domingo, 27 de junho de 2021

DERROTA (RS)

 

DIMENSÕES ÍNTIMAS E SUBJETIVAS NO CENTRO DA NARRATIVA

por Diego Ferreira*

A peça-filme “Derrota” a partir do texto de Dimítris Dimitriádis evidencia aspectos subjetivos no embate das contradições humanas. Parte de um universo minimalista para dialogar com questões macro, principalmente neste momento que vivemos. E esta obra e texto serem trazidos a tona neste momento é um dos grandes méritos do projeto, principalmente por evocar dimensões íntimas e subjetivas colocando a palavra no centro da narrativa. A palavra enquanto possibilidade de comunicação, extremamente elaborada e materializada através do corpo e voz de Liane Venturella, o que produz no espectador uma espécie de catarse, como se fossemos voyeur da intimidade daquela mulher. Penetramos em “Derrota” através do mundo das palavras, e através delas empreendemos a própria metamorfose da narrativa. Através da palavra dita e internalizada, construímos e reconstruímos o universo daquela mulher que sozinha em seu quarto fuma e divaga sobre suas derrotas, desejos, perdas e sonhos e isso tudo nos conecta nos provocando a criar outras dimensões sobre limites e fronteiras psíquicas e emocionais que estamos sujeitos em nosso cotidiano. E se esse cotidiano for o Brasil atual essas palavras criam outras dimensões que potencializam o discurso do texto, pois parte da materialidade do texto de Dimítris para aprofundar temas que hoje no Brasil são extremamente caros a todos nós como o caos político e sanitário. É o momento perfeito para dar uma pausa e refletir sobre nossas precariedades. Esse diálogo é necessário, é salutar, é urgente, até mesmo como uma válvula de escape, uma fuga frente ao caos.

“Derrota” é uma parceria do Coletivo Gompa e Cia Incomode-te e evidência o notável trabalho de Liane Venturella como grande atriz que é, tendo como possibilidade de criação a sua presença e toda sua capacidade de articulação através de pausas, silêncios e uma apropriação do texto que a primeira vista parece simples, mas a simplicidade nem sempre é algo fácil de acessar, e aqui sua atuação neste experimento é magistral. Assim como o trabalho de Camila Bauer que a cada trabalho se reinventa enquanto encenadora, seja na linguagem, poética ou estética, mas sempre inovando e trazendo o novo para os palcos, ou para a tela como é neste experimento. Uma produção intima, reveladora e instigante que provoca o nosso imaginário através da ótima utilização da palavra materializada no corpo e voz de uma grande atriz.

FICHA TÉCNICA
Texto: Dimítris Dimitriádis
Direção: Camila Bauer
Elenco Liane Venturella
Direção Sonora: Álvaro RosaCosta
Vídeo: Júlio Estevan
Fotos: Claudio Etges
Orientação de figurino: Fabiane Severo
Iluminação: Ricardo Vivian
Assessoria de Imprensa: Léo Sant´Anna
Produção: Letícia Vieira
Coordenação de Produção: Primeira Fila Produções
Realização: Projeto Gompa e Cia. Incomode-Te.



*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão na UNISINOS. Produziu “Três tempos para a dramaturgia negra no RS” contemplado no edital Diversidade nas Culturas da Fundação Marcopolo. 


sábado, 22 de maio de 2021

HIPERGAIVOTA (RS)

 

SUSPENSÃO DO COTIANO ATRAVÉS DE VIVÊNCIA INTERATIVA

por Diego Ferreira*

HIPERGAIVOTA é uma experiência digital, um desdobramento do espetáculo “Dispositivo Gaivota” do Coletivo Errática. Trata-se de uma plataforma que o espectador vai explorando através dos seus próprios gestos e cliques. “Hipergaivota” é uma das melhores experiências artísticas dos últimos tempos pela inventividade, inovação e por permitir ao navegador desbravar outras searas, através de uma vivência interativa e criativa.

Uma peça de teatro desse tempo, para esse tempo, diz o texto de abertura, e de fato se configura dessa forma. Um experimento sobre o tempo. Sobre o espaço, mesmo questionando que espaços são estes, espaços fugazes e efêmeros. Nossos dedos passeiam nervosos por salas, e cada clique abre-se uma nova possibilidade estética, uma nova visão de um pequeno mundo que se agiganta diante de nós. Fragmentos de textos, imagens, performances, sons e uma infinidade de possibilidades de juntar partes de um grande quebra-cabeça emotivo, afetivo e sensorial. O nosso papel enquanto espectador é ir entrando nas salas, absorvendo e sentindo cada proposta, brincar, se divertir e a partir daí se colocar também no jogo, enquanto peça fundamental. Diante de todas as incertezas que vivemos no mundo diante de uma pandemia, quando não sabemos do dia de amanhã, ainda surgem projetos e propostas artísticas que te tiram do eixo, que provocam uma suspensão no seu cotidiano. “Hipergaivota” é um mergulho para dentro, pois enquanto se volta para os dramas e tensões das personagens do universo de Tchekhov, também são desvelados o universo e estrutura dos performes, fragmentos de um cotidiano em suspensão, frestas de banheiros, quartos, salas e quintais, travessias que me reportam de Porto Alegre até Boston, tudo sob um olhar que coloca em evidencia a máquina do fazer artístico, a nova possibilidade de criação a partir do estar dentro, do estar apartado de um todo, do seu coletivo, de sua tribo, mas mesmo assim existe vida, existe criação e existe reverberação potente do lado de cá.

“Hipergaivota” é uma grande possibilidade de composições a partir das cenas e dos dispositivos e das ligações que o espectador vai construindo com partes ou com o todo. Impossível tecer qualquer comentário estilístico ou de atuação quando o projeto requer apenas EXPERIÊNCIA. Sim, uma experiência viva pautada pela usina criativa e virtualizada que é essa “Hipergaivota”. Parabéns ao Coletivo Errativa que juntamente com o Grupojogo não somente agora, mas a algum tempo tem ventilado as artes cênicas do estado com propostas inventivas e inovadoras mas sem desconectar do humano, e por isso são projetos universais.      

Ficha técnica

Direção e Concepção: Francisco Gick

Dramaturgia e Código: Francisco Gick a partir de “A Gaivota” de Anton Tchekhov

Adaptação: Coletivo Errática

Elenco: Claudio Loimil, Jezebel De Carli, João Pedro DeCarli, Guega Peixoto, Luan Silveira, Gustavo Dienstmann, Mani Torres e Nina Picoli

Trilha Sonora: Vitório O. Azevedo

Figurino: Gustavo Dienstmann

Concepção e Criação de plataforma: Francisco Gick

Duração: 60 min

Recomendação etária: 18 anos

 

*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão UNISINOS. 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

A ÚLTIMA NEGRA (RS) - CRÍTICA

 




COSMOVISÕES E EXISTÊNCIAS NEGRAS

| *por Diego Ferreira


Inicio minhas divagações sobre “A Última Negra” buscando refletir sobre a existência e sua relação entre teatro e negritudes. Primeiro busco pensar o teatro dentro do quadro atual em que nos encontramos e vislumbrar novas possibilidades de existência daqui em diante. A definição do verbo “existir” diz que “é ter existência real, ter presença viva, viver, ser”. Existir fala de presença viva. E PRESENÇA nas artes da cena tem um sentido amplo no que tange a uma presença real, mesmo que virtualizada como é o caso de “A Última Negra”. O mundo já não é mais o mesmo com a atual pandemia. Países de todo o planeta estão sofrendo as conseqüências desta crise, que são econômicas, sociais e também psicológicas. Foi dada uma pausa no cotidiano da humanidade e, compulsoriamente, cada indivíduo é levado a pensar sobre sua forma de existir no mundo: o trabalho, as relações, a maneira como utilizamos nossos recursos (ou a falta deles), o que se espera de fato da classe política, como gerir pessoas em vulnerabilidade social, e tantos outros desafios. São diversos problemas para serem resolvidos em um curto período de tempo e cada escolha pode determinar a vida e a morte de milhares de pessoas. No meio disso tudo, está também à classe artística, que lida há tempos com vários tipos de ataques e falta de investimentos. Na nossa sociedade, muitos partem da idéia da arte como algo supérfluo, dispensável ou até mesmo um hobby. Há, portanto, um preconceito estrutural (assim como o racismo estrutural abordado no espetáculo) em relação às artes, provavelmente atrelado à crença do valor mercadológico das profissões, no sentido de que há algumas mais importantes e "úteis" que outras. Com a pandemia, novas formas de “existência” têm sido pensadas para os artistas, não sem controvérsias e polêmicas, já que temporadas de espetáculos foram todos cancelados. Em meio a uma crise que escancara a insuficiência de políticas públicas para todos os setores da sociedade, os espetáculos teatrais, que tanto dependem do público (presença), tem estado parados.  Para alguns artistas, uma alternativa tem sido as transmissões ao vivo através de plataformas virtuais. “A última negra” consegue se apropriar da definição de “existir” perfeitamente e trabalhar com ressignificações conceituais em relação à estrutura, a forma de compartilhar narrativas e sua relação com o espectador. O Coletivo Projeto Gompa consegue criar uma experiência viva que se aproxima muito de uma experiência teatral, pois se utiliza das plataformas, mas faz o evento teatral acontecer como a divulgação, a bilheteria, pré-estréia, estréia e a fruição da produção através do youtube. É possível afirmar que a emergência de outro mundo está fazendo com que artistas literalmente se reinventem cada vez mais, e se coloquem na fronteira de uma criação híbrida e criem abismos e arestas de novas possibilidades.

    A produção cultural negra tem feito irromper novas linguagens insurgentes ao processo da padronização cultural que ainda se deixa respingar com culturas eurocentradas. Parecem surgir outros processos vitais para o diálogo entre culturas. Uma nova régua para indicar outro compasso para um humanismo além do eixo europeu. Ineditismos culturais advindos de um olhar cosmopolita e subversivo vivenciado nas redes de comunicação artística das margens contemporâneas. Muitos artistas e influenciadores digitais negros conseguiram ganhar status de celebridade e grande projeção através das redes sociais, fato que nas mídias tradicionais jamais conseguiriam “existir” ainda por causa dessa estrutura racista que perdura na sociedade.

    Isso também tem a ver com a cosmovisão africana, uma maneira subjetiva de ver e entender o mundo, principalmente as relações humanas e os papéis dos indivíduos na sociedade, assim como respostas a questões filosóficas básicas, como a finalidade da existência humana. Ou seja, seguimos falando de “existências” e de como respondemos as questões do nosso tempo. “A Última Negra” se apresenta como espetáculo virtual e se pauta na criação de uma história original, em todos os sentidos, desde o argumento até a concretização do projeto e o modo de compartilhamento e fruição. A começar pela dramaturgia de Pedro Bertoldi que nos provoca acerca de como é ser a última pessoa negra no Brasil. No texto 100 anos após o incêndio do Museu Nacional, uma arqueóloga encontra o corpo de uma mulher negra congelada. Inexplicavelmente, Dandara (entendedores entenderão a escolha deste nome) sobreviveu a mais de um século abaixo de zero grau e sua sobrevivência em um Brasil onde há muitos anos não existem vestígios de pessoas negras, faz reacender as discussões sobre o racismo institucional existente no país. É interessante essa abordagem que nos desloca para um Brasil distópico, até mesmo absurdo, para refletir sobre o racismo, evidenciando que mesmo num mundo distante ainda perduram as chagas provocadas pela estrutura racial.  A narrativa trata o preconceito racial com um humor refinado e crítico. Aponta para a ferida, sem tocar diretamente nela. Constrói fricções entre o universo real e ficcional. Propõe uma reflexão sobre o lugar do negro na sociedade contemporânea e isso é feito a partir de uma visão irônica e, algumas vezes, até cômica, como pode ser observado na cena do repórter, por exemplo, na construção de um humor ácido e crítico.

    A experiência virtual se desdobra em tempos e janelas distintos. É uma brincadeira, uma crítica aos inimigos institucionalizados, uma proposta para entender se realmente são inimigos ou se isso é fruto de uma manipulação promovida pela estrutura social.Podemos também fazer uma leitura afrofuturista que flerta com uma estética que combina elementos de memória, ficção científica e histórica, fantasia, arte africana e arte da diáspora africana, com cosmologias negras para criticar não só os dilemas atuais da estrutura racial, mas também para revisar, principalmente revisar, interrogar e reexaminar os eventos históricos do passado que aqui remete ao congelamento de uma mulher negra durante 100 anos.  

Designer gráfico: Mitti Mendonça

    A narrativa evita, conseqüentemente, elementos folclóricos clichês que o sistema estabelece. A dramaturgia não se detém nos aspectos geralmente comuns quando se trata de narrativas negras. O texto de Pedro Bertoldi desvela várias reflexões que são caras para o teatro negro brasileiro e, sem sombra de dúvida, merece ser lido, assistido, estudado e divulgado por aqueles que se dedicam aos estudos afro-brasileiros. Sem dúvida um texto que mesmo numa experiência virtual te coloca dentro da situação proposta. E lógico que exaltar o texto de Bertoldi é necessário, porém ressaltar a trilha sonora original de Álvaro RosaCosta é dizer que ela é um dos elementos que me fazer mergulhar na fruição do trabalho, pois é presente em muitos momentos, e a música funciona para dizer coisas na cena sem ser tão óbvio e colocar o espectador e sua atenção em outros lugares. Música é dramaturgia. É pausa. É signo. É existência e presença. Embora muitas vezes não seja notada pelo espectador, a trilha sonora é fator narrativo que integra a obra cênica. Assim como a direção de imagens e edição de Júlio Estevan que faz com que a experiência seja feliz e potente. Percebemos que não é apenas um teatro filmado, ou imagens captadas de qualquer modo, pelo contrário, imagens com muita qualidade que evidenciam cada personagem e seus espaços dentro da narrativa. E produzir hoje uma leitura sobre um espetáculo virtual é destacar esse profissional que geralmente num espetáculo presencial não teria tamanha importância, mas nesse caso é, tão ou mais importante como os demais profissionais do trabalho.          

    Hayline Vitória está à frente do elenco e seu trabalho é sensacional, pois a câmera revela ângulos, detalhes, expressões, pulsações que no teatro não percebemos. A relação com a câmera é diferente da relação com um espectador no teatro presencial e esse trabalho fica evidente aqui. Hayline personifica Dandara, a última negra que ficou congelada nos últimos 100 anos. Mas todo o elenco está muito bem dentro desta proposta. Álvaro RosaCosta, Fabrício Zavareze, Guilherme Ferrêra, Fabiane Severo e Henrique Gonçalves cada um no seu quadrado desenvolvem um ótimo trabalho que difere do trabalho que já conheço nos palcos e isso é bom, por se tratar de outra linguagem. Confesso que quando vi o início das divulgações e percebi que o Projeto Gompa estava produzindo um novo trabalho pautado em questões raciais e que trazia em sua equipe técnica a maioria de artistas não negros isso de certa forma me provocou, fiquei feliz por um lado e intrigado por outro. Mas depois de assistir ao trabalho, constatei a necessidade dos artistas não negros na concretização do trabalho e principalmente a presença de Silvana Rodrigues na co-direção juntamente com Camila Bauer, pois sabendo da competência e força criativa de Bauer constatada em outros trabalhos, mas que no que diz respeito a questões raciais, era necessária a presença de uma artista tão competente como a citada Bauer, mas que pode contribuir com outros olhares e com uma “vivência preta” acerca da obra que assistimos. Não é que seja proibido coletivo ou artistas não negros pautarem a negritude em suas propostas, pelo contrário, é necessário e salutar dialogar cada vez mais sobre a negritude na arte, mas deve-se cuidar para que as propostas não sejam esvaziadas de sentidos e principalmente do discurso, o que não é o caso deste projeto. Espero que não seja mal compreendido, porém é necessário refletir sobre o esvaziamento na hora de se apropriar de elementos culturalmente ligados a negritude, que já é algo complexo por si só, mas que é importante refletir sobre isso. Por se tratar de uma experiência virtual creio que a produção voltará a ser exibida e merece ser assistida pela qualidade e principalmente pela reflexão provocada pelo texto de Bertoldi.  

 Ficha Técnica:

 História original e dramaturgia: Pedro Bertoldi

Direção: Silvana Rodrigues e Camila Bauer

Elenco: Hayline Vitória, Álvaro RosaCosta, Fabrício Zavareze, Guilherme Ferrêra, Fabiane Severo, Henrique Gonçalves.

Direção de imagens e edição: Júlio Estevan

Trilha sonora original e edição de som: Álvaro RosaCosta

Orientação de figurino: Fabiane Severo e Guilherme Ferrêra

Designer gráfico: Mitti Mendonça

Fotografia e criação de teasers: Júlio Estevan

Assessoria e produção de conteúdo de mídias: Tainã Rosa

Assessoria de imprensa: Thais Silveira

Produção de vídeo: Júlio Estevan

Produção musical: Álvaro RosaCosta

Produção administrativa/cultural: Hayline Vitória

Produção executiva: Silvia Duarte

Realização: Projeto GOMPA

Financiamento: Pró Cultura RS - Lei de incentivo e Fundo, Secretaria da Cultura - Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Apoio: EntreAtos


*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin/UNESPAR. Professor do Espaço do Ator e da extensão UNISINOS. 






domingo, 11 de abril de 2021

QUE PALAVR4 SERÁ?

 


NOVAS POSSIBILIDADES EM BUSCA DE UMA PRESENÇA DIGITAL

por Diego Ferreira*

"Que palavr4 será?" é o primeiro filme produzido pelo GRUPOJOGO dentro da programação do Festival Oxigênio. Digamos que é um retorno ao universo beckettiniano proposto pelo inventivo GRUPOJOGO. Se lá em 2010 assistimos ao excelente "PLAY-BECKETT: Enquanto espero, jogo" onde corpos sujeitos a espera, a degradação física, a falta de sentido lógico nas sucessões banais, a imprecisão histórica e espacial submetidos a crises paralelas do corpo e da máquina pensante da existência, incapazes de comunicar-se como o restante da humanidade. E agora neste projeto ousado de produzir um filme em meio a pandemia e usar Beckett enquanto gatilho disparador para criação da narrativa é simbólico e atual, pois as PALAVRAS disparadas pelos performes são assustadoramente atuais e condizentes com o nosso tempo. Que tempo é esse em que vivemos? Que palavra será essa? Quais caminhos e perspectivas temos para um futuro próximo?
Esse momento de isolamento social tem muito a ver com o universo beckettniano, percebemos a atualidade e a força dos textos em questão e isso espanta, especialmente quando nos deparamos com cenários como esse em que nos encontramos agora: medo, aprisionamento, tensões,fim do mundo, isolamento. E sabemos que tem muito mais coisas a acontecer. Ainda não sabemos quando a pandemia vai acabar e com isso o retorno aos teatros e consequentemente a volta da arte da presença. Mas impossível assistir ao filme e dizer que ali não há presença. Existe presença e potencialidades. O que a pandemia trouxe consigo foi acalentar e refletir sobre as possibilidades de um teatro feito na e para as redes sociais. E em Porto Alegre tem artistas e coletivos que aproveitaram essa tecnologia a seu favor, e o GRUPOJOGO é um deles, talvez um dos poucos que tem obtido sucesso e produções muito bem resolvidas dentro dessas novas possibilidades, por dois motivos: por ser um dos grupos mais antenados, inventivos e com propostas ousadas em praticamente todas suas produções e por entender e aprimorar os mecanismos de produção desta arte digital. Nas produções que tenho acompanhado do GRUPOJOGO na internet não existe apenas um ator e uma camera feito de qualquer modo, o que existe é uma preocupação com todo o material que é entregue ao "tele-espectador". Um dos bons exemplos foi a adaptação do espetáculo "Deus é um DJ" para as redes e agora esse fime "Que palavr4 será?". O filme perspassa questões que englobam arte digital, ciberespaço, telepresença e virtualidade, além de uma narrativa que desvela diferentes camadas para refletir sobre a humanidade ou a falta dela, através de um dispositivo  que combina simultaneidade, profusão de imagens e que em muitas vezes me remeteu a estética de sérias pós-apocalipcticas como "Black Mirror". 
Estética e qualidade de toda a equipe deste filme, desde a presença do elenco, a direção e captação de imagens e trilha sonora que nos catapulta para o tempo/espaço atemporal, mas atual do projeto. Profusão de imagens, e ótimas imagens, elenco bem preparado, vivo e transbordando presença, mesmo que virtual, mas existe uma vida ali naqueles corpos, naquelas bocas que produzem uma enxurrada de palavras, naqueles olhos que através deles conseguimos enxergar a humanidade que muitas vezes está desacreditada, como numa das frases ditas por uma das vozes: "não somos mais nós mesmas, somos qualquer um". 
 Já disse outras vezes e volto a dizer que o GRUPOJOGO é um dos coletivos mais inventivos do estado e sempre nos surpreende com suas pesquisas e propostas estéticas. 

QUE PALAVR4 SERÁ
Inspirado nas obras de Samuel Beckett
HOJE ÀS 20 HORAS
no canal @grupojogo no Youtube (link na bio)
QUE PALAVR4 SERÁ?
ELENCO: @ninaalves.cabral , @cristine_patane @juliaamoreira e @pebspoa
Sinopse: A humanidade será descartada, assim como seus pensamentos e suas memórias, nada vai restar, isso é um fato. Procuramos apenas um adjetivo para conceitualizar o momento que estamos vivendo.
Direção @alexandredill e @@gabrielrpontes
Direção de fotografia/ desenho de som/ Iluminação e mixagem: @riquelstrieder
Montagem/ efeitos visuais e coordenação de pós produção: @gabrielrpontes
Direção de arte e Trilha Sonora Pesquisada @alexandredill
Preparação de elenco: @@guilhermeconrad
Produção: GRUPOJOGO
Trabalho de conclusão da oficina de Criação e Montagem do @grupojogo 2/2020

*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin. Professor da escola Espaço do Ator e da UNISINOS.

sábado, 10 de abril de 2021

CURSO FORMAÇÃO DE ATORES ESPAÇO DO ATOR

 



SOBRE O CURSO

 

Mais do que formar grandes atores e atrizes, o Curso de Formação de Atores preocupa-se em preparar seus alunos para viver como artistas, o que requer atenção, compromisso, disponibilidade, rigor e criatividade. O trabalho no Curso pauta-se pela formação de profissionais qualificados tecnicamente, artistas autônomos, comprometidos ética e politicamente com o mundo em que vivem capazes de articular questões importantes de seu tempo em sua produção artística e contribuir, à sua maneira, para a invenção de novas formas de viver no mundo. A Formação de Atores é um curso com duração de dois anos. Esse curso profissional de Formação de Atores tem parceria com o Sated-Rs e ao final do curso possibilita ao aluno o DRT - Registro Profissional Provisório de Ator.

 

DISCIPLINAS

INTERPRETAÇÃO TEATRAL

Consiste em um estudo teórico – prático sobre a interpretação teatral.

 

TEORIA E HISTÓRIA DO TEATRO

Estudo da história do teatro desde a antiguidade até os dias atuais com especial atenção ao trabalho do ator nas principais tradições teatrais.

 

JOGO E IMPROVISAÇÃO TEATRAL.

Estudo de técnicas corporais de reconhecimento individual, espacial e da relação do coletivo.

 

INTRODUÇÃO A PRODUÇÃO TEATRAL

Introdução a produção de espetáculos desde a escolha do texto até a finalização de um projeto.

 

GÊNEROS TEATRAIS

Abordagem teórica e prática de diversos gêneros teatrais ao longo da história.

 

INTRODUÇÃO DRAMATURGIA

Estudo teórico-prático para o entendimento do texto teatral e a estrutura de cenas.

 

MAQUIAGEM, CARACTERIZAÇÃO E MAQUINARIA DO TEATRO

Permite ao aluno o contato intenso e aprofundado com uma técnica de maquiagem e acessórios cênicos para ser utilizada nos espetáculos. Estudo sobre a maquinaria e efeitos especiais de luz, sonoridades e palco.

 

TEORIAS DO TRABALHO DO ATOR

Estudo teórico- prático sobre o ator criador no século XX.


MINISTRANTE

Professor: Diego Ferreira[1] e Cândida Bazanella²   

Horário: Terças e Quintas das 19:00 as 22:00 hs                           

EMENTA

Uso da improvisação teatral, corporal e vocal para a elaboração de um processo criativo em teatro. Este primeiro módulo da formação de atores partirá do uso da improvisação e jogos teatrais para a integração da turma e seus desdobramentos na elaboração de um processo criativo. Realização de um exercício teatral para ser apresentado no final do semestre.

OBJETIVOS

- Realizar um exercício teatral a partir de improvisações dos alunos.

- Experimentar o uso de técnicas vocais.

- Experimentar o uso de técnicas corporais.

- Experimentar o trabalho relacionado ao estado de jogo, prontidão, disponibilidade e imaginação.

- Aprofundar o trabalho do ator nas questões relacionadas a teoria e prática.

Analisar e experimentar a ação física.

 

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

 

Aulas de caráter prático com exercícios coletivos e individuais, onde serão abordados os seguintes conteúdos: jogo e brincadeira, improvisação, estado de jogo, canções... Aulas teóricas, seminários expositivos, aulas com professores especialistas convidados.

PUBLICO ALVO

Pessoas a partir dos 14 anos.

DIAS, HORÁRIO E CARGA HORÁRIA

Data de início: 15 de Abril /2021.

 

Data de término: 15 de Dezembro/2022.

 

Dias de aula: 160 aulas.

Carga horária: 480 h/aula

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VALOR

R$ 50,00 Taxa de Matrícula

R$ 180,00/mês

Taxa de produção: R$ 200 / cada 5 meses/ destinado a produção de cada espetáculo.

 

 

LOCAL

Espaço do Ator – Rua Veador Porto, 241 Bairro Santana junto ao Sindicato dos Gráficos.

 

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES 

Espaço do Ator E8scola de Teatro – Rua Veador Porto, 241 Bairro Santana.

Telefone: (51) 996.628.688 watsapp

E-mail: contatoespacodoator@gmail.com ou pelo www.espacodoator.com

 

Ministrantes:

Diego Ferreira – DRT 10706

Graduado em Teatro na UERGS/2009. Dramaturgo, Crítico e Professor de Teatro. Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. Integrante da GIRADramatúrgica: Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra, coordenado por Carlos Canarin. Coordenador do Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Professor das disciplinas de Expressão Corporal I e II no Unilasalle (Canoas), Professor no Curso “Desibinição através do Teatro” na Unisinos (São Leopoldo), professor no Curso de Formação de Atores do Galpão de Artes (Canoas). Professor do Curso de Formação de Atores no Espaço do Ator. Foi crítico convidado do Festival de Teatro de Montenegro nas edições de 2012 e 2014. Em 2013 foi integrante da Comissão do Prêmio Mais Teatro, concedido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Iniciou a sua trajetória no teatro em Porto Alegre em 1995, desde então vem aprimorando seus conhecimentos na área teatral. Dirigiu vários espetáculos teatrais dentre os quais: “Essa propriedade está condenada” 2014/2015, “Tempos Perdidos” 2011, “Assovio no vento escuro” em 2010, baseado na obra de Clarice Lispector, “Wilma e Elza” em 2009 que circulou por 25 cidades do Rio Grande do Sul, “Travessia” (2010). Dedica-se também aos blogs Válvula de Escape e Olhares da Cena, um espaço virtual dedicado as artes cênicas do estado, além de fazer a cobertura de festivais de teatro exercendo a função de crítico teatral. Recentemente foi indicado ao Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gravataí por sua atuação em “A filha da escrava”. O mesmo espetáculo foi o grande vencedor do festival de Osório nas categorias Melhor Espetáculo, atriz, atriz coadjuvante, figurino e iluminação. Em 2015 o espetáculo “Essa propriedade está condenada” obteve 9 indicações no Festival de Osório vencendo nas categorias Atriz e Iluminação. Em 2016 dirige a esquete “CICATRIZ” apresentada no Congresso da Feessers. (IN)SÔNIA, PLUFT, A MALDIÇÃO DO VALE NEGRO E PLATAFORMA K.

 

 

  CÂNDIDA BAZANELLA – DRT 6640

Atriz, desde 1997, iniciou sua carreira como atriz em Lajeado. Onde fez parte dos grupos: Boca de Cena e Sem Nome; Só Teatro com diversas montagens. Em Porto Alegre, participou de oficinas com: Oi Nóis Aqui Traveis, Celso Frateschi, Ligia Rigo, Paulo Flores, Daniel Terra, Fernando Kike Barbosa entre outros. Em 2007 ganhou prêmio de melhor atriz no festival de Estância Velha com a Cia Renascença, com o espetáculo Ana Fierlig adaptação do texto Mãe Coragem de Bertold Brecht. Em 2008 participou da oficina O Corpo como Fronteira com Renato Ferracini e em 2011 o curso de Mimese Corpórea com Raquel Scotti Hirson ambos do grupo LUME, em Campinas – SP. Trabalhou por dois anos na Casa de Cultura Mario Quintana. Graduada em teatro: licenciatura na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Fundou, em 2012, o grupo, Cia Oníricos de Teatro, no qual foi diretora da peça Edward: O Retorno, com diversas premiações no Festival Art In Vento e indicação de melhor direção e atriz no Prêmio Açoriano de Porto Alegre. Lecionou em projetos sociais como o Projovem Adolescente e a Cufa (Central Única das Favelas). Lecionou teatro na Escola Nossa Senhora do Cenáculo, Casa Cultural Tony Petzhold, Galpão das Artes, ONG Coletivo Feminino Plural, Clube de Cultura, Estação Musical, onde roteirizou e dirigiu o musical, Estação do Rock. Atualmente leciona e dirige espetáculos na escola de teatro, Espaço do Ator, escola fundada por ela, em 2016. Espetáculos dirigidos “O Julgamento do Palavrão”, “Conte-me sobra a Capital”, “Holocausto do Amor”, “O feitiço da Bruxa má”, “O Bulling e suas ofensas”.

 

 

 

 

 

 

 



[1] DRT nª 10706. Graduado em Teatro pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul - UERGS. Em 2012 e 2014 foi o crítico do Festival Montenegro em Cena – Professor de teatro no Galpão de Artes e na Unisinos. Coordenador do Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator.

² DRT n° 6640. Graduada em Teatro pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul- UERGS. Atriz desde de 1997, professora e diretora teatral em diversas escolas e projetos sociais. Atualmente professora, diretora e fundadora da escola de teatro Espaço do Ator.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

TROPEÇO - Resenha do livro de Anderson Feliciano

 


“Tropeçando em pequenos amontoados de terras”


por Diego Ferreira*


"Tropeço" de Anderson Feliciano lançado pela Editora Javali surge e apresenta-se como um conjunto de textos-ilhas performáticos que os possibilitou pensar sobre a complexidade de estar negro no mundo e fabular outras linguagens. O livro é composto por três textos curtos: “Pequeno tratado amoroso”, “Apologia III” e “Outras Rosas”. O tempo espiralar a partir do conceito da Leda Maria Martins revela um estudo que avalia a temporalidade na filosofia africana. “O tempo ocidental é plasmado nas palavras e tem uma articulação de início-meio-fim. Já no tempo africano o passado e o futuro dialogam resultando num presente”.  E creio que Feliciano dialoga com essa articulação africana aliada aos afetos construídos a partir do projeto apresentado na bela edição que também utiliza a dramaturgia da imagem, através de uma memória fotográfica, mergulhando em registros familiares e agindo como forma de ruptura de uma estrutura aristotélica. A escrita avança enquanto articulação estética e retorna ao passado não como uma tentativa vazia de resgate de memórias, mas na tentativa de apreender o que pedia outro devir. Ainda hoje existe o pensamento equivocado de que a produção de narrativas pretas discorre apenas sobre determinados temas como mazelas sociais, dores e lutas, muitas vezes inserindo essa produção dentro de um folclore estático e histórico, compreendendo que essa produção possui formas e conceitos estéticos rígidos, que uma vez estabelecidos, propagam a falsa acepção do que é ou não dramaturgia negra. "Tropeço" rompe com esse imaginário de construção dramatúrgica que muitas vezes alicerça o texto apenas na construção e sustentação de uma fábula, nos lançando nesse arquipélago de pequenas ilhas e através delas conseguimos mergulhar num oceano de complexidades e afetividades que são materializadas a partir do tecido imagético proposto no livro. E esses textos-ilhas são potencializados quando associo ao legado de Maria Beatriz Nascimento que nos conduz a uma reflexão sobre sua relação com o oceano atlântico, a sua relação com essas pequenas ilhas, esses pequenos amontoados de terras, partindo da idéia de travessia e retorno como maneiras de resgate e conexão com ancestralidades africanas. Cabe aqui pensar na importância do mar para as cosmologias africanas e afro-brasileiras, como esse lugar imenso e portal de energias ancestrais, e essa configuração de "textos-ilhas" ou “pequenos amontoados de terra” apresentada por Feliciano me coloca nesse lugar de ancestralidade, de resgate de suas histórias pessoais, da relação com o pai e suas memórias coletivas. Esses pequenos amontoados de terras funcionam como recortes que não dialogam entre si, mas dialogam com o todo. E assim como temos uma relação ancestral e metafórica com a água, falar de “amontoados de terra” é também falar de lugar ou não-lugar, da terra que nos foi retirada e negada, e com isso essas pequenas ilhas contribuem para o povo negro ser o dono da sua terra, da apropriação da sua narrativa e o mais importante é o modo que essas narrativas são escritas, colocadas no tempo/espaço, pois a escrita de Feliciano surpreende justamente por nos apresentar um texto que se furta de apropriações e reinterpretações de suas próprias memórias, mas vai além como no texto experimental e performático “Outras Rosas” que faz uso da repetição de apenas uma frase “eu não penso que deveria ter que me levantar” que além de ter uma diagramação diferente dos demais textos, faz um paralelo com a vida de Rosa Parks e é de uma potencialidade e tessitura narrativa ímpar e minimalista, pois lida com a questão da repetição, do tempo/espaço, de uma elaborada construção arrojada que se ancora no experimental mas que explode em múltiplas sensações na recepção.  “Pequeno tratado amoroso” é o texto que abre o livro e é altamente poético, um texto construído e dividido enquanto exercícios, mas que não perde na essência poética que dialoga com a primeira pessoa de Anderson, mas que também produz ficções a partir de experimentações do real. Já “Apologia III” traz fragmentos pequeninos de textos, mas imagens de grande potência que constroem esse universo imagético a partir dos registros fotográficos presentes na edição.  

“Tropeço” nasce num tempo onde existe uma disponibilidade para o exercício e fruição de escritas para a cena e soma-se a uma excelente safra de dramaturgos que tem produzido novas possibilidades de escrita para a cena criando novos horizontes para o teatro brasileiro contemporâneo. É poético, plástico, inovador e profundo na mesma medida. Que Anderson Feliciano possa estar nas listas de leitura de muitos artistas e ficamos aguardando seus próximos textos na certeza de mergulhar em terras dantes nunca habitadas.   


*Diego Ferreira é Dramaturgo, Diretor, Professor e Crítico Teatral. Graduado em Teatro UERGS/2009. Estudou Letras na FAPA/2002.  Coordena o Núcleo de Dramaturgia do Espaço do Ator. Editor do blog Olhares da Cena. Participou do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É integrante da GiraDramatúrgica - Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra coordenado por Carlos Canarin. Professor da escola Espaço do Ator e da UNISINOS, na extensão.