quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

INDICADOS AO 10º PRÊMIO OLHARES DA CENA - 2019



Votaram no 10º Prêmio Olhares da Cena: 
Diego Ferreira
Igor Ramos
José Henrique Alves
e Juliana Johann


MAQUIAGEM

Aline Marques e Eduardo d'Ávila - LÊ BUFE
Elison Couto - MILHÕES CONTRA UM
Fábrica de Experiências - F.R.A.M.E.S
Nina Alves - LEONCE E LENA
Valquiria Cardoso - SOBRE NÓS

DESIGN GRÁFICO

Felipe Brockstedt  - EM CHAMAS
Gilmar Barcarol  - LÊ BUFE
Marina Kerber - ARENA SELVAGEM
O Grupo - 90 CEIAS
Teatro Sarcáustico - A ÚLTIMA PEÇA

FOTOGRAFIA DE CENA

Adriana Marchiori  - INIMIGOS NA CASA DE BONECAS
Adriana Marchiori  - MILHÕES CONTRA UM
Fabricio Simões – 2068
Regina Peduzzi Protskof - A MULHER ARRASTADA
Teatro Sarcáustico - A ÚLTIMA PEÇA

TRILHA SONORA

Caio Amon – 2068
Felipe Fiorenza – LEONCE E LENA
Felipe Zancanaro – A MULHER ARRASTADA
Vitório O. Azevedo – A ÚLTIMA PEÇA
Vitório O. Azevedo - MILHÕES CONTRA UM 

ILUMINAÇÃO

Carol Zimmer – EM CHAMAS
Casemiro Azevedo - MILHÕES CONTRA UM  
Fabiana Santos – 2068
Ricardo Vivian – A MULHER ARRASTADA
Ricardo Vivian - SOBRE NÓS


CENÁRIO

Coletivo Gaivota - SOBRE NÓS
Élcio Rossini - INIMIGOS NA CASA DE BONECAS
Grupo Oazes - MILHÕES CONTRA UM
Jony Pereira - ELAS
Teatro Sarcáustico – A ÚLTIMA PEÇA

FIGURINO

Aline Marques e Eduardo d'Avila - LÊ BUFÊ
Antônio Rabadan – EM CHAMAS
Eduardo Arruda e Carmen Arruda – LEONCE E LENA
Liane Venturella – 2068
Teatro Sarcáustico – A ÚLTIMA PEÇA

ATRIZ COADJUVANTE

Aline Armani – SOBRE NÓS
Bruna Casali – 90 ceias
Elisa Heidrich – ARENA SELVAGEM
Manoela Wunderlich – ARENA SELVAGEM
Marina Fervenza – 90 ceias

ATRIZ
Aline Marques – LÊ BUFE
Celina Alcantara – A MULHER ARRASTADA
Fernanda Petit – FRAMES
Guadalupe Casal – A ÚLTIMA PEÇA
Lisiane Medeiros – MILHÕES CONTRA UM

ATOR COADJUVANTE

Carlos Azevedo – MILHÕES CONTRA UM
Eduardo D’ávila – LÊ BUFÊ
Eriam Schoenardie – 90 CEIAS
Maurício Schneider – 90 ceias
Pedro Nambuco – A MULHER ARRASTADA

ATOR

Caco Coelho – HISTÓRIA DO FUTURO
Frederico Vittola – VELHOS HÁBITOS
Lauro Fagundes – EM CHAMAS
Lincon Spezialli – SOBRE NÓS
Ricardo Zigomático – A ÚLTIMA PEÇA 

DRAMATURGIA

Aline Marques e Eduardo d'Avila - LÊ BUFÊ
Caco Coelho - HISTÓRIA DO FUTURO
Carina Corá – 90 ceias
Diones Camargo – A MULHER ARRASTADA
Frederico Vittola e Thiago Silva – VELHOS HÁBITOS

DIREÇÃO

Eduardo Severino – HISTÓRIA DO FUTURO 
Gabriela Poester – A ÚLTIMA PEÇA
Léo Maciel – SOBRE NÓS
Ricardo Zigomático – MILHÕES CONTRA UM 
Vitória Titton – 90 ceias

ESPETÁCULO
2068
90 ceias
A MULHER ARRASTADA
A ÚLTIMA PEÇA
LÊ BUFÊ




MAQUIAGEM

Camila Falcão - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Coletivo Órbita - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Jennifer Ribeiro e Jardel Rocha - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Núcleo Teatral – A INCRIVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Suzana Machado - DE LA MANCHA – O CAVALHEIRO TRAPALHÃO

DESIGN GRÁFICO / IDENTIDADE VIRTUAL

Ana Paula Decarli - MACBETH E O REINO SOMBRIO
André Varela e Suzana Witt - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Jardel Rocha - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Jéssica Barbosa - CHAPEUZINHO VERMELHO
Trupi di Trapu - BANDELE

FOTOGRAFIA DE CENA

Adriana Marchiori  - CHAPEUZINHO VERMELHO
Adriana Marchiori e Tom Peres - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Andréa Seligman e Giuliano Bueno - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIACia Teatro Lumbra - CRIATURAS DA LITERATURA
Estevão Dornelles - MACBETH E O REINO SOMBRIO

TRILHA SONORA

Álvaro RosaCosta – CHAPEUZINHO VERMELHO
Carina Levitan e Guilherme Ceron - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Felipe Zancanaro – A EXTRAORDINÁRIA AVENTURA ROMÂNTICA DE MIRANDA E LÉO LOURIVAL
Pedro Borghetti e Guilherme Ceron- DE LA MANCHA–O CAVALHEIRO TRAPALHÃO
Rafael de Carli - MACBETH E O REINO SOMBRIO

ILUMINAÇÃO

Alexandre Fávero – CRIATURAS DA LITERATURA
Ariel Medeiros - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Bathista Freire - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Carolina Silva Zimmer - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Thais Andrade - CHAPEUZINHO VERMELHO 

CENÁRIO

Coletivo Órbita - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Élcio Rossini - CHAPEUZINHO VERMELHO
José Renato Leão - A INCRÍVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Marcos Buffon - O GATO DE BOTAS... E DE BOMBACHAS
Roger Santos - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

FIGURINO

Daniel Lion – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO
Daniel Lion - CHAPEUZINHO VERMELHO
Lúcia Machado - DE LA MANCHA – O CAVALHEIRO TRAPALHÃO
Mari Falcão e Camila Falcão - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Jardel Rocha - JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ATRIZ COADJUVANTE

Alana Souza - A INCRÍVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Danuta Zaghetto – EXPEDIÇÃO MONSTRO
Fabiane Severo - CHAPEUZINHO VERMELHO
Janaína Pelizzon - A EXTRAORDINÁRIA AVENTURA ROMÂNTICA DE MIRANDA E LÉO LOURIVAL
Pamela Bratz – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ATRIZ

Ana Caroline de David – EXPEDIÇÃO MONSTRO
Alessandra Bier – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Camila Pasa – MACBETH E O REINO SOMBRIO
Laura Hickmann – CHAPEUZINHO VERMELHO
Miriã Possani - A EXTRAORDINÁRIA AVENTURA ROMÂNTICA DE MIRANDA E LÉO LOURIVAL

ATOR COADJUVANTE

Dejayr Ferreira – O GATO DE BOTAS E DE BOMBACHAS
Hamilton Caldas  - A INCRÍVEL VIAGEM DO NAVIO GERINGONÇA
Henrique Gonçalves – CHAPEUZINHO VERMELHO
João Pedro Decarli – MACBETH E O REINO SOMBRIO
Roger Santos – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ATOR

Guilherme Fêrrera  - CHAPEUZINHO VERMELHO
Jardel Rocha - JUNHO - UMA AVENTURA IMAGINÁRIA
Lauro Fagundes - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Rodrigo Waschburger - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Thiago Silva – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO

DRAMATURGIA

Danuta Zaghetto, Fabiana Santos, Luiz Manoel, Sue Gotardo e Thiago Silva – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO
João Pedro Decarli - MACBETH E O REINO SOMBRIO
Joel Pommerat - CHAPEUZINHO VERMELHO
Matheus Melchiona e grupo - EXPEDIÇÃO MONSTRO
Thiago Silva - JUNHO - UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

DIREÇÃO

Camila Bauer – CHAPEUZINHO VERMELHO
Lisiane Medeiros – A PRAGA DE UNICÓRNIOS
João Pedro Decarli – MACBETH E O REINO SOMBRIO
Sue Gotardo – ALICE – ALÉM DA TOCA DO COELHO
Thiago Silva – JUNHO – UMA AVENTURA IMAGINÁRIA

ESPETÁCULO

CHAPEUZINHO VERMELHO
DE LA MANCHA – O CAVALEIRO TRAPALHÃO
EXPEDIÇÃO MONSTRO
JUNHO - UMA AVENTURA IMAGINÁRIA 
MACBETH E O REINO SOMBRIO



MAQUIAGEM

Canoas Coletivo de Dança – SAMBARACOTU
GEDA Cia de Dança - AS VEZES EU KAHLO
Macarenando Dance Concept - DAS TRIPAS SENTIMENTO
Muovere Cia de Dança - RE-SINTOS
Projeto GOMPA – FRANKENSTEIN 

DESIGN GRÁFICO / IDENTIDADE VISUAL

GEDA Cia. De Dança - ÀS VEZES EU KAHLO
Jéssica Barbosa - FRANKENSTEIN
Mônica Kern - DAS AMARRAS DELA
Pedro Mancuso – CHOKING
Pedro Mancuso – RE-SINTOS

FOTOGRAFIA DE CENA

Cristina Lima - CHOKING
Gui Malgarizi – ABOBRINHAS RECHEADAS – DANCE A LETRA
Gui Malgarizi - DANCE A LETRA - CAETANO
Lívia Dávalos e Leo Saldanha - CLLÃ
Maciel Goelzer - SAMBARACOTU

FIGURINO

Antônio Rabadan - AS VEZES EU KAHLO
Antônio Rabadan – CHOKING
Antônio Rabadan – RE-SINTOS
Margarida Rache – CLLÃ
Renan Villas – FRANKENSTEIN

CENÁRIO

Alex Sander dos Santos – CLLÃ
Antônio Rabadan – AS VEZES EU KAHLO
Élcio Rossini – FRANKENSTEIN
Luís Cocolichio - DAS AMARRAS DELA
Muovere Cia de Dança – RE-SINTOS

ILUMINAÇÃO

Carol Zimmer – AS VEZES EU KAHLO
Casemiro Azevedo – RE-SINTOS
Gui Malgarizi e Sandra Santos – DANCE A LETRA – CAETANO
Ricardo Vivian – FRANKENSTEIN
Ricardo Vivian – SAMBARACOTU

TRILHA SONORA
Aldo D’Ibaños – CLLÃ
Álvaro RosaCosta – FRANKENSTEIN
Álvaro RosaCosta e Simone Rasslan – SAMBARACOTU
Diego Mac – RE-SINTOS
Thiago Ramil e Loua Oula Djembé – VAGA

BAILARINA
Fabiane Severo – FRANKENSTEIN
Lauren Laurent – CLLÃ
Luciana Dariano – CLLÃ
Juliana Rutkowski - ABOBRINHAS RECHEADAS DANCE A LETRA Roberta Savian – RE-SINTOS

BAILARINO
Alex Sander dos Santos – CLLÃ
Denis Gosch – RE-SINTOS
Diego Mac - ABOBRINHAS RECHEADAS DANCE A LETRA 
Douglas Jung – FRANKENSTEIN
Nilton Gaffree - ABOBRINHAS RECHEADAS DANCE A LETRA

DIREÇÃO

Alex Sander dos Santos e Carlota Albuquerque – CLLÃ
Camila Bauer – FRANKENSTEIN
Diego Mac e Gui Malgarizi – DANCE A LETRA – CAETANO
Jussara Miranda – RE-SINTOS
Maria Waleska van Helden – VAGA –

ESPETÁCULO

CLLÃ
DANCE A LETRA – CAETANO
FRANKENSTEIN
RE-SINTOS
VAGA


Parabenizamos todos os indicados e aproveitamos para pedir o apoio de todos para conseguirmos viabilizar uma cerimônia de entrega dos troféus. Clique no LINK CATARSE e ajude um projeto totalmente independente a sair do papel.

domingo, 12 de janeiro de 2020

PRÉVIA DO PRÊMIO OLHARES DA CENA 2019

É com grande alegria que compartilhamos um breve resumo do que foi o nosso ano de 2019 aqui no Olhares da Cena. Foi um ano cheio de espetáculos de teatro e dança. Em 2019 nosso blog OLHARES DA CENA completou 10 anos de atividades e em nove anos fazíamos uma seleção dos melhores trabalhos da capital e a nível nacional e elegemos os melhores do ano em diversas categorias conforme a opinião do editor do blog. Em 2019 resolvemos fazer diferente para comemorar a data especial: Convidamos três artistas de diversas áreas do teatro e da dança para juntos chegarmos a lista dos INDICADOS DO PRÊMIO OLHARES DA CENA 2019 que será divulgada no próximo dia 15 de janeiro. Nos reunimos no último dia 28 de dezembro para fecharmos a lista final que contou com 63 espetáculos INSCRITOS divididos em Teatro Adulto, Infantil e Dança. Participaram da comissão julgadora os seguintes artistas: Diego Ferreira, Igor Ramos, José Henrique Alves e Juliana Johann. 
Encerramos este ano com a certeza de que tivemos uma vasta produção cênica no estado e a maioria dos espetáculos de muita qualidade e rigor estético, mesmo diante de todo o retrocesso que estamos passando no que tange o campo artístico. 

SAMBARACOTU (RS)


PROVOCAÇÕES ÉTICAS E  ESTÉTICAS EM ESPETÁCULO FORTE DA CANOAS CIA DE DANÇA

Diego Ferreira*

ESPECIAL PORTO VERÃO ALEGRE 2020



"Sambaracotu" traz a mesclagem da dança urbana criando intersecções com procedimentos da cultura popular e sonoridades brasileiras, que pode ser traduzido para o enfrentamento político capaz de revelar provocações éticas e estéticas e até mesmo negociar uma reação capaz de enlaçar a linguagem-ritmo-paisagem-cultura com a desnormatização do corpo, saindo de uma desconstrução do corpo urbano, esfacelado, enrijecido e muitas vezes linear para uma corporeidade tradutora da linguagem popular contemporânea, com gestos plásticos, políticos inseridos no "corpo textualizado", que consegue traduzir conceitos através de uma linguagem física e corporal e não verborrágica. 
O novo projeto da Canoas Coletivo de Dança é uma provocação estética para aqueles que gostam da criação de novos vocabulários corporais. O projeto anterior "Whattsapp para Shakespeare" já trazia uma pesquisa de um corpo hiperconectado diante das comunicações interrompidas, e que trazia um corpo belo, teatral e estilizado e que consegue neste novo projeto ampliar conceitos e a própria pesquisa que coloca a dança urbana em outro patamar, pois a retira do seu lugar comum e amplia possibilidades de exploração de movimentos urbanos aliados a sonoridades brasileiras. A figura da Carlota Albuquerque como provocadora deixa claro a desconstrução dos corpos dos intérpretes-criadores,  que partem de suas experiências com as danças urbanas, cedendo lugar a um corpo que transcende o próprio estilo e alcança um patamar que não se limita a um conjunto de técnicas específicas, mas sim algo contemporâneo que é mais global por causa dos códigos e procedimentos adotados na construção do espetáculo.  "Sambaracotu" é vivo, pulsante, contagiante e conta com um conjunto de 8 bailarinos-criadores-intérpretes que estão excelentes em suas performances, que através de seus corpos evocam e materializam uma múltipla e ampla sonoridade brasileira. E por falar em sonoridade a criação de Álvaro RosaCosta, juntamente com Simone Rasslan mais uma vez é acertada e estão há muito tempo num caminho que criam e produzem trilhas sonoras ou paisagens musicais que extrapolam o próprio conceito de trilha cênica, tamanha é a diversidade, originalidade e qualidade do uso do som na cena. Um estudo profundo e análise do universo sonoro que constituem diferentes intensidades e texturas melódicas e que dialogam e interferem no desenvolvimento da cena. A direção compartilhada destes três profissionais  de alto gabarito, Carlota, Simone e Álvaro faz de "Sambaracotu" um espetáculo com forte teatralidade e ricas sonoridades que dialogam com o nosso tempo, que é um tempo de reinvenção e conexões interculturais, um tempo de descobertas, um tempo de provocar e ser provocado, um tempo de "Samba + Maracatu". O espetáculo ocupou de forma espetacular o pequeno palco do Instituto Ling e soube explorar todo o espaço do palco, corredores e até mesmo o teto com projeções e um cenário criativo de Rodrigo Shalako, e uma nova proposta de iluminação proposta por Ricardo Vivian, que os próprios intérpretes as vezes operavam a iluminação, conseguindo criar uma luz eficiente, assim como os figurinos de Gustavo Dienstmann que tras texturas diferentes para uma mesma cor. Meu único desejo é o de assistir novamente a montagem num espaço mais amplo, pois as vezes tinha a sensação que a potência do espetáculo acabava ficando espremida devido ao espaço pequeno do Ling, mas que não atrapalha em nada na fruição do trabalho, mas apenas uma sensação de ver por exemplo no palco do Teatro Renascença, e ver o espetáculo ganhando outras dimensões e até mesmo os corpos dos bailarinos ganhando outros status. Que a Canoas Coletivo de Dança possa seguir investigando novos procedimentos e encantando platéias.                           
 

Ficha técnica
Direção: 
Carlota Albuquerque, Álvaro RosaCosta e Simone Rasslan
Provocações coreográfica e pesquisa de movimento: 
Carlota Albuquerque
Provocações sonoras, pesquisa e composição musical: Álvaro RosaCosta e Simone Rasslan
Intérpretes criadores: 
Carini Pereira, Carol Fossá, Danielle Costa, Leslie Taube, Leonardo Patro, Roberto Mendes, Tiago Ruffoni e Tom Peres
Consultoria e curadoria de linguagem: 
Eliane Marques
Desenho de luz  e projeção: 
Ricardo Vivian
Figurinos: 
Gustavo Dienstmann
Cenário: 
Rodrigo Shalako
Cenotécnico: 
Paulo Pereira
Direção de produção: 
Cris Pereira
Artista colaboradora: 
Joana Willadino
Intercâmbio artístico: 
Renann Fontoura
Letristas: 
Ronald Augusto, Danielle Costa, Leandro Maia
Músicos convidados: 
Daniela Luz, Beto Chedid e Yago Lima
Produção: 
Canoas Coletivo de Dança
Apoio: 
Colégio Rondon, Studio Spasso, Sala Terpsí

*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É jurado e coordenador do Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

FRANKENSTEIN (RS)

Foto: Cláudio Etges



SOB OLHAR DA CONFRONTAÇÃO, ESPETÁCULO TRIUNFA NA CENA ATUAL


por Diego Ferreira*

" Frankenstein" é o novo e ousado projeto do Coletivo Gompa, que a cada novo trabalho nos coloca diante de novas possibilidades no campo das artes da cena. Fica difícil categorizar e encaixotar em rótulos as produções deste coletivo que nos últimos cinco anos tem se dedicado a pesquisa de linguagem e levado a risca o hibridismo em suas produções. A chamada pós-modernidade teatral articulou novos padrões de encenação, requisitando do espectador uma percepção centrada nas sensações, ora desconstruindo a fábula e evitando qualquer significado racional, ora centrando a experiência estética no campo mítico ou performático da representação. E "Frankenstein" vai ao encontro destes dois vértices, que ao mesmo tempo eclode com a fábula presente no original de Mary Shelley buscando a essência da narrativa para expandir o conceito de pertencimento, além de trazer a tona questões sobre beleza, aceitação, mutilação, através de um olhar crítico e contemporâneo que evidencia o corpo e partes dele, pedaços, composições, deformações que vão criando fragmentos de um monstro que podemos fazer um paralelo com temas que estão sendo discutidos na atualidade como amputações, doação de órgãos, mutilações entre outras interferências e violências que nosso corpo está propenso a receber. Camila Bauer na direção do espetáculo mais uma vez surpreende, pois percebe-se que sua busca está sempre voltada para a reinvenção de si e dos códigos cênicos colocados em cena, sua direção passa a ser mais do que uma construção, mas a interrogação dos sentidos sob o olhar da confrontação de idéias e isso é louvável, pois o que vemos na cena é sempre algo novo, provocante sob a perspectiva contemporânea. 
Fabiane Severo é uma artista múltipla da cena, que mesmo nas montagens teatrais sempre evidencia a sua técnica apurada e refinada, com um corpo disponível que emana energia e que se comunica fortemente com o espectador. Sua performance em "Frankenstein" está nada menos que sensacional, com uma entrega que torna um corpo expansivo, conseguindo articular pequenas tensões através de um corpo presente e expressivo, um trabalho espetacular que fica na nossa memória como aqueles espetáculos inesquecíveis pela entrega de seus realizadores. Douglas Jung demonstra um corpo experiente, hábil para fazer qualquer coisa em cena, através de uma técnica apurada. Através de sua performance conseguimos visualizar pequenas pulsões de vida/morte, percepções de movimentos que tornam a experiência radical, no sentido em que vislumbramos a potência de um corpo preparado e habilitado para dialogar com a cena fragmentada e repleta de climas e tensões que é "Frankenstein". Um trabalho imagético e com uma paisagem sonora que é um novo personagem em cena, pelo fato de provocar os corpos e o espectador a adentrar nesse universo de terror. Alvaro RosaCosta é mestre em criar essas  paisagem que ultrapassam o que convencionamos a chamar de trilha sonora, cria uma paisagem sonora pois é elemento fundamental para a construção e fruição do espetáculo. Assim como a iluminação de Ricardo Vivian que auxilia na construção de texturas e delimitação do tempo/espaço da cena. Cabe citar o inventivo cenário de Élcio Rossini e os figurinos de Renan Vilas que são provocativos em sua essência e dentro da proposta dão o tom necessário para nos provocar e nos colocar dentro do clima da cena.
O projeto Gompa mais uma vez está de parabéns não apenas pelo trabalho, mas pelo conjunto de sua obra que a cada novo passo eleva as produções gaúchas a outros patamares, qualificando tecnicamente o teatro feito por aqui, prova disso é o reconhecimento que o coletivo vem conquistando por onde passa. 
Bravo!!!


FICHA TÉCNICA

​Direção: Camila Bauer
Elenco: Fabiane Severo e Douglas Jung
Composição e cena sonora: Álvaro RosaCosta
Coreografia: Fabiane Severo e Douglas Jung
Provocações coreográficas: Carlota Albuquerque
Cenografia e objetos: Élcio Rossini
Iluminação: Ricardo Vivian
Figurinos: Renan Vilas
Dramaturgia: Camila Bauer, Carina Corá e Pedro Bertoldi
Arte gráfica: Jéssica Barbosa
Fotografia: Regina Protskof e Cláudio Etges

Produção e realização: Projeto GOMPA


*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. 

domingo, 15 de dezembro de 2019

OS SALTIM(B)ANCOS (RS)


SIMPLICIDADE EFICIENTE

por Diego Ferreira*


"Os Saltimbancos" é um das mais importantes obras do nosso país. Lançado no ano de 1977, o disco infantil “Os saltimbancos” foi um projeto composto por importantes figuras da música popular brasileira. A inspiração desse disco aparece como uma adaptação da obra literária “Os músicos de Bremen”, criada pelos lendários irmãos Jacob e Wilhelm Grimm.
Essa obra trata da união de um grupo de animais contra a exploração realizada por seus patrões. Ao longo das canções vemos que cada um dos animais canta as suas angústias e decidem se reunir para que tivessem a oportunidade de mudar o rumo de suas vidas. Os protagonistas envolvidos são um jumento, um cachorro, uma galinha e uma gata. Cada um reclama da exploração que sofria e contam com suas diferenças para se tornarem livres.
De modo geral, essa obra  assinada por Fabrizio Gorziza tem uma elaboração interessante  e bastante simples e explora de modo muito eficiente o uso de elementos lúdicos calcados na fisicalidade  dos atores e nas canções executadas ao vivo com arranjos bastante simples também, porém eficientes. As crianças apreendem a história com grande facilidade e podem aprender sobre valores muito importantes. Questões como união, solidariedade, justiça e diversidade são alguns dos conceitos que a narrativa dos saltimbancos consegue transmitir aos que tem a oportunidade de apreciá-la. Contudo, não podemos entender que “Os saltimbancos” seja uma simples obra pensada para crianças. A história desses animais tem uma relação muito importante com o contexto histórico vivido no Brasil daquela época. Ao falar sobre união, exploração e justiça, os animais que figuram essa fábula davam voz a uma série de questões políticas que marcavam o regime militar brasileiro e que infelizmente estão muito atuais pelo fato das atrocidades e retrocessos estarem de volta com a ascensão do governo atual. Não tendo liberdade para abertamente se opor ao governo da época, era comum que os artistas utilizassem de elementos e recursos estéticos que de forma indireta expressassem as suas opiniões. Na produção do Coletivo Teatral o único elemento cenográfico que depois se transforma na lua, é uma esfera, um picadeiro, com a bandeira do Brasil estilizada que já denota um pouco destas referências. O elenco Lucas Sampaio, Luciano Pieper, Leticia Paranhos e Yuri Niederaurer conseguem valorizar o enredo da peça e numa obra com um tempo bastante condensado, conseguem explorar as características dos personagens, cantando e encantando a platéia.
Percebemos que “Os Saltimbancos” é um rico documento histórico capaz de marcar adultos e crianças. Para o universo infantil, percebemos a construção de uma ferramenta didática capaz de introduzir a reflexão de valores muito interessantes para a formação dos pequenos. Aos adultos, uma obra que hoje atesta a falta de liberdade artística que impunha desafios e estratégias para se falar o que se pensava naquela época. Assim, temos um rico universo de questões educacionais e históricas a serem notadas por meio desse memorável disco.

FICHA TÉCNICA:

Direção Fabrizio Gorziza
Elenco:
Jumento - Lucas Sampaio
Cachorro - Luciano Pieper
Galinha - Leticia Paranhos
Gato - Yuri Niederaurer
Iluminação: Nara Maia
Figurinos e Cenário: Diãne Sbardelloto 
Duração: 50min
Faixa Etária: Livre

*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. 



quinta-feira, 7 de novembro de 2019

TOC - UMA COMÉDIA OBSESSIVA COMPULSIVA (RS)


TOC - A COMÉDIA DO ANO

por Diego Ferreira*

O espetáculo "TOC - Uma comédia obsessiva compulsiva" é daqueles espetáculos que provocam o riso e uma reflexão acerca de um transtorno sério e presente a vida de muitas pessoas. O espetáculo se destaca primeiramente pelo cuidado com a produção. Em todas as temporadas é visível o trabalho de qualidade realizado por Lutti Pereira e Daniel Lion em colocar o trabalho na rua através de campanhas publicitárias bem elaboradas realizadas pela TOP Agência e que sempre chamam a atenção. 
Em relação ao espetáculo vemos uma ficha técnica recheada de profissionais conhecidos e competentes da cena gaúcha, o que reflete no bom resultado da peça. O texto de Artur José Pinto é inteligente e sagaz, consegue criar uma narrativa que além da comicidade constrói uma trama que vai se desenrolando através de fatos e histórias dos quatro personagens trancafiados no consultório e consegue criar um final surpreendente, trazendo diálogos sutis e engraçados, trazendo mais uma dramaturgia inteligente aos palcos, o que confere a Artur José Pinto um dos mais escritores mais encenados no estado. 
A direção de Lutti Pereira é inteligente pois consegue articular todos os elementos estéticos do espetáculo assim como explorar o melhor de cada ator que está em cena. O cenário de Daniel Lion é baseado em linhas que criam um ambiente vazado e de extremo bom gosto, assim como os figurinos que traz cores que são distintas entre si, mas que no todo constroem uma unidade, um visual simples e sofisticado ao mesmo tempo. O elenco traz ao palco Letícia Kleemann, atriz destaque do ano, pois trabalhou em diversos projetos como atriz e diretora e aqui comprova mais uma vez a grande atriz que é, tem facilidade e consegue atingir um timing cômico perfeito, conseguindo através de seu registro franzino e frágil arrancar gargalhadas da platéia. Kleemann se destaca como uma das melhores atrizes cômicas da atualidade, não desprezando seus trabalhos dramáticos, mas na comédia creio que ela atinge sua plenitude. Daniel Lion surpreende na sua construção pois é muito famoso dos nossos palcos como gabaritado  profissional que é na construção de figurinos e cenários, mas como ator se sai muito bem, e espero que volte em outras produções. Lembro de Daniel Lion num espetáculo de 1995 chamado "As aventuras do Avião Vermelho", um dos primeiros espetáculos que assisti e lembro até hoje pois era extremamente belo, e aqui o ator volta ao ofício de ator conseguindo atingir um trabalho muito bom. Vinicius Petry é um ator que sempre nos apresenta boas atuações, já o assisti em muitos espetáculos infantis e aqui está muito a vontade na construção do personagem que é responsável pela grande reviravolta da narrativa (sem dar spoiler) e merece os parabéns pelo grande ator que é, assim como a Juliana Barros, que já tinha assistido no espetáculo "Os dois gêmeos venezianos" e em TOC demonstra outra faceta enquanto atriz atingindo um belo resultado. Ou seja, pela descrição acima do elenco e equipe técnica percebemos porque o espetáculo TOC é a comédia do ano, por reunir uma equipe extremamente profissional e experiente, e que fazem um trabalho cômico muito sério, e que por isso se destaca na cena gaúcha. 

Ficha técnica:

Texto: Artur José Pinto / Direção: Lutti Pereira / Elenco: Daniel Lion, Juliana Barros, Letícia Kleemann e Vinícius Petry / Cenografia e figurinos: Daniel Lion / Iluminação: Fernando Ochoa / Trilha sonora: Vinícius Petry / Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten / Assessoria de redes sociais: Pedro Santos / Fotos de divulgação: Pedro Mendes / Programação visual : Top Agencia / Realização e produção: Lutti Pereira e Daniel Lion / Classificação etária: 14 anos / Duração: 60min



*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. É jurado no Prêmio Olhares da Cena. Foi jurado do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle.