terça-feira, 8 de dezembro de 2020

PEÇA (RS) - CRÍTICA


Por Diego Ferreira - Especial MOSTRA CURA*

 

Cena. Peça. Projeção. Presença.

Peça - substantivo feminino

A etimologia da palavra “peça” trás duas definições: parte de um todo que tem existência autônoma e cada elemento de um conjunto. Percebo esse trabalho da Rita exatamente como uma peça, uma parte de um todo que tem existência própria, ou seja, é apenas uma peça que faz parte de uma engrenagem que parte das subjetividades dos corpos com cor na arte contemporânea.

Em cena a performer pontua as interferências do corpo com o ambiente. A partir do seu corpo nu propõe movimentos que se alteram em acelerações, pausas, repetições e variações. Rita Rosa Lende se despe do figurino para revelar no seu corpo a liberdade em se dançar, em se lançar, em provocar e em produzir um projeto estético e político repleto de significados e incrivelmente belo. O corpo enquanto propulsor de narrativas negras. Alguns enxergaram somente a nudez do corpo, mas é preciso ir além para poder captar um trabalho sério, digno, ousado e pontuado por questões que implicam violências, no plural mesmo, violências que o corpo da mulher negra está sujeito.  “Peça” é uma performance que está impregnada de conceitos, mas não conceitos esvaziados, conceitos impregnados de vida que marca o percurso da artista. Logo no inicio percebemos o corpo servindo como tela para projeção e um áudio com vozes dissonantes em inglês, ou seja, uma provocação logo no inicio de perceber esse estranhamento e barreira com a língua. Preciso entender o que é dito ou me permito a experimentar o que me é proposto? A filósofa e escritora ativista norte-americana Ângela Davis afirmou numa conferência que “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras, muda-se a base do capitalismo”. Trago essa citação da Davis para ilustrar ou quem sabe traduzir o inicio da performance, mas seria muita ousadia da minha parte tentar traduzir algo que justamente não é palatável.

Projeção.

Vídeo.

Corpo.

Porco.

Uma das poucas imagens que me salta na projeção é a de um porco e metaforicamente a figura do porco na filosofia representa a problemática da convivência humana. De certa forma, o trabalho trás marcado no corpo essa questão que está posta na atualidade, de que forma é possível conviver em comunidades respeitando outras formas de habitar, outras formas onde as diferenças brilhem.

Pequenos espasmos

Dança da dor

Expressividade dilatada

Carne negra

Corpo negro exposto

Pulsações

Silhueta de noiva

Violência

Violência

Violência

Sensações que me acometem e me colocam em outros lugares. Um trabalho intenso que me provoca com os deslocamentos da Rita. Mas uma das reflexões da performance que me provoca é justamente o momento em que Rita executa um samba. E esta ação de sambar problematiza a questão do estereótipo da mulher negra na sociedade. O samba enquanto erotização da mulher negra na cultura brasileira. O samba enquanto objetificação da mulher negra na cultura brasileira e o que esse corpo negro sambando pode reverberar no imaginário brasileiro. Não que mulheres negras não possam sambar, mas a representatividade que isso pode desvelar é o que precisamos nos atentar e discutir. Descolonizar e libertar o corpo negro e evidenciar o que ele tem de potência é o caminho. E é justamente isso que eu percebo nesta proposta de Rita Rosa Lende: um corpo potente, dilatado e liberto que pode tudo o que ele se propõe.

 

Direção:Rita Rosa Lende

Autoria:Rita Rosa Lende

Tradução:João Kowaks de Castro

Adaptação:Rita Rosa Lende

Elenco/Performer:Rita Rosa Lende

Iluminação:Carol Zimmer

Trilha Sonora:Rita Rosa Lende

Figurino:Rita Rosa Lende

Duração:30 minutos

Classificação:18 anos

 

*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve críticas no blog Olhares da Cena. Integrante da GIRADRAMATÚRGICA – Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra. Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. Foi jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle.

O MURO (RS) - CRÍTICA

 



Por Diego Ferreira - Especial MOSTRA CURA *

Beco

Ladeira

Homem

Homem negro

Homem negro descendo a ladeira

Panfleto

Panfletagem

Mochila velha

Mochila desgastada

Caixa de som

Beco

Panfletagem

Ta me escutando?

Ta me escutando?

Ta me escutando?

Sim, estou te escutando e tentando compreender as múltiplas camadas que esse muro trás

Panfletagem política;

Sim e não

Não e sim

Descendo a ladeira

Urbanidade

Periferia

Rua

ISSO NÃO É TEATRO?

Já antecipa o homem negro do vídeo

Se isso não é teatro não existe ator

Descendo a ladeira, viro a esquerda, eu disse, viro a esquerda, a esquerda e encontro o muro. Sim, lá está ele, grande e imponente.

“O Muro” é um experimento cênico audiovisual proposto por Denilson Tourinho onde coloca no front um trajeto real, se utilizando da imagem deste muro que divide espaços, segrega, parte em dois. O muro enquanto metáfora de um homem que é dividido e fragmentado. A espetacularização do real é mote para falar de diversidade, negritude e hostilidades. O ato do performer de panfletar notícias reais de atos violentos sobre corpos negros e de distribuir essas notícias pela cidade é de uma necessidade urgente, um ato simbólico tão potente que faz refletir sobre como são propagadas esse tipo de notícia, principalmente quando se trata de atos violentos contra corpos negros. Denilson através desse experimento é um agente político tão poderoso por conseguir imbricar nas questões que tangem ao real, do que está de fato acontecendo lá, no ato da performance e da relação com o espaço e com os transeuntes, do impacto das notícias que ficam no espaço das residências das pessoas e também nas questões que tangem ao objeto artístico, a performance que assistimos de modo virtual que consegue se relacionar com uma diversidade de signos muito fortes e subjetivos e que conversam diretamente comigo. O que de fato é real, o que de fato é ficção? Na verdade não interessa muito, mas o que realmente importa é esse relação que consegue criar diretamente com o espectador e da relação com o corpo e a narrativa estabelecida. O momento da performance onde ele se refere ao paredão, prática que a polícia militar costuma fazer e nesse caso de um espetáculo na parada de /ônibus para vários espectadores. Gestos e ações reproduzem uma batida policial:  “mãos na cabeça”, “encosta no muro” não são ditas mas fortemente representadas. Ao terminar de assistir a vídeo-performance me questionei como um vídeo curtinho, feito na rua consegue alcançar uma potencia geradora de muitos signos e que dialogam com as questões de um homem negro mineiro, gaúcho ou de qualquer lugar. Bateu forte aqui esse ato político-artístico proposto pelo Denilson Tourinho. Ah, e respondendo ao Denilson sobre isso não ser teatro eu creio que sim, é teatro real, teatro pulsante, da vida que escorre nas vias e vielas do nosso Brasil. É metalinguagem. É metafórico. É maravilhoso.

 

 

Atuação, concepção e edição:Denilson Tourinho

Filmagem:Camila Figueiredo

Estilo:Experimento cênico audiovisual

Duração:30 minutos

Classificação: 12 anos

*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve críticas no blog Olhares da Cena. Integrante da GIRADRAMATÚRGICA – Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra. Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. Foi jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle.

ENCANTO ZUMBI (RS) - CRÍTICA

 



Por Diego Ferreira - Especial MOSTRA CURA*

 

Uma das reflexões que a CURA me provocou ao ler seu manifesto e ver sua programação é o de perceber o fato de o corpo negro ocupar o espaço do protagonismo na cena        e ter uma mostra para chamar de sua. Pode parecer simples, mas isso de fato é o grande diferencial e repleto de significados, pois estamos em Porto Alegre capital do Rio Grande do Sul e isso já diz muita coisa por se tratar de um estado colonizado          e que cultua isso de forma arraigada através de suas tradições. Estamos numa cidade onde a branquitude domina em todos os campos e até mesmo nas artes cênicas e o corpo negro precisava de um espaço onde fosse o centro das atenções, não por egocentrismo ou narcisismo, mas para demarcar territórios negros num estado branco. E Gil Collares através do seu “Encanto Zumbi” demarca um território na cena através do corpo negro potente de seu interprete. “Encanto Zumbi” trás a cena Ganga Zumba e sua chegada ao Brasil na condição de escravizado. Ao chegar é resgatado por negros fugidos e levado a Palmares onde se transforma num grande líder do quilombo transformando o espaço numa fortaleza contra os colonizadores donos de escravos. Após sua morte, seu sobrinho Zumbi, assume o quilombo. A produção faz esse diálogo entre Gamga Zumba e Zumbi neste formato apresentado na CURA, sabendo que “Encanto Zumbi” na sua origem é um musical com elenco numeroso. Mas essa experiência que assistimos num formato pocket, desvela uma justaposição de imagens ricas potencializadas pelo câmera man, onde num primeiro momento acompanhamos Ganga Zumba e depois Zumbi, materializados no corpo de Gil Collares. A versão apresentada é entremeada de canções e fragmento de textos que evocam essas figuras históricas que povoam o imaginário histórico, canções e textos que tem como proposta revelar um episódio da história do Brasil a partir do olhar do contestador, desconstruindo convenções tradicionais, pois aqui Zumbi é elevado ao posto de herói, contrariando a história oficial. Evocar Zumbi na atualidade é reafirmar o valor da história real principalmente após os incontáveis equívocos propagados por esse governo atual principalmente na figura de Sérgio Camargo a frente da Fundação Palmares que tem feito movimentos gravíssimos de apagamento da memória do povo negro. Então resgatar a figura de Zumbi é reafirmar a luta incessante pela transformação social e dignidade do povo negro.

Gil Collares e sua equipe conseguem provocam, mesmo que de modo virtual um arrebatamento que chega aqui do outro lado da tela, principalmente pela potência do corpo negro no centro da cena, assim como a profusão de imagens que esse corpo e voz emanam na cena. Os textos e canções vêm impregnados de uma revolta necessária para um levante que se faz urgente. Das imagens que o trabalho propõe uma que fica para mim é das mãos negras presas por correntes e que em seguida é libertada das correntes, um gesto simples para alguns, mas extremamente simbólico para outros por representar a descolonização desse corpo e de tudo que foi acometido durante todos esses anos de escravização.                                                                                                                                                                                                                                                                                 Direção/Autoria/Adaptação: Gil Collares

Elenco / performers:Gil Collares, Daniel Braga e Cássio Machado

Iluminação:José Renato Lopes

Trilha Sonora:Gil Collares

Figurino:Fabrízio Rodrigues e Gil Collares

Duração:50 minutos

Classificação:Livre

                                                                                                                                                                                            *Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve críticas no blog Olhares da Cena. Integrante da GIRADRAMATÚRGICA – Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra. Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. Foi jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle.                                                                                                                     

A MULHER ARRASTADA (RS) - CRÍTICA

 


Por Diego Ferreira - Especial MOSTRA CURA*

“A mulher arrastada” foi o espetáculo de abertura da CURA – I Mostra de Artes Cênicas Negras que nasce com o propósito de fortalecer a dignidade negra nas disputas nas artes cênicas. E digo com toda certeza que não poderia ter escolha mais acertada. Estamos vivendo tempos pandêmicos. Tempos sombrios. Tempos cabulosos. E a CURA surge para trazer um alento a tudo isso que nos acomete. Nas últimas décadas muito se falou e foram enaltecidas perspectivas de virem à frente da cena os elementos estéticos que envolvem a cultura negra no Brasil. Assim, diante das diversas formas expressivas que nos propõem estéticas apreciativas na nossa atualidade, tais formas constantemente estão diante de contextos sejam sociais, culturais, políticos, antropológicos, artísticos, que nos conduzem a refletir a respeito dos diversos formatos apresentados para a nossa fruição e entendimento de linguagens construídas por nós. Nós, que estabelecemos, invariavelmente, códigos que propiciam a complexidade da comunicação e expressão humana. Desse modo, o corpo negro é uma fonte inesgotável de proposições estéticas. Falar sobre esta fonte como um campo de descobertas e de fazeres, como sendo um fenômeno estético bem como o sujeito da percepção, oferece a possibilidade de descobertas do sensível e do indizível que é propiciada pela arte. Neste caso, arte virtual e remota devido aos tempos pandêmicos.

Assistir “A mulher arrastada” online foi uma experiência arrebatadora. Pude experimentar o espetáculo de modo presencial e agora online. Afirmo que nas duas ocasiões o trabalho me provoca e emociona, de modos diferentes e em realidades distintas. A experiência virtual trouxe nuances que não tinha experimentado antes como a câmera que coloca os interpretes em evidência, provocando o espectador, como se a câmera fosse uma lente de aumento, e essa câmera é móvel, é viva e amplia as possibilidades de fruição do espetáculo, mantendo um diálogo direto com o “tele – espectador”. “A mulher arrastada” é um trabalho contundente que surge como uma ode contra o apagamento da memória de Cláudia da Silva Ferreira, mulher, negra, pobre, mãe que foi brutalmente assassinada e arrastada pela PM/RJ. Semana passada um homem negro foi brutalmente assassinado num supermercado em Porto Alegre e somado a este tem uma centena de casos onde o corpo negro continua sendo alvo. Ainda continua. Ainda. Até quando? Até quando o corpo negro continuará sendo banalizado e espancando até a morte? Ou arrastado até a morte?

Mesmo existindo essa interlocução a partir do campo da virtualidade, os intérpretes nãos se furtam a isso e com sua presença e humanidade conseguem dialogar diretamente com o espectador, principalmente quando interagem com a câmera falando diretamente através de suas lentes. Sinceramente não acredito muito nessa nova forma de fazer teatro, essa relação que se estabelece a partir de dispositivos, porém a de se destacar que essa primeira experiência da CURA foi totalmente satisfatória pelo fato de a produção repensar a estrutura de captação que foi executada dentro da Sala Álvaro Moreira com todo aparato de iluminação e som.

A escrita de Diones Camargo me toca de uma forma intensa, justamente por criar narrativas que evoquem vozes que cada vez mais precisam ser exaltadas, vozes como esta ecoem e não sejam caladas, busquem o seu lugar de fala, buscando por si só o lugar de protagonismo sem a necessidade de mediação de terceiros. “A mulher arrastada” é um texto que a começar pela estrutura, eclode o drama assim como ocorre em autores pós-modernos, colocando em cena monólogos e vozes.
O texto é permeado de memórias fragmentárias e inconstantes, ficção e realidade andam juntas, também a dimensão do tempo está desconstruída: não há noção de passado e presente, separação de eu e outro; em caráter de hibridismo (o texto é um poema dramático, narrativo, concreto, e extremamente político, uma peça manifesto); um novo estado de expressão e percepção em uma escrita que é distante da estrutura tradicional de enredo. A fragmentação do sujeito contemporâneo é alcançada esteticamente com a utilização de recursos como as figuras do HOMEM/POLICIAL que tem a função de situar os passos de Cláudia, a utilização de uma narrativa não linear, não especificação das personagens e do cenário, distorção do senso de realidade e de tempo. 
A interpretação irretocável de Celina Alcântara que é simplesmente arrasadora, meticulosa e espetacular. No vídeo Celina alcança uma força ainda maior nas vezes em que o close está focado em seu rosto. Impossível assistir a performance de Celina e não ser tocado, não ser perturbado pela força com que representa a personagem. Pedro Nambuco está no mesmo patamar de Celina e me assombra apenas através de sua presença, pois representa a força e a truculência policial branca, representa toda a bestialidade dos militares que tomam conta do poder e do estado. Nambuco representa um personagem que me dá asco, de certa forma, desde suas palavras iniciais, durante a violência que trata a mulher arrastada e até mesmo quando não tem falas, nem tampouco está em cena, mas apenas pelo fato de percebermos sua presença rondando o espaço como um lobo faminto. A dupla de atores está de parabéns pelo excelente trabalho. Assim como a direção de Adriane Mottola, que soube concatenar todos os elementos da encenação, partindo do texto de Diones, e explorando o melhor dos atores. Direção primorosa que parte de elementos simples para chegar num trabalho arrojado. Elementos como o carrinho de polícia que pode até passar despercebido, mas que dentro do contexto representa toda uma parcela de policiais que agem de forma ilegal dentro de corporações e que cometem barbáries como à relatada no espetáculo. Mottola faz um teatro essencial, um verdadeiro manifesto que é bárbaro e poético ao mesmo tempo. 
Impossível não citar a iluminação funcional de Ricardo Vivian, que além de iluminar o espaço da cena onde os atores atuam, cria uma luz perfeita que dá conta de todo espaço, desde a entrada até atrás das arquibancadas criando um ambiente muitas vezes sufocantes, como a trilha sonora de Felipe Zancanaro que se faz presente em grande parte da cena, de forma sutil, operada ao vivo, uma experiência sonora que auxilia muito na construção emotiva do espetáculo. 
Sigamos clamando: Claudia da Silva Ferreira, presente!

 


FICHA TÉCNICA


Direção: Adriane Mottola Texto:Diones Camargo Elenco:Celina Alcântara e Pedro Nambuco Iluminação:Ricardo Vivian Trilha Sonora:Felipe Zancanaro Duração:50 minutos Classificação: 12 anos

+ Infos no site: mostracura.com.br


*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve críticas no blog Olhares da Cena. Integrante da GIRADRAMATÚRGICA – Grupo de Estudos em Dramaturgia Negra. Integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. Foi jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. 

 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

REVERB (BRA/FIN)

 Espetáculo Online

Mário Lopes (Brasil/Finlândia) e Malu Avelar (Brasil)

Crédito: Mario Lopes
DIA 07/12 - 21 H
Transmissão pelo site e youtube
Direção:Ana Paula Mathias
Coreografía:Mario Lopes e Malu Avelar
Trilha Sonora: Erica Navarro
Gravação e Mixagem:Adonias Souza Júnior
Gravação e Mixagem:Adonias Souza Júnior
Desenho Sonoro:Ruben Valdes
Intérpretes: Mario Lopes e Malu Avelar
Formato de realização: Videodança
Duração:60 minutos
Duração:10 minutos
Classificação:Livre
Sinopse:Reverb é uma narrativa poética visual e sonora que aborda o que existe de real entre os corpos e o espaço que os cerca. De forma atemporal a polaridade dos corpos questiona significados, convida a descobrir o invisível e com ele o fator distorcido da relação espaço-tempo. Gestos tensionados, sons, texturas e diálogos imagéticos estruturam a peça fílmica. A cena inventada por Mario Lopes e Malu Avelar se transforma em jogos múltiplos incorporados em seus corpos, os quais também falam. A criação dos movimentos faz apelo a várias percepções sensoriais. O que move esses corpos? O que não se pode dizer em palavras?
Malu Avelar: a artista nasceu na cidade histórica de Sabará, em Minas Gerais, e iniciou sua formação artística em Belo Horizonte, no Centro de Formação Artística do Palácio das Artes (CEFAR) e no Grupo Jovem Compasso. Trabalhou em conjunto com muitos importantes coreógrafos brasileiros, dentre eles Morena Nascimento, Mário Nascimento, Patrícia Avellar, Tindaro Silvano, Gal Martins, Firmino Pitanga, Mário Lopes e Luciane Ramos. Atualmente, desenvolve o seu trabalho artístico na cidade de São Paulo, com parcerias e projetos independentes. Seus últimos trabalhos foram desenvolvidos através de sua pesquisa corporal “Corpo Negro: Tensão e Urgência “, colaborando com o projeto “RÉS” da Corpórea Companhia de Corpos, premiado pelo edital “RUMOS’ e tendo como destaque o clipe da Elza Soares, “O que se cala “, o qual coreografou. No ano de 2019, participou da residência PlusAfroT na Villa Waldberta (Munique), iniciando e aprofundando duas pesquisas, uma performance em dança chamada “1300° - Qual é a saúde de um vulcão?“, com a abertura do processo na cidade de Munique, e a “Sauna Lésbica“, uma obra relacional instalativa que teve a sua primeira edição no segundo programa de residência artística do Festival Internacional Valongo (Santos/2019). A cerne da pesquisa da artista parte do aterramento desse corpo dissidente que vive em constante estado de alerta e tem uma urgência pelo movimento que circula em um mistério que vem de dentro e transborda para além dos discursos que o cristaliza.

Mário Lopes é coreógrafo e articulador/ gestor cultural. Coreógrafo integrante do coletivo DMV22, com as obras “VRUM(2009)”, “a cidade se move(2010)”, “vrumvrumzinho(2011)”, “ENTRE(2012)”, “TREPP(2013)”, “Movimento I, parado é suspeito(2014)”, performance “Keller(2015)” e o processo “Re_sistir_existir (2016)”. Em outubro de 2016 iniciou o processo da coprodução coreográfica “ALBUM kodex_ feedback” com o coreógrafo mexicano Martin Lanz, que terá estreia no dia 20 de maio de 2017 no teatro HochX-Munique. Como gestor e articulador cultural, é diretor geral e uns dos curadores da plattformPLUS/ Munique e sócio executivo da HumaVida Produções/São Paulo. Desde 2015, faz parte da equipe de articulação/ curadoria do veiculoSUR, responsável pela gestão e produção da residência na Alemanha.

CORPOS DITOS (RS)

 Espetáculo Online com Interpretação em Libras

Grupo Pretagô (RS)

Crédito: Kyky Rodrigues
DIA 07/12 - 19 H
Transmissão pelo youtube e site
Direção:Bruno Fernandes e Silvana Rodrigues
Autoria: Pretagô, baseado em discursos de diversos autores
Elenco:Bruno Cardoso, Camila Falcão, Kyky Rodrigues, Laura Lima, Manuela Miranda e Thiago Pirajira
Trilha Sonora: João Pedro Cé e Vini Silva
Direção e edição de imagem: Marina Kerber - Macumba Lab
Fotografia: Anelise De Carli
Produção e Realização:Grupo Pretagô
Duração:36 minutos
Classificação: 14 anos
Sinopse:"Existe um lugar onde estão reunidas todas as pessoas de grande potencial. Este lugar é o cemitério. Exumem as histórias das pessoas que sonharam grande e nunca viram esses sonhos se tornarem realidade. Exumem essas histórias”. CO​RPOS DITOS celebra discursos de pessoas negras. Um tratado de exaltação à vida, ao talento e as conquistas do povo negro, não celebrando unicamente pessoas de grande evidência, mas reverenciando também os corpos que não venceram e que tiveram sua história negligenciada e apagada. A partir da investigação de elementos que caracterizam a performance arte em acordo com a poética desenvolvida pelo Pretagô, os performers exploram imagens e áudios captados através de seus smartphones e criam cenas motivadas por um discurso escolhido por eles.
Crédito: Manuela Miranda

O grupo Pretagô é um quilombo de artistas que pesquisa identidade, inserção e representatividade das subjetividades negras nas artes da cena que surge em 2014 no Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS. No repertório do grupo, está Qual a Diferença entre o Charme e o Funk? (2014), Prêmio Açorianos de Teatro 2015 - Melhor Trilha Sonora; Prêmio Braskem em Cena 2018 - Melhor Espetáculo Júri Popular; AfroMe (2015), Prêmio Açorianos de Teatro 2016 - Melhor Produção, Prêmio Braskem em Cena 2016 - Melhor Espetáculo Júri Popular; Noite Pretagô (2017); Mesa Farta (2020). Em 2016, o grupo participou da ocupação artística do Projeto Usina das Artes na Usina do Gasômetro, oferecendo de forma continuada oficinas, saraus, leituras dramáticas, entre outras atividades. Em 2018, o grupo realizou o projeto Ocupação Pretagô e ao longo do ano produziu uma programação artística autoral e de artistas convidados de forma gratuita no Boteco do Paulista, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre. Em suas apresentações, contabilizam-se mais de 10.000 espectadores na cidade de Porto Alegre.

DESENCAIXOTANDO CENAS NEGRAS (RS)

 Espetáculo Online com Interpretação em Libras

Grupo Caixa Preta (RS)

Crédito: Giovani Paima
DIA 06/12 - 21 H
Transmissão pelo youtube e site
Direção:Jessé Oliveiras
Elenco / Performers:Vera Lopes, Adriana Rodrigues e Glau Barros
Duração:30 minutos
Classificação: 14 anos
Sinopse:Através da revisitação de cenas dos espetáculos Transegun, Hamlet Sincrético, Antígona BR e Ori Orestéia repensar a trajetória artística das atrizes recriando as cenas anos depois.
Crédito: Giovani Paim

O Grupo Caixa-Preta é um dos pioneiros do moderno teatro negro brasileiro, formado por artistas negros, surgiu no cenário gaúcho em 2002, tendo, logo, se tornado um dos mais expressivos grupos de teatro do Rio Grande do Sul. Ao longo de sua trajetória o Grupo realizou os espetáculos: Transegun, de Cuti (2003), Hamlet Sincrético (2005), baseado na obra de William Shakespeare, o monólogo Madrugada, Me Proteja (2007), de Cuti, Antígona BR (2008), O Osso de Mor Lam (2010), do senegalês Birago Diop, Dois Nós na Noite (2010) e Ori Orestéia (2015), terceira parte da Trilogia da Identidade. Realizou, ininterruptamente, de 2006 a 2013, o Encontro de Arte de Matriz Africana, evento de discussão da arte afro-brasileira trazendo expressivos artistas e pesquisadores negros. Ainda publicou a Revista Matriz, propiciando reflexão e memória das artes negras. Em 2007 recebeu o prêmio Florêncio de melhor espetáculo estrangeiro no Uruguai, além de ter realizado apresentações na capital e interior do Uruguai e também em Ribeirão Preto - SP. Foi indicado ao Prêmio Açorianos nas categorias Melhor espetáculo, direção, figurino, trilha sonora, ator coadjuvante e atriz coadjuvante, tendo recebido o Prêmio RBS de Melhor espetáculo Juri Popular por “Hamlet Sincrético”. Em 2019 lançou o livro Hamlet Sincrético - Em Busca de Um Teatro Negro durante o Porto Alegre em Cena e realiza a performance Noite Sincrética.