DESLOCAMENTOS DE CORPOS
POLÍTICOS
Por Diego Ferreira*
Corpos que vagam...
Corpos que suam...
Corpos em deslocamento
Corpos refugiados
Corpos imigrantes e
migrantes
Corpos que vagam
Vaga
Vaga é um ato político
desenhado nos corpos dos intérpretes
Vaga é forte
Vaga é macro e micro ao
mesmo tempo
É geopolítico no que
tange ao deslocamento e organização de povos e de indivíduos que carregam suas
histórias que estão gravadas nos corpos
De onde venho e para
onde vou...
Fico
Fica
Vaga é composto por uma
grande diversidade de corpos, individualidades e subjetividades que se misturam
e indicam caminhos para a própria formação do nosso país que foi formado por
diversas etnias.
A GEDA cia de dança
através da direção de Maria Waleska van Helden se apropria de um espaço não
convencional localizado no Multipalco Theatro São Pedro e através de sua
concepção Vaga consegue nos provocar desde os primeiros instantes como a
entrada da mãe com sua filha no colo, partindo na seqüência inicial da marcha
dos refugiados que se inicia no andar superior do espaço e que é de uma beleza
extraordinária. As coreografias seguintes também provocam através dos discursos
presentes nos corpos e na fala dos intérpretes. A GEDA está de parabéns por nos
proporcionar outro olhar sobre um tema tão recorrente no Brasil como este. A
iluminação do Casemiro Azevedo auxilia na criação e delimitação do espaço,
assim como a vibrante trilha sonora ao vivo de Loua Oula Djembé, que contagia
com seus tambores dando o tom a cena, mas não somente neste sentido, pois
apenas a presença de Djembé já é um signo super importante e que dialoga muito
com a questão da diversidade apresentada na cena. A canção - tema do Thiago
Ramil é linda demais e soma - se junto a todos os acertos da produção.
Em suma, o espetáculo “Vaga”
se propõe com êxito a discutir a concepção política que atravessa os discursos
da dança contemporânea, a partir da contextualização e exploração das noções de
política e estética presentes no pensamento acerca de migração e refugiados.
Merece nosso aplauso pelas belas imagens, poesia e encantamento que um tema
bastante duro consegue provocar nos corpos políticos dos bailarinos.
Ficha técnica
Direção e concepção:
Maria Waleska van Helden
Intérpretes/criadores:
Bodh Sahaj, Graziela Silveira, Geórgia Macedo, Priya Mariana Konrad, Consuelo
Vallandro, João Lima, Clarissa Gomes, Felipe Suares, Carini Pereira, Morena dos
Anjos, Danielle Costa, Marilice Bastos e Aline Karpinski.
Elenco de apoio: Nury
Salazar, Juliana Nolibos, Natália Streb, Omara Longe e Perla Santos.
Assistente de direção:
Luciana Dariano
Ensaiadora: Graziela
Silveira
Trilha sonora: Thiago
Ramil e Loua Oula Djembé
Iluminação: Carol
Zimmer
Operação de Iluminação: Casemiro Azevedo
Operação de Iluminação: Casemiro Azevedo
Produção Executiva: Ana
Paula Reis / Bendita Cultura
Duração: 40 minutos
Classificação
indicativa: Livre
Realização: Kapsula
Produções Culturais
*Diego Ferreira é Graduado em Teatro/UERGS. Escreve comentários críticos no blog Olhares da Cena. É integrante do Grupo de Estudos em Dramaturgia de Porto Alegre coordenado por Diones Camargo. Foi jurado do Prêmio do Prêmio Açorianos de Teatro em 2013 e 2018. Professor de Teatro na Unisinos e Unilasalle. Diretor do Grupo Skatá de Canoas.