domingo, 15 de março de 2020

VENCEDORES DO 10 PRÊMIO OLHARES DA CENA


Votaram no 10º Prêmio Olhares da Cena: 
Diego Ferreira
Igor Ramos
José Henrique Alves
e Juliana Johann

PRÊMIO ESPECIAL

CONVERSAS MACARENANDO da Macarenando Dance Concept
A comissão do Prêmio Olhares da Cena concede o Prêmio Especial ao projeto CONVERSAS MACARENANDO da Macarenando Dance Concept pelo projeto da gestão e abertura do diálogo a todos interessados sem hierarquia e formalidade. Um projeto que merece o olhar dos artistas da cidade. O objetivo é simples: a rede, o networking, a conversa, o bate-papo e a troca entre todos os interessados, sem hierarquia e formalidade, mas não dispensando o comprometimento e a sensibilidade necessários para um diálogo construtivo.Foram realizadas oito CONVERSAS em 2019, em locais diferentes e com variadas temáticas.


MAQUIAGEM


Elison Couto - MILHÕES CONTRA UM

DESIGN GRÁFICO


Teatro Sarcáustico - A ÚLTIMA PEÇA

FOTOGRAFIA DE CENA


Regina Peduzzi Protskof - A MULHER ARRASTADA

TRILHA SONORA


Caio Amon – 2068

ILUMINAÇÃO


Casemiro Azevedo - MILHÕES CONTRA UM  

CENÁRIO


Jony Pereira - ELAS


FIGURINO

Antônio Rabadan – EM CHAMAS

ATRIZ COADJUVANTE


Bruna Casali – 90 ceias

ATRIZ

Aline Marques – LÊ BUFE

ATOR COADJUVANTE


Maurício Schneider – 90 ceias

ATOR


Lauro Fagundes – EM CHAMAS
 

DRAMATURGIA

Aline Marques e Eduardo d'Avila - LÊ BUFÊ

DIREÇÃO


Gabriela Poester – A ÚLTIMA PEÇA


ESPETÁCULO

A MULHER ARRASTADA



MAQUIAGEM


Jennifer Ribeiro e Jardel Rocha - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

DESIGN GRÁFICO / IDENTIDADE VIRTUAL


André Varela e Suzana Witt - EXPEDIÇÃO MONSTRO

FOTOGRAFIA DE CENA


Adriana Marchiori e Tom Peres - EXPEDIÇÃO MONSTRO

TRILHA SONORA


Álvaro RosaCosta – CHAPEUZINHO VERMELHO

ILUMINAÇÃO


Thais Andrade - CHAPEUZINHO VERMELHO 

CENÁRIO


Coletivo Órbita - MACBETH E O REINO SOMBRIO


FIGURINO


Daniel Lion – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO

ATRIZ COADJUVANTE

Danuta Zaghetto – EXPEDIÇÃO MONSTRO

ATRIZ


Camila Pasa – MACBETH E O REINO SOMBRIO

ATOR COADJUVANTE


Roger Santos – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ATOR


Thiago Silva – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO

DRAMATURGIA


Matheus Melchiona e grupo - EXPEDIÇÃO MONSTRO

DIREÇÃO


João Pedro Decarli – MACBETH E O REINO SOMBRIO

ESPETÁCULO


JUNHO - UMA AVENTURA IMAGINÁRIA 



MAQUIAGEM


Projeto GOMPA – FRANKENSTEIN 

DESIGN GRÁFICO / IDENTIDADE VISUAL


Mônica Kern - DAS AMARRAS DELA

FOTOGRAFIA DE CENA


Maciel Goelzer - SAMBARACOTU

FIGURINO


Antônio Rabadan - AS VEZES EU KAHLO

CENÁRIO


Alex Sander dos Santos – CLLÃ

ILUMINAÇÃO

Gui Malgarizi e Sandra Santos – DANCE A LETRA – CAETANO

TRILHA SONORA

Thiago Ramil e Loua Oula Djembé – VAGA

BAILARINA

Lauren Laurent – CLLÃ

BAILARINO

Douglas Jung – FRANKENSTEIN

DIREÇÃO


Maria Waleska van Helden – VAGA 

ESPETÁCULO


CLLÃ

segunda-feira, 2 de março de 2020

NOTA SOBRE A ENTREGA PRÊMIO OLHARES DA CENA

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Prezados, é com grande alegria que divulgamos que a revelação dos vencedores do Prêmio Olhares da Cena 2019 será realizada no dia 15 de março, mas é com grande pesar que divulgamos que a revelação se dará apenas de modo virtual através de uma live no Instagram do Olhares da Cena. Nesta edição festiva onde comemoramos 10 anos de história tinhamos o desejo de realizar uma cerimônia digna para a reunião da classe teatral, e já existia até reserva no teatro de Arena, portanto não conseguimos nenhum apoio público ou privado e nossa campanha no Catarse não atingiu os valores que necessitavamos para realizar uma festa DIGNA a todos os profissionais envolvidos. Em tempos onde valores são invertidos e educação, arte e cultura são totalmente desvalorizados a resistência é necessária e por isso entendemos que nossa classe merece RESPEITO e por isso não vamos fazer qualquer coisa. Fica nosso respeito e admiração a todos os espetáculos inscritos, todos os profissionais da arte e todos os indicados e deixo aqui um agradecimento especial aos nossos apoiadores do CATARSE, que serão reembolsados com o valor apoiado, mas que merecem nossos aplausos: 
Felipe Evangelista
Maria Waleska van Helden
Camila Vergara
Jaques Machado
Gustavo Lops Susin
Elisete Marques
Fabiane Severo
Susete Castro Martinez
Mauricio Schneider
Alvaro RosaCosta
Roberto Mendes

A vocês o nosso aplauso.
E convidamos a todos a acompanhar a revelação dos vencedores no próximo dia 15/03 na live do instragram. 


sábado, 8 de fevereiro de 2020

DE LA MANCHA - O CAVALEIRO TRAPALHÃO (RS)




ADAPTAÇÃO LITERÁRIA IRRETOCÁVEL EM TEMPOS DE CENSURA AOS LIVROS

por Diego Ferreira*

ESPECIAL PORTO VERÃO ALEGRE 2020



Resgatar a obra de Cervantes e trazer a tona questões intrínsecas contidas em Dom Quixote já é um grande mérito na nova peça da Rococó Produções. Enxergamos no palco um espetáculo esteticamente bem apurado e politicamente bastante estruturado, apesar da produção ser dirigida aos pequenos percebo um discurso político bem claro e definido. O espetáculo se utiliza de metáforas e humor e não fica em cima do muro, pelo contrário, faz uma reflexão inteligente sobre o momento atual que nosso país passa. A tarefa não é nada fácil de adaptar a obra de Miguel de Cervantes com mais de 400 anos e transpor a narrativa aos dias de hoje, mas a dramaturgia de Guilherme Ferrêra vence a dificuldade e consegue um verdadeiro milagre pois a adaptação por si já é algo difícil, mas nesse caso, trata-se de uma versão para a cena e com apenas dois atores e pelo resultado final conseguimos ter o cerne da obra de Cervantes viva e pulsante. "De la Mancha - o cavaleiro trapalhão" é um espetáculo que explora o campo da teatralidade e do jogo cênico. A teatralidade funciona no espetáculo como um processo no qual os atores modificam a perspectiva das coisas afim de obrigar o espectador a 'vê-las de maneira diferente'. Ela implica a existência de uma defasagem entre a vida e a cena, entre a ação natural e a ação teatralizada. A dualidade cênica proposta pelos dois atores é calcada nas convenções do teatro épico proposto por Brecht onde a todo o momento o jogo é construído e destruído afim de quebrar a quarta parede junto ao espectador e isso imprime no espetáculo um ritmo que não anestesia o espectador, pelo contrário, o público se conserva intelectualmente capaz de assumir o que é mostrado no palco, ou seja, uma postura crítica em relação ao trabalho e sobre o que o ocorre na sociedade atual. Confesso que quando assisti ao espetáculo pensei sobre qual o alcance que teria junto ao público infanto-juvenil devido a transposição da obra junto a um forte apelo político ( eu sinceramente amei todas as críticas contidas no espetáculo relacionadas ao atual governo pelo o que eu defendo e acredito enquanto artista e cidadão), porém fiquei pensando que em tempos de censura, um espetáculo como esse pode ser uma faca de dois gumes, pois existe uma forte patrulha ideológica e fiz o exercício de imaginar "De la mancha" sendo apresentado dentro de uma escola ou feira de livro onde o público é mais heterogêneo, e através disso imaginar a reação das plateias que são a favor do governo atual, fiquei curioso de saber qual seria a reação delas frente a obra apresentada. Por outro lado, justamente pelo momento que vivemos temos que falar sobre política(s), apartidária, mas é necessário chegar a estas plateias, muitas vezes pouco habituadas a estes temas, e neste sentido esta produção é ideal, pois trata de política sem ser didático, com humor e principalmente não mascara a complexidade que é se posicionar hoje.  
No palco não há bons nem maus, não há capitalistas versus comunistas – antes se levam reflexões para cima do palco, olhando a forma como vivemos 
e nos relacionamos em sociedade e, com preocupação, a forma como vêm aumentando os discursos nacionalistas. E hoje o que precisamos é justamente uma responsabilização individual perante o que nos rodeia. As soluções do futuro ainda não 
as pensámos, são as crianças 
que as vão encontrar. "De la mancha" 
é literalmente para elas e para todos nós que sonhamos com dias melhores. Das questões estéticas o espetáculo é irretocável pois parte do texto e direção primorosa de Guilherme Ferrêra, a atuação literalmente épica de Ferrêra e Henrique Gonçalves que é de uma precisão e preciosidade, de um modo artesanal e ético de encarar a profissão, e percebo que nos últimos anos esta dupla tem encarado grande desafios e a cada novo trabalho somos surpreendidos e arrebatados por suas criações. Aplausos a toda equipe técnica do trabalho pois os elementos da cena estão todos jogando na mesma sintonia. A trilha sonora pulsante e caliente, a iluminação com precisão e novas possibilidades de texturas na cena, o funcional e belo figurino, assim como todos os adereços e o cenário que ambientam o espaço da ação. Portanto, diante de tudo isso, e em tempos de censura de obras literárias, "De la mancha - o cavaleiro trapalhão" é um espetáculo indispensável para quem gosta de literatura, gosta de Cervantes, gosta de bom teatro e quer ir ao teatro e posteriormente dialogar e tecer reflexões sobre a obra apresentada junto ao seu filho. Um grande trabalho!Viva a liberdade de expressão! Viva a literatura e não a censura!


Ficha Técnica

Livremente inspirado na obra de Miguel Cervantes
“Dom Quixote de La Mancha”

Adaptação e Direção: Guilherme Ferrêra
Elenco: Guilherme Ferrêra e Henrique Gonçalves
Trilha Sonora Original: Pedro Borghetti e Guilherme Ceron
Produção Musical: Guilherme Ceron | Toca do Graxaim
Provocação coreográfica: João Raphael de Paula
Iluminação: Roger Santos
Sonoplastia: Vinicius Soares
Figurino: Lúcia Machado
Maquiagem: Suzana Machado
Cenografia: Rococó Produções
Adereços de arame: Jairo Teixeira artesão
Fotografias: Tom Peres
Viodeomaker: Julio Estevan
Identidade Visual: Jéssica Barbosa
Apoio Cultural: Riatitá Flamenco
Assistente de Produção: Alessandra Bier

Produção e Realização: Rococó Produções Artísticas e Culturais



*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É jurado e coordenador do Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

OS SALTIMBANCOS - EM BUSCA DA LIBERDADE (RS)

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MUSICAL CERTEIRO SOBRE OPRESSÕES E LIBERDADES

por Diego Ferreira*


"Os Saltimbancos - em busca da liberdade" marca a passagem dos 20 anos do Grupo Teatral Leva Eu da cidade de Viamão e na minha visão marca também um avanço na pesquisa do grupo, pois pude acompanhar outras montagens do coletivo e nesta nova produção percebe-se que a maturidade tras ótimos resultados ao grupo e revela um espetáculo extremamente bem acabado. 
Em tempos onde nossa liberdade está sendo todo dia colocada a prova, onde ocorre o desmantelamento da cultura e da arte por um governo que é contra toda e qualquer forma de expressão artística e cultural, a escolha do Leva Eu, pela obra "Os Saltimbancos" é um tiro certeiro, pois além de ser um clássico do teatro brasileiro desvela uma narrativa que fala sobre opressão e liberdades, que este trabalho já traz estampado no sub-título "em busca da liberdade". A obra é uma adaptação da versão do Chico Buarque que também é uma adaptação de um conto dos irmãos Grimm. A fábula trata da vida de quatro animais que cansados de serem explorados por seus donos, fogem para a cidade para tentar a vida como músicos. Aqui já podemos traçar uma analogia com o que é ser artista hoje num país que não constrói nada culturalmente enquanto estado, apenas destrói o que artistas levaram muito tempo para consolidar e coloca o Brasil no mapa cultural do mundo pela qualidade que existe.  Pensado o espetáculo como uma alegoria política a Galinha representa a classe operária, o Jumento representaria os trabalhadores do campo, o Cachorro os militares e a Gata representaria os artistas. O Barão, que no espetáculo é representado por bonecos de grandes proporções (excelente trabalho de Niltamara Gomes), que é inimigo dos animais, poderia ser a personificação das elites que através de dispositivos criados no atual panorama brasileiro está conseguindo modos "legítimos" de explorar as classes operárias.  Contudo isso o clássico ganha muito através do Grupo Leva Eu, essa abordagem política, que trata de temas como este, mas se utilizando de metáforas e de uma linguagem artística apropriada aos pequenos e aos adultos. Trata-se de um musical que esteticamente é impecável a começar pela criação de toda identidade visual de Vergílio Lopes, que é rica em detalhes e extremamente de bom gosto. Seguindo pela palheta de cores do espetáculo que consegue criar um trabalho com um forte apelo visual desde os cenários criados pelo grupo e executados por Luiz Antonio Bassedoni, pela pontual iluminação proposta por Patrick Simões, pela maquiagem criada por Tuti Kerber que sem exageros auxilia muito na personificação dos animais e nos figurinos de Laura Bauermann que brinca com cores e texturas que são belos e funcionais. 
Muitas vezes não consigo compreender como diretores conseguem dirigir um trabalho e ao mesmo tempo atuar, pois cada função isolada já demanda muito trabalho, mas neste caso Igor Ramos está de parabéns pelas duas funções executadas pois nenhuma das duas deixa a desejar, porém creio que o destaque maior recai sobre sua direção que é precisa pois temos um espetáculo limpo, onde cada elemento tem seu lugar, cada ação, coreografia e canção, tudo  muito bem organizado pela direção, principalmente o coletivo de atores formado pelo próprio Ramos juntamente com Juliana Johann, Gabriele Motta e Renata Severo que dão vida aos animais, além de cantarem, dançarem e realizar a manipulação de bonecos e todos os objetos de cena. O elenco joga junto e isto é ótimo, pois ninguém se sobressai ao outro colega de cena, todos trabalham em uníssono, de modo harmônico e todos estão muito bem em cena. 
O único porém da produção, é que por se tratar de um musical, justamente a questão do canto talvez seja o ponto ainda a ser trabalhado do espetáculo, não que a direção musical de Mádhava Turynan não tenha sido eficiente, pelo contrário, pois os atores e toda a construção musical está de acordo dentro da produção, até por se tratar de um musical em que a maioria das músicas já são conhecidas por todos de antemão,  mas o que ocorre, é que alguns casos a emissão vocal nas canções é dentro de um registro baixo, compreensível até certo ponto pois tentam adequar ao registro de cada ator, e percebe-se o esforço de executar o canto da melhor forma possível, mas em algumas canções o volume baixo acaba interferindo no ritmo do próprio espetáculo, mas isso com certeza pode e deve ser ajustado a medida que o próprio espetáculo vai amadurecendo. De toda forma, a trilha sonora é essencial e funciona muito bem, apenas atentar para a questão da emissão e ritmo e tudo estará de acordo, neste espetáculo extremamente lindo do Grupo Leva Eu, que merece nosso aplauso pela trajetória, resistência de sobreviver fora da capital e claro pelo trabalho "Os Saltimbancos - em busca da liberdade", que é atual e cuidadoso em todos os detalhes. 



Ficha técnica:
Elenco: Gabriele Motta, Igor Ramos, Juliana Johann e Renata Severo | Texto: Sergio Bardotti | Trilha Sonora: Luis Enrique Bacalov | Tradução: Chico Buarque | Criação de Identidade Visual: Vergílio Lopes | Figurino: Laura Bauermann | Criação de maquiagem: Tuti Kerber | Criação de cenografia: Grupo Leva Eu | Construção de Cenografia: Luiz Antonio Bassedoni da Silva | Iluminação: Patrik Simões| Operador de som: Juliano Félix | Orientação cênica de teatro animado e confecção de bonecos: Niltamara Gomes | Fotografia: Artecolor | Produção Executiva: Arih Lopes – Raiar Produções | Direção Musical: Mádhava Turyan | Direção Coreográfica: Juliana Johann | Direção Geral: Igor Ramos

*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É jurado e coordenador do Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

CUNHÃS (RS)

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ALEGORIA TEATRAL RETRATA MULHERES FORTES

por Diego Ferreira*

“No dia em que nasci, as pessoas da nossa aldeia tiveram pena da minha mãe, e ninguém deu parabéns a meu pai. Vim ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga. Nós, pachtuns, consideramos esse um sinal auspicioso. Meu pai não tinha dinheiro para o hospital ou para uma parteira; então uma vizinha ajudou minha mãe. O primeiro bebê dos meus pais foi natimorto, mas eu vim ao mundo chorando e dando pontapés. Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar.” 


O fragmento acima é um depoimento de Malala Yousafzai e dá o tom de "Cunhãs - Histórias de mulheres que inspiram" espetáculo do Coletivo Panapaná de Canoas. O espetáculo retrata histórias de mulheres fortes que a seu modo marcaram a história justamente por suas lutas em diversas áreas. Além de Malala surgem outras mulheres fortes como Frida Kahlo, Maria da Penha e Domitila de Chungara, e se mostra um trabalho forte, de pesquisa embasada que mergulha na vida e obra destas mulheres. Etimologicamente "Cunhã" significa mulher, esposa, companheira e o Panapaná se propõe a buscar, ressignificar e expressar a voz muitas vezes caladas destas mulheres. Partindo disso, o espetáculo se torna uma celebração festiva, política e reflexiva que oscila entre momentos que celebramos a vida como na cena de Frida Kahlo, onde vivenciamos uma festa dos mortos com música, bebidas e comidas típicas e cenas tensas como a cena de Maria da Penha, que tem forte apelo dramático, (uma das cenas que mais gosto da produção pelo equilíbrio na interpretação de Janete Costa). Outro ponto produtivo é a abertura que o trabalho tem em relação a participação do público na cena, onde em vários momentos mulheres da plateia são convidadas a participar da cena através de olhares, toques, e afetividades como o trançar o cabelo de uma espectadora, marcar a pele com uma pintura, ou até mesmo elaborar uma pintura na cena da Frida, e isso tudo é muito interessante na forma como é conduzida. "Cunhãs" me tocou profundamente de um modo bastante particular pela pesquisa e entrega das atrizes Janete Costa e Raquel Amsberg que estão de parabéns pelo trabalho consistente. A produção trabalha com várias camadas que partem de cenas alegóricas para falar de genero e política mas de um modo teatralizado e ritualístico que em muitos momentos me reporta ao trabalho desenvolvido pelo grupo Ói nóis aqui traveiz, na utilização do canto, do rito, da cena alegórica, do contexto político e nas interpretações exacerbadas, no partilhar de alimentos e bebidas e na celebração do teatro como um encontro verdadeiro de vida e arte. 
Por se tratar de um espetáculo de mulheres fortes "Cunhãs" tem um aspecto negativo que é a presença masculina do ator Gabriel Gonçalves por duas razões: a primeira é que o andamento do espetáculo já estava bastante adiantado e o espectador já estava ambientado com a sequência de história de mulheres e que até então as duas atrizes comandavam a cena, na minha opinião, a presença masculina é dispensável do painel que retrata mulheres, a participação da platéia nas intervenções é de mulheres, e o espetáculo é das mulheres, que a cena em que tanto o mineiro quanto o sindicalista aparece não agrega nada a dramaturgia feminista que o espetáculo prega, penso que Janete e Raquel tem capacidade suficiente para amarrar essa dramaturgia e apenas com suas presenças dar conta de contar a história, e segundo que a presença do ator enfraquece a narrativa pois sua interpretação é dura, enrijecida, forçada o que acaba puxando o tom da encenação para baixo diferente de Raquel e Janete que estão totalmente entregues em suas representações. Sugiro que a direção trabalhe com o ator como conseguir alcançar sutilezas no modo de se expressar, pois assim conseguirá se equiparar ao tom poético que todo o espetáculo consegue alcançar. Outra questão é que o espetáculo é demasiado longo e de como o coletivo possa resolver para conseguir prender a atenção do público durante quase duas horas de encenação. Destaque para a presença de Karine Cunha que com seu canto contagia todos os espectadores, e que quem acompanha seu trabalho sabe que através de seu canto consegue lutar também por todas as mulheres, assim como as mulheres retratadas na peça. Diante de tudo isso, quando tiver a oportunidade, "Cunhãs" merece ser assistido pelo cuidado e profissionalismo da produção e a certeza de que o Coletivo Panapaná é uma das gratas surpresas que surge na cidade de Canoas, o que exalta o bom teatro realizado na cidade que tem como representantes grupos como o "De pernas pro ar", "Grupo TIA", Khaos Cênica, Galegos e Frangalhos e o Panapaná. 


FICHA TÉCNICA:

Elenco:
Janete Costa -   Malala, Maria, Fridinha, Domitila, Mulher 1, Maria da Penha
Raquel Amsberg -  Malala, Frida, Norberta, Capitalista, Maria Degolada, Mulher 2 Sindicalista
Deborah Gonzalez - Político (na cena dos capitalistas)
Gabriel Gonçalves - Sindicalista - mineiro
Direção: Coletiva
Música “Cunhãs”:  Karine Cunha

*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É jurado e coordenador do Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

INDICADOS AO 10º PRÊMIO OLHARES DA CENA - 2019



Votaram no 10º Prêmio Olhares da Cena: 
Diego Ferreira
Igor Ramos
José Henrique Alves
e Juliana Johann


MAQUIAGEM

Aline Marques e Eduardo d'Ávila - LÊ BUFE
Elison Couto - MILHÕES CONTRA UM
Fábrica de Experiências - F.R.A.M.E.S
Nina Alves - LEONCE E LENA
Valquiria Cardoso - SOBRE NÓS

DESIGN GRÁFICO

Felipe Brockstedt  - EM CHAMAS
Gilmar Barcarol  - LÊ BUFE
Marina Kerber - ARENA SELVAGEM
O Grupo - 90 CEIAS
Teatro Sarcáustico - A ÚLTIMA PEÇA

FOTOGRAFIA DE CENA

Adriana Marchiori  - INIMIGOS NA CASA DE BONECAS
Adriana Marchiori  - MILHÕES CONTRA UM
Fabricio Simões – 2068
Regina Peduzzi Protskof - A MULHER ARRASTADA
Teatro Sarcáustico - A ÚLTIMA PEÇA

TRILHA SONORA

Caio Amon – 2068
Felipe Fiorenza – LEONCE E LENA
Felipe Zancanaro – A MULHER ARRASTADA
Vitório O. Azevedo – A ÚLTIMA PEÇA
Vitório O. Azevedo - MILHÕES CONTRA UM 

ILUMINAÇÃO

Carol Zimmer – EM CHAMAS
Casemiro Azevedo - MILHÕES CONTRA UM  
Fabiana Santos – 2068
Ricardo Vivian – A MULHER ARRASTADA
Ricardo Vivian - SOBRE NÓS


CENÁRIO

Coletivo Gaivota - SOBRE NÓS
Élcio Rossini - INIMIGOS NA CASA DE BONECAS
Grupo Oazes - MILHÕES CONTRA UM
Jony Pereira - ELAS
Teatro Sarcáustico – A ÚLTIMA PEÇA

FIGURINO

Aline Marques e Eduardo d'Avila - LÊ BUFÊ
Antônio Rabadan – EM CHAMAS
Eduardo Arruda e Carmen Arruda – LEONCE E LENA
Liane Venturella – 2068
Teatro Sarcáustico – A ÚLTIMA PEÇA

ATRIZ COADJUVANTE

Aline Armani – SOBRE NÓS
Bruna Casali – 90 ceias
Elisa Heidrich – ARENA SELVAGEM
Manoela Wunderlich – ARENA SELVAGEM
Marina Fervenza – 90 ceias

ATRIZ
Aline Marques – LÊ BUFE
Celina Alcantara – A MULHER ARRASTADA
Fernanda Petit – FRAMES
Guadalupe Casal – A ÚLTIMA PEÇA
Lisiane Medeiros – MILHÕES CONTRA UM

ATOR COADJUVANTE

Carlos Azevedo – MILHÕES CONTRA UM
Eduardo D’ávila – LÊ BUFÊ
Eriam Schoenardie – 90 CEIAS
Maurício Schneider – 90 ceias
Pedro Nambuco – A MULHER ARRASTADA

ATOR

Caco Coelho – HISTÓRIA DO FUTURO
Frederico Vittola – VELHOS HÁBITOS
Lauro Fagundes – EM CHAMAS
Lincon Spezialli – SOBRE NÓS
Ricardo Zigomático – A ÚLTIMA PEÇA 

DRAMATURGIA

Aline Marques e Eduardo d'Avila - LÊ BUFÊ
Caco Coelho - HISTÓRIA DO FUTURO
Carina Corá – 90 ceias
Diones Camargo – A MULHER ARRASTADA
Frederico Vittola e Thiago Silva – VELHOS HÁBITOS

DIREÇÃO

Eduardo Severino – HISTÓRIA DO FUTURO 
Gabriela Poester – A ÚLTIMA PEÇA
Léo Maciel – SOBRE NÓS
Ricardo Zigomático – MILHÕES CONTRA UM 
Vitória Titton – 90 ceias

ESPETÁCULO
2068
90 ceias
A MULHER ARRASTADA
A ÚLTIMA PEÇA
LÊ BUFÊ




MAQUIAGEM

Camila Falcão - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Coletivo Órbita - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Jennifer Ribeiro e Jardel Rocha - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Núcleo Teatral – A INCRIVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Suzana Machado - DE LA MANCHA – O CAVALHEIRO TRAPALHÃO

DESIGN GRÁFICO / IDENTIDADE VIRTUAL

Ana Paula Decarli - MACBETH E O REINO SOMBRIO
André Varela e Suzana Witt - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Jardel Rocha - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Jéssica Barbosa - CHAPEUZINHO VERMELHO
Trupi di Trapu - BANDELE

FOTOGRAFIA DE CENA

Adriana Marchiori  - CHAPEUZINHO VERMELHO
Adriana Marchiori e Tom Peres - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Andréa Seligman e Giuliano Bueno - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIACia Teatro Lumbra - CRIATURAS DA LITERATURA
Estevão Dornelles - MACBETH E O REINO SOMBRIO

TRILHA SONORA

Álvaro RosaCosta – CHAPEUZINHO VERMELHO
Carina Levitan e Guilherme Ceron - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Felipe Zancanaro – A EXTRAORDINÁRIA AVENTURA ROMÂNTICA DE MIRANDA E LÉO LOURIVAL
Pedro Borghetti e Guilherme Ceron- DE LA MANCHA–O CAVALHEIRO TRAPALHÃO
Rafael de Carli - MACBETH E O REINO SOMBRIO

ILUMINAÇÃO

Alexandre Fávero – CRIATURAS DA LITERATURA
Ariel Medeiros - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Bathista Freire - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Carolina Silva Zimmer - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Thais Andrade - CHAPEUZINHO VERMELHO 

CENÁRIO

Coletivo Órbita - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Élcio Rossini - CHAPEUZINHO VERMELHO
José Renato Leão - A INCRÍVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Marcos Buffon - O GATO DE BOTAS... E DE BOMBACHAS
Roger Santos - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

FIGURINO

Daniel Lion – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO
Daniel Lion - CHAPEUZINHO VERMELHO
Lúcia Machado - DE LA MANCHA – O CAVALHEIRO TRAPALHÃO
Mari Falcão e Camila Falcão - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Jardel Rocha - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ATRIZ COADJUVANTE

Alana Souza - A INCRÍVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Danuta Zaghetto – EXPEDIÇÃO MONSTRO
Fabiane Severo - CHAPEUZINHO VERMELHO
Janaína Pelizzon - A EXTRAORDINÁRIA AVENTURA ROMÂNTICA DE MIRANDA E LÉO LOURIVAL
Pamela Bratz – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ATRIZ

Ana Caroline de David – EXPEDIÇÃO MONSTRO
Alessandra Bier – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Camila Pasa – MACBETH E O REINO SOMBRIO
Laura Hickmann – CHAPEUZINHO VERMELHO
Miriã Possani - A EXTRAORDINÁRIA AVENTURA ROMÂNTICA DE MIRANDA E LÉO LOURIVAL

ATOR COADJUVANTE

Dejayr Ferreira – O GATO DE BOTAS E DE BOMBACHAS
Hamilton Caldas  - A INCRÍVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Henrique Gonçalves – CHAPEUZINHO VERMELHO
João Pedro Decarli – MACBETH E O REINO SOMBRIO
Roger Santos – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ATOR

Guilherme Fêrrera  - CHAPEUZINHO VERMELHO
Jardel Rocha - JUNHO - UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Lauro Fagundes - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Rodrigo Waschburger - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Thiago Silva – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO

DRAMATURGIA

Danuta Zaghetto, Fabiana Santos, Luiz Manoel, Sue Gotardo e Thiago Silva – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO
João Pedro Decarli - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Joel Pommerat - CHAPEUZINHO VERMELHO
Matheus Melchiona e grupo - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Thiago Silva - JUNHO - UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

DIREÇÃO

Camila Bauer – CHAPEUZINHO VERMELHO
Lisiane Medeiros – A PRAGA DE UNICÓRNIOS
João Pedro Decarli – MACBETH E O REINO SOMBRIO
Sue Gotardo – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO
Thiago Silva – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ESPETÁCULO

CHAPEUZINHO VERMELHO
DE LA MANCHA – O CAVALEIRO TRAPALHÃO
EXPEDIÇÃO MONSTRO
JUNHO - UMA AVENTURA IMAGINÁRIA 
MACBETH E O REINO SOMBRIO



MAQUIAGEM

Canoas Coletivo de Dança – SAMBARACOTU
GEDA Cia de Dança - AS VEZES EU KAHLO
Macarenando Dance Concept - DAS TRIPAS SENTIMENTO
Muovere Cia de Dança - RE-SINTOS
Projeto GOMPA – FRANKENSTEIN 

DESIGN GRÁFICO / IDENTIDADE VISUAL

GEDA Cia. De Dança - ÀS VEZES EU KAHLO
Jéssica Barbosa - FRANKENSTEIN
Mônica Kern - DAS AMARRAS DELA
Pedro Mancuso – CHOKING
Pedro Mancuso – RE-SINTOS

FOTOGRAFIA DE CENA

Cristina Lima - CHOKING
Gui Malgarizi – ABOBRINHAS RECHEADAS – DANCE A LETRA
Gui Malgarizi - DANCE A LETRA - CAETANO
Lívia Dávalos e Leo Saldanha - CLLÃ
Maciel Goelzer - SAMBARACOTU

FIGURINO

Antônio Rabadan - AS VEZES EU KAHLO
Antônio Rabadan – CHOKING
Antônio Rabadan – RE-SINTOS
Margarida Rache – CLLÃ
Renan Villas – FRANKENSTEIN

CENÁRIO

Alex Sander dos Santos – CLLÃ
Antônio Rabadan – AS VEZES EU KAHLO
Élcio Rossini – FRANKENSTEIN
Luís Cocolichio - DAS AMARRAS DELA
Muovere Cia de Dança – RE-SINTOS

ILUMINAÇÃO

Carol Zimmer – AS VEZES EU KAHLO
Casemiro Azevedo – RE-SINTOS
Gui Malgarizi e Sandra Santos – DANCE A LETRA – CAETANO
Ricardo Vivian – FRANKENSTEIN
Ricardo Vivian – SAMBARACOTU

TRILHA SONORA
Aldo D’Ibaños – CLLÃ
Álvaro RosaCosta – FRANKENSTEIN
Álvaro RosaCosta e Simone Rasslan – SAMBARACOTU
Diego Mac – RE-SINTOS
Thiago Ramil e Loua Oula Djembé – VAGA

BAILARINA
Fabiane Severo – FRANKENSTEIN
Lauren Laurent – CLLÃ
Luciana Dariano – CLLÃ
Juliana Rutkowski - ABOBRINHAS RECHEADAS DANCE A LETRA Roberta Savian – RE-SINTOS

BAILARINO
Alex Sander dos Santos – CLLÃ
Denis Gosch – RE-SINTOS
Diego Mac - ABOBRINHAS RECHEADAS DANCE A LETRA 
Douglas Jung – FRANKENSTEIN
Nilton Gaffree - ABOBRINHAS RECHEADAS DANCE A LETRA

DIREÇÃO

Alex Sander dos Santos e Carlota Albuquerque – CLLÃ
Camila Bauer – FRANKENSTEIN
Diego Mac e Gui Malgarizi – DANCE A LETRA – CAETANO
Jussara Miranda – RE-SINTOS
Maria Waleska van Helden – VAGA –

ESPETÁCULO

CLLÃ
DANCE A LETRA – CAETANO
FRANKENSTEIN
RE-SINTOS
VAGA


Parabenizamos todos os indicados e aproveitamos para pedir o apoio de todos para conseguirmos viabilizar uma cerimônia de entrega dos troféus. Clique no LINK CATARSE e ajude um projeto totalmente independente a sair do papel.