terça-feira, 26 de abril de 2022

O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO - NOSSO RICARDO III - CRÍTICA

 



VISÃO ALEGÓRICA DE ACORDO COM O NOSSO TEMPO

                                                     Por Diego Ferreira*


“O inverno do nosso descontentamento – nosso Ricardo III” é uma visão atual e particular da tragédia Ricardo III do Shakespeare, e não apenas uma visão, mas afirmo que trata-se de uma reinvenção iluminada da obra do bardo. Creio que não existe momento melhor para trazer a tona o contexto contido na obra. No Brasil atual vivemos um momento de muito descontentamento no que tange a política e obvio que isso reflete em todos os campos da sociedade. Vivemos em tempos de guerras, de autoritarismo, de tiranos que fazem o que for necessário para chegar ao poder e manter-se por lá, independente do que for necessário fazer, inclusive a tentativa de acabar com a democracia. E essa visão da Cia Teatro ao Quadrado juntamente com a presença de Luciano Alabarse, de certo modo expressa todo o nosso descontentamento parafraseando o título do espetáculo.  Ricardo III é o primeiro protagonista de Shakespeare a alcançar um status icônico e viver, por assim dizer, por direito próprio; ele domina a própria peça em sua ascensão implacável ao poder, lembrando muito um genocida autoritário tupiniquim, e esse gancho foi extremamente articulado na montagem, tanto é que tem cenas hilárias (riso de nervoso) que trazem a figura deste inominável.

Marcelo Adams é um ator-supremo, um camaleão que se transforma de acordo com a platéia a que se dirige. Já tive o prazer de vê-lo em outras tantas interpretações memoráveis como “Édipo” e também no espetáculo “Os homens do triângulo cor de rosa” que na minha opinião tinha sido talvez o melhor trabalho de atuação que assisti do Marcelo e um dos melhores trabalhos do grupo, quiçá um dos melhores espetáculos do nosso teatro, mas que bom que os anos passam, e a maturidade chega ( e entenda maturidade tanto de vida quanto profissional) e eis que mais uma vez o ator nos arrebata com um tour de force que impressiona do inicio ao fim do espetáculo. Assim como a imagem de Hamlet com a caveira é icônica, Ricardo III é marcado pela deformidade física; sua vilania se traduz também em seu corpo. E é justamente esse corpo que é a tônica da produção. Um corpo moldado ali, na frente do espectador, assim como o oleiro molda o barro, e talvez seja essa a metáfora que melhor qualifica o trabalho de Marcelo e Margarida nessa produção, ou seja, esse corpo/barro, moldado pelas mãos do oleiro/Alabarse que ao longo da produção vai se construindo e esvaindo no tempo/espaço mas impregnando a nossa compreensão através da narrativa posta em cena. Marcelo Ádams no papel título está deslumbrante em sua composição e a forma ética que constrói o seu trabalho é impressionante, mas impossível não se curvar ao trabalho de Margarina Leoni Peixoto que pauta o seu trabalho na criação de figuras que orbitam o universo construído por Ádams, que muitas vezes nem falas ou texto tem, porém a sua presença é de uma energia magnetizante que bastam para preencher todos os espaços possíveis do palco. A interpretação de Margarida é tão marcante e tão meticulosa que em muitos momentos ela rouba o foco com sua presença silenciosa porém poderosa, com suas construções hilárias e tocantes como a figura da criança. 

O texto Shakespeareano está lá em toda sua glória, começando com “Este é o inverno de nosso descontentamento”, assim como “Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!”, perfeitamente dentro de contexto, apesar da existência de um espaço inóspito cheio de macas e restos de hospitais, palanques e cavalos, sim cavalos de brinquedo, muitos cavalos. Assim como a dramaturgia, o cenário nos coloca num lugar de deformidades, de pedaços, de fragmentos que denunciam toda uma doença que a humanidade está inserida e clamando por cura e esse olhar cirúrgico dos criadores do espetáculo nos mostram que através da arte, principalmente uma arte política, seja o principal caminho para uma cura coletiva e não somente isso, mas a abertura de um diálogo que retome o caminho no fortalecimento da democracia. Uma encenação que nos oferece uma visão alegórica de acordo com o nosso tempo sobre a ascenção e queda da tirania ao poder. A ascenção já assistimos e vimos no que deu, agora estamos aguardando a queda do genocida tupiniquim e ela está próxima. 


FICHA TÉCNICA: Encenação: LUCIANO ALABARSE Atuação: MARCELO ÁDAMS e MARGARIDA PEIXOTO Dramaturgia: LUCIANO ALABARSE, MARCELO ÁDAMS e MARGARIDA PEIXOTO, a partir de A tragédia do rei Ricardo III, de William Shakespeare Produção executiva: JAQUES MACHADO E LINCOLN CAMARGO Figurinos: ANTONIO RABÀDAN Cenografia: LUCIANO ALABARSE Iluminação: MAURÍCIO MOURA e JOÃO FRAGA Trilha sonora pesquisada: MARCELO ÁDAMS e LUCIANO ALABARSE Operação de sonoplastia: LUIZ MANOEL Produção: CIA TEATRO AO QUADRADO e LUCIANO ALABARSE Identidade visual: DÍDI JUCÁ Costureira: MARIA JOSÉ LEONI Divulgação: AGÊNCIA CIGANA Fotografias: ALISSON PHERNANDES Realização: CIA TEATRO AO QUADRADO 20 ANOS


*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do RS. Editor do blog Olhares da Cena. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Vencedor do Prêmio Açorianos de Teatro 2021 na categoria Ação Periférica.  indicado em três categorias no Prêmio Açorianos 2021.


 




terça-feira, 5 de abril de 2022

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O 12º PRÊMIO OLHARES DA CENA - 2022


 

Prezado Produtor


Em 2022 o Prêmio Olhares de Cena chega a sua 12º edição e para marcar esta data estamos organizando mais uma edição para contemplar os profissionais das artes cênicas do estado. Diante disso, caro produtor, te convidamos a participar deste momento de retomada juntamente conosco.
Para que possamos assistir ao seu espetáculo solicitamos que preencha o formulário online, com antecedência e tempo hábil para que possamos assistir seu trabalho.
Como não temos nenhum tipo de apoio, solicitamos a produção 5 (cinco) cortesias para que os avaliadores possam assistir ao seu espetáculo.
Qualquer dúvida nos contate premioolharesdacena@gmail.com


REGULAMENTO

As Categorias e Critérios

1. O Prêmio Olhares da Cena é destinado aos profissionais de Teatro e Dança do estado que tenham realizado temporada em Porto Alegre entre 1º de abril e 15 de dezembro de 2022. Podem concorrer espetáculos de Dança, Teatro Adulto e Infanto - Juvenil, realizados na rua, teatros ou espaços alternativos, assim como performance, musicais e espetáculos híbridos que contemplem as diversas linguagens cênicas, assim como espetáculos resultantes de cursos de formação. E a novidade é a manutenção da categoria TEATRO DIGITAL, que em função do pandemia decidimos manter para os trabalhos produzidos nesse período. Para a categoria TEATRO DIGITAL os trabalhos serão avaliados através do link do espetáculo encaminhado aos jurados.
2. Na impossibilidade de o júri assistir a todos os espetáculos da temporada, seus integrantes terão autonomia para definir critérios com o objetivo de avaliar o maior número possível de produções.
3. O número mínimo de apresentações para que o espetáculo seja elegível aos prêmios é de 03 apresentações.
4. A divulgação do resultado será realizada no início do ano seguinte à temporada em questão.

5. São 15 categorias:

A – PROJETO ESPECIAL
B - MAQUIAGEM
C – DESIGN GRÁFICO/IDENTIDADE VISUAL
D – FOTOGRAFIA DE CENA
E – TRILHA SONORA
F – ILUMINAÇÃO
G - CENÁRIO
H - FIGURINO
I - ATRIZ COADJUVANTE
J – ATOR COADJUVANTE
K – ATRIZ / BAILARINA
L – ATOR / BAILARINO
M – DRAMATURGIA
N – DIREÇÃO
O - ESPETÁCULO

6. Os autores concorrem com dramaturgia autoral ou adaptação.

7. Além das categorias, o Prêmio Olhares da Cena de Teatro, a cada ano fará uma Homenagem Especial a uma personalidade da área teatral.

As Indicações

8. A comissão indicará no máximo cinco concorrentes em cada categoria. O vencedor será escolhido, portanto, entre os indicados.

A Comissão Julgadora / Escolha

9. A comissão julgadora - será composta de no mínimo, três pessoas, convidadas pelo Olhares da Cena entre artistas, personalidades ligadas ao teatro e ao mundo cultural, críticos, etc
Parágrafo 1 - É vedado a qualquer membro da comissão votar e ser premiado em qualquer categoria de espetáculo do qual tenha participado.

Porto Alegre, Março de 2022.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

VENCEDORES DO 11º OLHARES DA CENA - Edição 2020/2021

 


TEATRO ADULTO

 

HOMENAGEM

Claudio Etges

PROJETO ESPECIAL

MOSTRA CURA DE ARTES CENICAS NEGRAS DE PORTO ALEGRE

INOVAÇÃO DIGITAL

GRUPOJOGO de Experimentação Cênica

TRILHA SONORA

Vitório O. Azevedo – HIPERGAIVOTA

ILUMINAÇÃO

Casemiro Azevedo – MANUAL PARA NÁUFRAGOS

FIGURINO

Gustavo Diestmann - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

ATRIZ / PERFORMER

Hayline Vitória – A ÚLTIMA NEGRA

ATOR / PERFORMER

Paulo Flores – QUASE CORPOS – EPISÓDIO I: A ÚLTIMA GRAVAÇÃO

DRAMATURGIA

Ana Luiza da Silva e Jezebel De Carli, colaboração: Vika Schabbach – TERRA ADORADA

DIREÇÃO

Tainah Dadda - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

ESPETÁCULO POP 

A ÚLTIMA NEGRA

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

MANUAL PARA NÁUFRAGOS

 

TEATRO INFANTO-JUVENIL

 

PROJETO ESPECIAL

JU e JU EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

TRILHA SONORA

Márcio Petracco, Pedro Rocha Petracco e Francisco Harzheim Petracco – SR. ESQUISITO

FIGURINO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

 ILUMINAÇÃO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

ATRIZ

Pam Magalhães – ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

ATOR

Phill - PAPO DE CRIANÇA

DRAMATURGIA

Viviane Juguero e Jorge Rein - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

 DIREÇÃO

Arlete Cunha, Evandro Soldatelli e Rodrigo Vrech - SR. ESQUISITO

ESPETÁCULO POP

ZULEKA E O TESOURO DO PIRATA CARECA

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

PAPO DE CRIANÇA

 

 

DANÇA

 

INOVAÇÃO DIGITAL

ENTRE

TRILHA SONORA

Thiago Ramil - VERNIX

FIGURINO

Luiz Augusto Lacerda - O FEMININO SAGRADO

ILUMINAÇÃO

Voltaire Barbieri – ASPECTO IN

BAILARINA/ PERFORMER

Rita Rosa Lende – PEÇA

BAILARINO / PERFORMER

Guilherme Gonçalves – ASPECTO IN

DIREÇÃO

Renata de Lélis - VERNIX

ESPETÁCULO POP 

A CASA VAZIA

ESPETÁCULO/ VÍDEO-DANÇA/PERFORMANCE e AFINS

VERNIX

 

 


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

INDICAÇÕES AO 11º PRÊMIO OLHARES DA CENA - EDIÇÃO VIRTUAL

 

2020/2021 não foram anos para comemorações em função da pandemia da Covid-19, e por todo o caos político que nosso país vive. Por outro lado seria injusto não celebrar a importância dos espetáculos realizados nos dois anos de reclusão e iniciativas daqueles que bravamente enfrentaram outras linguagens para oferecer ao público o que se convencionou chamar de teatro virtual. O “Olhares da Cena” acredita que dessa forma conseguiu enaltecer os esforços para celebrar o teatro que se reinventou, se provou e cresceu. Mas sem esquecer-se de refletir os anos tão duro que foi de luta para artistas e técnicos.

Os vencedores serão divulgados através nas redes sociais do Olhares da Cena @olharesdacena no dia 11 de fevereiro.  

INDICAÇÕES 11º PRÊMIO OLHARES DA CENA

TEATRO ADULTO

PROJETO ESPECIAL

PAPO DE CENA – GRUPOJOGO de Experimentação Cênica

EDIFÍCIO CRISTAL – Cia. INCOMODE-TE

MOSTRA CURA DE ARTES CENICAS NEGRAS DE PORTO ALEGRE

IMOBILHADOS NA QUARENTENA

MOSTRA UMBÚ DE ARTES

INOVAÇÃO DIGITAL

GRUPOJOGO de Experimentação Cênica

HIPERGAIVOTA – Coletivo Errática

MACUMBA VIRTUAL

MANUAL PARA NÁUFRAGOS

1964 EM HQ de Chico Machado

TRILHA SONORA

Poejo – VOZ PARA CUMANÁ

Angelo Primon – EDIFICIO CRISTAL e CLASSE CORDIAL

Álvaro RosaCosta – A ÚLTIMA NEGRA e A VÓ DA MENINA

Vitório O. Azevedo – HIPERGAIVOTA

João Pedro Cé e Vini Silva - CORPOS DITOS

Richard Serraria – PÁGINAS AMARELAS – VIDA E OBRA DE CAROLINA MARIA DE JESUS

ILUMINAÇÃO

Casemiro Azevedo – MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Ricardo Vivian – DERROTA

Ricardo Vivian – EDIFICIO CRISTAL

Henrique Strieder – QUE PALAVR4 SERÁ?

Nara Maia – PALÁCIO DO FIM

FIGURINO

Gustavo Diestmann – HIPERGAIVOTA

Gustavo Diestmann - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Liane Venturella e Carlos Ramiro Fensterseifer – PALÁCIO DO FIM

Margarida Rache – VAI PASSAR

Cia. Espaço em Branco – TOCAR PARAÍSO

ATRIZ / PERFORMER

Ana Luiza da Silva – TERRA ADORADA

Deborah Finocchiaro – CLASSE CORDIAL

Liane Venturella – DERROTA

Jezebel de Carli – HIPERGAIVOTA

Hayline Vitória – A ÚLTIMA NEGRA

Valéria Barcellos – ENSAIO SOBRE A CEBOLA

ATOR / PERFORMER

Gustavo Diestmann – HIPERGAIVOTA

Eduardo D’ávila - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Bruno Cardoso - CORPOS DITOS

Luciano Mallman – ÍCARO

Paulo Flores – QUASE CORPOS – EPISÓDIO I: A ÚLTIMA GRAVAÇÃO

DRAMATURGIA

Nicolas Beidacki - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Carlos Ramiro, Liane Venturella, Nelson Diniz – EDIFICIO CRISTAL

Thiago Silva – CLASSE CORDIAL

Clóvis Massa e Gabriel Fontoura – VOZ PARA CUMANÁ

Pedro Bertoldi – A ÚLTIMA NEGRA

Ana Luiza da Silva e Jezebel De Carli, colaboração: Vika Schabbach – TERRA ADORADA

DIREÇÃO

Tainah Dadda - MANUAL PARA NÁUFRAGOS

Francisco Gick – HIPERGAIVOTA

Camila Bauer e Silvana Rodrigues – A ÚLTIMA NEGRA

Alexandre Dill e Gabriel Pontes - QUE PALAVR4 SERÁ?

Bruno Fernandes e Silvana Rodrigues - CORPOS DITOS

ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

MANUAL PARA NÁUFRAGOS

HIPERGAIVOTA

A ÚLTIMA NEGRA

CORPOS DITOS

ÍCARO

INVISIVEIS – HISTÓRIAS PARA ACORDAR

 

TEATRO INFANTO-JUVENIL


PROJETO ESPECIAL

JU e JU EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

PAPO DE CRIANÇA

 

TRILHA SONORA

Viviane Juguero – PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

Luiz Manoel Oliveira - PAPO DE CRIANÇA

Márcio Petracco, Pedro Rocha Petracco e Francisco Harzheim Petracco – SR. ESQUISITO

Gustavo Finkler e Renata Mattar – XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

FIGURINO

Ligia Rigo – SR. ESQUISITO

Éder Rosa - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

 

ILUMINAÇÃO

Nara Maia – SR. ESQUISITO

Cia Gente Falante - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Fabi Santos - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

ATRIZ

Pam Magalhães – ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Arlete Cunha – SR. ESQUISITO

Juliana Johann – JU E JU EM TEMPOS DE ISOLAMENTO

Cíntia Ferrer - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

Bruna Casali - PAPO DE CRIANÇA

 

ATOR

Rodrigo Reis - ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Evandro Soldatelli – SR. ESQUISITO

Paulo Martins Fontes - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Phill - PAPO DE CRIANÇA

Juliano Camargo Felix – JU E JU EM TEMPOS DE PANDEMIA

DRAMATURGIA

Laboratório – Escola de Arte Popular - ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Viviane Juguero e Jorge Rein - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

Ana de David, Danuta Zaghetto e Maurício Schneider – PAPO DE CRIANÇA

Paulo Martins Fontes - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Arlete Cunha, Evandro Soldatelli e Rodrigo Vrech -  SR. ESQUISITO

 

DIREÇÃO

Bruno Flores Prandini - ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

Ana de David, Danuta Zaghetto e Maurício Schneider – PAPO DE CRIANÇA

Arlete Cunha, Evandro Soldatelli e Rodrigo Vrech - SR. ESQUISITO

Liane Venturella - XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

Izabel Cristina e Viviane Juguero - PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA


ESPETÁCULO / VÍDEO – TEATRO e afins

ZULEKA, E O TESOURO DO PIRATA CARECA

SR. ESQUISITO

XIRÊ DAS ÁGUAS – ORAYEYÊ ÔH

PETECA PIÃO E PIQUE PESSOA

PAPO DE CRIANÇA

 

 

DANÇA


INOVAÇÃO DIGITAL

VERNIX

O QUE HÁ EM NÓS

ENTRE


TRILHA SONORA

Maestro Marco Farias – O FEMININO SAGRADO

Thiago Ramil - VERNIX

Giovani Capeletti e Diego Zarcon – A CASA VAZIA

Eduardo Xavier – ASPECTO IN

Vini Fontoura - ENTRE


FIGURINO

Luiz Augusto Lacerda - O FEMININO SAGRADO

Graziela Silveira – A CASA VAZIA

Guilherme Gonçalves - ASPECTO IN

Tatiana Goldenberg – PELAS MÃOS

Pequenice – Arte e Educação - ENTRE


ILUMINAÇÃO

Carol Zimmer – PEÇA

Felipe Farinha – DIÁLOGOS ENTRE CORPOS E RODAS

Leandro Gass – TRANSLÚCIDO

Voltaire Barbieri – ASPECTO IN

Voltaire Barbieri - PELAS MÃOS


BAILARINA/ PERFORMER

Rita Rosa Lende – PEÇA

Fernanda Bertoncello Boff – ENTRE

Marilice Bastos – TRANSLÚCIDO

Ana Guasque – ESGOTAMENTO ESGOTADO ESGOTO

Graziela Silveira – A CASA VAZIA


BAILARINO / PERFORMER

Rodolfo Rucheinsky – VERNIX

Daniel Cavalheiro – PELAS MÃOS

Felipe Óladálé – VERNIX

Gabriel Martins – ENTRE

Guilherme Gonçalves – ASPECTO IN


DIREÇÃO

Iara Deodoro - O FEMININO SAGRADO

Fernanda Bertoncello Boff – O QUE HÁ EM NÓS e ENTRE

Renata de Lélis - VERNIX

Carol Martins – ASPECTO IN

Wagner Ferraz – PELAS MÃOS

 

ESPETÁCULO/ VÍDEO-DANÇA/PERFORMANCE e AFINS

O FEMININO SAGRADO

PEÇA

VERNIX

ENTRE

A CASA VAZIA

ASPECTO IN

PELAS MÃOS



O "Olhares da Cena" é editado por Diego Ferreira: Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Foi indicado no Prêmio Açorianos 2021 em 3 categorias: Olhares da Cena na categoria Ação Formativa e o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS" nas categorias Ação Formativa e Ação Periférica. E venceu o Açorianos na categoria Açao Periférica com o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS. 


domingo, 28 de novembro de 2021

HIPERGAIVOTA -- MOSTRA UMBÚ DE ARTES

 


SUSPENSÃO DO COTIANO ATRAVÉS DE VIVÊNCIA INTERATIVA

por Diego Ferreira – Especial Mostra Umbú de Artes*

HIPERGAIVOTA é uma experiência digital, um desdobramento do espetáculo “Dispositivo Gaivota” do Coletivo Errática. Trata-se de uma plataforma que o espectador vai explorando através dos seus próprios gestos e cliques, e que dentro da Mostra Umbú de Artes o olhar do espectador foi guiado por um integrante do grupo que ia escolhendo em qual das janelas nós íamos olhar, adentrar e experimentar. “Hipergaivota” é uma das melhores experiências artísticas dos últimos tempos pela inventividade, inovação e por permitir ao navegador desbravar outras searas, através de uma vivência interativa e criativa.

Uma peça de teatro desse tempo, para esse tempo, diz o texto de abertura, e de fato se configura dessa forma. Um experimento sobre o tempo. Sobre o espaço, mesmo questionando que espaços são estes, espaços fugazes e efêmeros. Nossos dedos passeiam nervosos por salas, e cada clique abre-se uma nova possibilidade estética, uma nova visão de um pequeno mundo que se agiganta diante de nós. Fragmentos de textos, imagens, performances, sons e uma infinidade de possibilidades de juntar partes de um grande quebra-cabeça emotivo, afetivo e sensorial. O nosso papel enquanto espectador é ir entrando nas salas, absorvendo e sentindo cada proposta, brincar, se divertir e a partir daí se colocar também no jogo, enquanto peça fundamental. Diante de todas as incertezas que vivemos no mundo diante de uma pandemia, quando não sabemos do dia de amanhã, ainda surgem projetos e propostas artísticas que te tiram do eixo, que provocam uma suspensão no seu cotidiano. “Hipergaivota” é um mergulho para dentro, pois enquanto se volta para os dramas e tensões das personagens do universo de Tchekhov, também são desvelados o universo e estrutura dos performes, fragmentos de um cotidiano em suspensão, frestas de banheiros, quartos, salas e quintais, travessias que me reportam de Porto Alegre até Boston, tudo sob um olhar que coloca em evidencia a máquina do fazer artístico, a nova possibilidade de criação a partir do estar dentro, do estar apartado de um todo, do seu coletivo, de sua tribo, mas mesmo assim existe vida, existe criação e existe reverberação potente do lado de cá.

“Hipergaivota” é uma grande possibilidade de composições a partir das cenas e dos dispositivos e das ligações que o espectador vai construindo com partes ou com o todo. Impossível tecer qualquer comentário estilístico ou de atuação quando o projeto requer apenas EXPERIÊNCIA. Sim, uma experiência viva pautada pela usina criativa e virtualizada que é essa “Hipergaivota”. E a exibição dentro da Mostra Umbú terminou com uma performance que brincava com um jogo de composição através de palavras que teve participação dos atores do coletivo de da platéia. UMA EXPERIENCIA VIVA, e que me fez ter o gostinho de voltar ao modo presencial que ainda não tinha experimentado nesse período pandêmico.

Parabéns ao Coletivo Errativa que juntamente com o Grupojogo não somente agora, mas a algum tempo tem ventilado as artes cênicas do estado com propostas inventivas e inovadoras mas sem desconectar do humano, e por isso são projetos universais.      

Ficha técnica

Direção e Concepção: Francisco Gick

Dramaturgia e Código: Francisco Gick a partir de “A Gaivota” de Anton Tchekhov

Adaptação: Coletivo Errática

Elenco: Claudio Loimil, Jezebel De Carli, João Pedro DeCarli, Guega Peixoto, Luan Silveira, Gustavo Dienstmann, Mani Torres e Nina Picoli

Trilha Sonora: Vitório O. Azevedo

Figurino: Gustavo Dienstmann

Concepção e Criação de plataforma: Francisco Gick

Duração: 60 min

Recomendação etária: 18 anos


*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Foi indicado no Prêmio Açorianos 2021 em 3 categorias: Olhares da Cena na categoria Ação Formativa e o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS" nas categorias Ação Formativa e Ação Periférica.

 

CLASSE CORDIAL - MOSTRA UMBÚ DE ARTES

 

O IMAGINÁRIO DA LOUCURA EM CLASSE CORDIAL

 

Por Diego Ferreira - Especial MOSTRA UMBU DAS ARTES*

 

"Classe Cordial" é um projeto hibrido que mistura teatro, vídeo e performance. O projeto faz uma abordagem sobre exclusão, loucura e reformas antimaniconiais que se projeta no tempo/espaço através do poético e performático numa perspectiva do imaginário social, mobilizando questões que através do texto e poesia da dramaturgia de Thiago Silva e da presença da Deborah Finocchiaro multiplica essas vozes que falam de opressão, de encarceramento, exclusão, e de privações de direitos humanos.  Um corpo no espaço. Uma atriz. Uma tela. Uma janela. Um corpo no espaço que provoca tensões através do silenciamento. Um corpo no espaço habitado por vozes, palavras e sons. Som e presença. Som e poesia. Poesia sonora primorosa de Ângelo Primon que preenche as arestas e cava espaços nessa narrativa de clausura. A dramaturgia de Thiago Silva ganha vida através de uma leitura visceral realizada pela Deborah Finocchiaro, as palavras de Thiago ganham peso e sentido através desse experimento dirigido pelo jovem e experiente Jardel Rocha que nesse trabalho transborda criatividade e o que vemos é uma segurança criativa e inventiva num terreno que talvez não seja o dele que é essa arte digital que dialoga com a performance, o teatro, o cinema, mas que ele triunfa. O texto é poético, político, é denuncia, é história, é dramaturgia necessária justamente nesse tempo de clausura que vivemos. Um texto profundo e aprofundado que traz a luz temas que muitas vezes as pessoas querem esquecer. 

Taí mais um projeto pandêmico que consegue se sobressair no meio de tantos projetos que não conseguiram se adaptar a essa nova realidade do fazer artístico. Uma parceria de sucesso entre as duas companhias Nômade: Teatro e Pesquisa Cênica e Companhia de Solos & Bem Acompanhados

 

 

 

FICHA TÉCNICA Ideia Original e Dramaturgia: Thiago Silva Concepção de Encenação e Direção: Jardel Rocha Atuação: Deborah Finocchiaro Trilha Sonora Original: Angelo Primon Iluminação: Everton Wilbert Vieira Figurinos: Deborah Finocchiaro e Jardel Rocha Chapéu : Rosina Duarte Assessoria de pesquisa: Gabriela Touguinha Tradução para libras: Celina Nair Xavier Neta Edição e finalização: Jardel Rocha Produção do projeto: Jardel Rocha Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten Parceria cultural: Nômade: Teatro e Pesquisa Cênica e Companhia de Solos & Bem Acompanhados Apoio: Fundação Ecarta, FM Cultura - 107.7 e Rádio Univates FM 95.1 Projeto executado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas realizado com recursos da Lei Aldir Blanc n° 14.017/20.




*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Foi indicado no Prêmio Açorianos 2021 em 3 categorias: Olhares da Cena na categoria Ação Formativa e o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS" nas categorias Ação Formativa e Ação Periférica.



sábado, 27 de novembro de 2021

A MULHER ARRASTADA - MOSTRA UMBÚ

 




Por Diego Ferreira - Especial MOSTRA UMBU DAS ARTES*

“A Mulher Arrastada” foi o espetáculo de abertura da Mostra Umbú das Artes que nasce com o propósito de reunir diversos trabalhos realizados durante a pandemia por artistas e coletivos teatrais, em diversos outros formatos que não o teatro em sua essência. Nascidos mutantes, são trabalhos que se equilibram na corda bamba dos “entres”: ora investigando sua relação com o cinema, ora desbravando o meio virtual como possibilidades de novas linguagens artísticas. Expressões das artes cênicas que, através de diferentes ferramentas, encontram a sala de cinema como janela de contato com o seu público, de forma segura e presencial.

Assistir “A Mulher Arrastada” na telona foi uma experiência arrebatadora. Pude experimentar o espetáculo de modo presencial, online e agora no cinema. Penso que o trabalho funciona e emociona em qualquer plataforma que se utilizar pelo material humano que a narrativa convoca o espectador a comungar. A experiência na telona agiganta ainda mais esse manifesto que evoca o episódio ocorrido no Rio de Janeiro,  uma ode contra o apagamento da memória de Cláudia da Silva Ferreira, mulher, negra, pobre, mãe que foi brutalmente assassinada e arrastada pela PM/RJ. 

A escrita de Diones Camargo me toca de uma forma intensa, justamente por criar narrativas que evoquem vozes que cada vez mais precisam ser exaltadas, vozes como esta ecoem e não sejam caladas, busquem o seu lugar de fala, buscando por si só o lugar de protagonismo sem a necessidade de mediação de terceiros. “A mulher arrastada” é um texto que a começar pela estrutura, eclode o drama assim como ocorre em autores pós-modernos, colocando em cena monólogos e vozes.

O texto é permeado de memórias fragmentárias e inconstantes, ficção e realidade andam juntas, também a dimensão do tempo está desconstruída: não há noção de passado e presente, separação de eu e outro; em caráter de hibridismo (o texto é um poema dramático, narrativo, concreto, e extremamente político, uma peça manifesto); um novo estado de expressão e percepção em uma escrita que é distante da estrutura tradicional de enredo. A fragmentação do sujeito contemporâneo é alcançada esteticamente com a utilização de recursos como as figuras do HOMEM/POLICIAL que tem a função de situar os passos de Cláudia, a utilização de uma narrativa não linear, não especificação das personagens e do cenário, distorção do senso de realidade e de tempo. 
A interpretação irretocável de Celina Alcântara que é simplesmente arrasadora, meticulosa e espetacular. Na tela grande Celina alcança uma força ainda maior nas vezes em que o close está focado em seu rosto. Impossível assistir a performance de Celina e não ser tocado, não ser perturbado pela força com que representa a personagem. Pedro Nambuco está no mesmo patamar de Celina e me assombra apenas através de sua presença, pois representa a força e a truculência policial branca, representa toda a bestialidade dos militares que tomam conta do poder e do estado. Nambuco representa um personagem que me dá asco, de certa forma, desde suas palavras iniciais, durante a violência que trata a mulher arrastada e até mesmo quando não tem falas, nem tampouco está em cena, mas apenas pelo fato de percebermos sua presença rondando o espaço como um lobo faminto. A dupla de atores está de parabéns pelo excelente trabalho. Assim como a direção de Adriane Mottola, que soube concatenar todos os elementos da encenação, partindo do texto de Diones, e explorando o melhor dos atores. Direção primorosa que parte de elementos simples para chegar num trabalho arrojado. 
Impossível não citar a iluminação funcional de Ricardo Vivian, que além de iluminar o espaço da cena onde os atores atuam, cria uma luz perfeita que dá conta de todo espaço, desde a entrada até atrás das arquibancadas criando um ambiente muitas vezes sufocantes, como a trilha sonora de Felipe Zancanaro que se faz presente em grande parte da cena, de forma sutil, operada ao vivo, uma experiência sonora que auxilia muito na construção emotiva do filme-espetáculo. 
Sigamos clamando: Claudia da Silva Ferreira, presente!

 


FICHA TÉCNICA


Direção: Adriane Mottola Texto:Diones Camargo Elenco:Celina Alcântara e Pedro Nambuco Iluminação:Ricardo Vivian Trilha Sonora:Felipe Zancanaro 



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002. Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. Foi indicado no Prêmio Açorianos 2021 em 3 categorias: Olhares da Cena na categoria Ação Formativa e o projeto "Três tempos para a dramaturgia negra no RS" nas categorias Ação Formativa e Ação Periférica.