados a negritude, que já é algo complexo por si só, mas que é importante refletir sobre isso. Por se tratar de uma experiência virtual creio que a produção voltará a ser exibida e merece ser assistida pela qualidade e principalmente pela reflexão provocada pelo texto de Bertoldi.  

 Ficha Técnica:

 História original e dramaturgia: Pedro Bertoldi

Direção: Silvana Rodrigues e Camila Bauer

Elenco: Hayline Vitória, Álvaro RosaCosta, Fabrício Zavareze, Guilherme Ferrêra, Fabiane Severo, Henrique Gonçalves.

Direção de imagens e edição: Júlio Estevan

Trilha sonora original e edição de som: Álvaro RosaCosta

Orientação de figurino: Fabiane Severo e Guilherme Ferrêra

Designer gráfico: Mitti Mendonça

Fotografia e criação de teasers: Júlio Estevan

Assessoria e produção de conteúdo de mídias: Tainã Rosa

Assessoria de imprensa: Thais Silveira

Produção de vídeo: Júlio Estevan

Produção musical: Álvaro RosaCosta

Produção administrativa/cultural: Hayline Vitória

Produção executiva: Silvia Duarte

Realização: Projeto GOMPA

Financiamento: Pró Cultura RS - Lei de incentivo e Fundo, Secretaria da Cultura - Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Apoio: EntreAtos


*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão UNISINOS. 






domingo, 11 de abril de 2021

QUE PALAVR4 SERÁ?

 


NOVAS POSSIBILIDADES EM BUSCA DE UMA PRESENÇA DIGITAL

por Diego Ferreira*

"Que palavr4 será?" é o primeiro filme produzido pelo GRUPOJOGO dentro da programação do Festival Oxigênio. Digamos que é um retorno ao universo beckettiniano proposto pelo inventivo GRUPOJOGO. Se lá em 2010 assistimos ao excelente "PLAY-BECKETT: Enquanto espero, jogo" onde corpos sujeitos a espera, a degradação física, a falta de sentido lógico nas sucessões banais, a imprecisão histórica e espacial submetidos a crises paralelas do corpo e da máquina pensante da existência, incapazes de comunicar-se como o restante da humanidade. E agora neste projeto ousado de produzir um filme em meio a pandemia e usar Beckett enquanto gatilho disparador para criação da narrativa é simbólico e atual, pois as PALAVRAS disparadas pelos performes são assustadoramente atuais e condizentes com o nosso tempo. Que tempo é esse em que vivemos? Que palavra será essa? Quais caminhos e perspectivas temos para um futuro próximo?
Esse momento de isolamento social tem muito a ver com o universo beckettniano, percebemos a atualidade e a força dos textos em questão e isso espanta, especialmente quando nos deparamos com cenários como esse em que nos encontramos agora: medo, aprisionamento, tensões,fim do mundo, isolamento. E sabemos que tem muito mais coisas a acontecer. Ainda não sabemos quando a pandemia vai acabar e com isso o retorno aos teatros e consequentemente a volta da arte da presença. Mas impossível assistir ao filme e dizer que ali não há presença. Existe presença e potencialidades. O que a pandemia trouxe consigo foi acalentar e refletir sobre as possibilidades de um teatro feito na e para as redes sociais. E em Porto Alegre tem artistas e coletivos que aproveitaram essa tecnologia a seu favor, e o GRUPOJOGO é um deles, talvez um dos poucos que tem obtido sucesso e produções muito bem resolvidas dentro dessas novas possibilidades, por dois motivos: por ser um dos grupos mais antenados, inventivos e com propostas ousadas em praticamente todas suas produções e por entender e aprimorar os mecanismos de produção desta arte digital. Nas produções que tenho acompanhado do GRUPOJOGO na internet não existe apenas um ator e uma camera feito de qualquer modo, o que existe é uma preocupação com todo o material que é entregue ao "tele-espectador". Um dos bons exemplos foi a adaptação do espetáculo "Deus é um DJ" para as redes e agora esse fime "Que palavr4 será?". O filme perspassa questões que englobam arte digital, ciberespaço, telepresença e virtualidade, além de uma narrativa que desvela diferentes camadas para refletir sobre a humanidade ou a falta dela, através de um dispositivo  que combina simultaneidade, profusão de imagens e que em muitas vezes me remeteu a estética de sérias pós-apocalipcticas como "Black Mirror". 
Estética e qualidade de toda a equipe deste filme, desde a presença do elenco, a direção e captação de imagens e trilha sonora que nos catapulta para o tempo/espaço atemporal, mas atual do projeto. Profusão de imagens, e ótimas imagens, elenco bem preparado, vivo e transbordando presença, mesmo que virtual, mas existe uma vida ali naqueles corpos, naquelas bocas que produzem uma enxurrada de palavras, naqueles olhos que através deles conseguimos enxergar a humanidade que muitas vezes está desacreditada, como numa das frases ditas por uma das vozes: "não somos mais nós mesmas, somos qualquer um"
 Já disse outras vezes e volto a dizer que o GRUPOJOGO é um dos coletivos mais inventivos do estado e sempre nos surpreende com suas pesquisas e propostas estéticas. 

QUE PALAVR4 SERÁ
Inspirado nas obras de Samuel Beckett
HOJE ÀS 20 HORAS
no canal @grupojogo no Youtube (link na bio)
QUE PALAVR4 SERÁ?
ELENCO: @ninaalves.cabral , @cristine_patane @juliaamoreira e @pebspoa
Sinopse: A humanidade será descartada, assim como seus pensamentos e suas memórias, nada vai restar, isso é um fato. Procuramos apenas um adjetivo para conceitualizar o momento que estamos vivendo.
Direção @alexandredill e @@gabrielrpontes
Direção de fotografia/ desenho de som/ Iluminação e mixagem: @riquelstrieder
Montagem/ efeitos visuais e coordenação de pós produção: @gabrielrpontes
Direção de arte e Trilha Sonora Pesquisada @alexandredill
Preparação de elenco: @@guilhermeconrad
Produção: GRUPOJOGO
Trabalho de conclusão da oficina de Criação e Montagem do @grupojogo 2/2020

*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin. Professor da escola Espaço do Ator e da UNISINOS.